Trump amplia aliança internacional contra o aborto que já reúne 46 países
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou a aliança internacional contra o aborto que criou durante o seu primeiro mandato. Neste momento, a iniciativa já reúne 46 países. Ela voltou a ganhar força com o retorno do republicano à Casa Branca, em janeiro do ano passado. Washington também tem feito uma forte campanha diplomática para aumentar o número de governos comprometidos com a defesa da vida e da família.
A ampliação da iniciativa foi revelada nesta sexta-feira (9) pelo jornal francês Le Monde. A aliança é formada por países que decidiram aderir a chamada "Declaração do Consenso de Genebra", lançada em 2020. O documento de lançamento da iniciativa afirma que não existe um direito internacional ao aborto e defende que cada nação tenha autonomia para decidir suas próprias leis sobre o tema. O documento também estabelece que os governos não têm obrigação internacional de financiar ou facilitar a realização de abortos.
Inicialmente, a declaração começou com o apoio de 22 países. Contudo, ela já chegou a 46 em setembro deste ano. Entre os signatários da declaração estão Rússia, Arábia Saudita, Hungria, Egito, Uganda e Argentina, governada pelo presidente Javier Milei. O Brasil participou da criação da aliança em 2020, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro, mas deixou a iniciativa em janeiro de 2023, após a posse Lula. Os Estados Unidos também haviam se retirado da aliança durante o governo do então presidente democrata Joe Biden, que apoiava o aborto, em 2021, mas voltaram a participar em janeiro de 2025, com o retorno de Trump à Casa Branca.
A expansão da aliança ocorreu em 23 de setembro, quando Honduras, Trinidad e Tobago e Argélia decidiram aderir à declaração durante um encontro realizado às margens da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Em agosto, a Argentina também havia formalizado sua entrada no grupo. Os Estados Unidos voltaram a assumir a liderança administrativa da aliança em junho deste ano, substituindo a Hungria, que estava à frente do grupo. A liderança da aliança passou a ser conduzida pelo Departamento de Saúde americano, em parceria com o Departamento de Estado, comandado pelo secretário Marco Rubio.
Em uma mensagem enviada aos participantes de um encontro realizado em Washington, em setembro, Trump afirmou que pretende continuar ampliando o número de países que apoiam a declaração.
“Meu governo sempre defenderá a dignidade da vida humana, a saúde e o bem-estar das mulheres, a força da família e o direito de defender esses valores e tradições”, afirmou o presidente americano.
Segundo o Le Monde, representantes do governo Trump e organizações conservadoras americanas estão trabalhando neste momento para convencer outros países a aderir ao documento. A articulação tem avançado principalmente na África e na América Latina, onde integrantes da iniciativa mantêm reuniões com autoridades e representantes diplomáticos.