Trump abre nova investigação para tentar afastar diretora do Banco Central dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (9) a abertura de uma nova investigação contra Lisa Cook, integrante do Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano. Cook é acusada de apresentar informações falsas em contratos de financiamento imobiliário antes de assumir o cargo. Trump já havia tentado demiti-la no ano passado, mas a Justiça impediu seu afastamento.
A nova investigação será conduzida por um comitê de três integrantes do governo americano, que deverá avaliar as acusações e determinar se existem motivos legais para a demissão. A medida foi formalizada em um memorando assinado por Trump na quarta-feira (7) e divulgado nesta sexta pela Casa Branca.
“Como presidente, é meu dever garantir que as leis sejam fielmente cumpridas, inclusive demitindo subordinados em quem não se pode confiar para dizer a verdade e cumprir a lei”, afirmou Trump no documento.
O presidente determinou que Cook compareça a uma audiência na Casa Branca em 5 de novembro, dois dias depois das eleições legislativas americanas. A sessão será fechada ao público e terá duração máxima de quatro horas. A diretora poderá apresentar documentos, testemunhos por escrito e argumentos em sua defesa.
O comitê será formado por Kevin Hassett, principal assessor econômico de Trump, Andrea Lucas, presidente da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego, e Keith Sonderling, diretor interino do Escritório de Ética Governamental. Depois da audiência, os três deverão apresentar uma recomendação ao presidente sobre a permanência de Cook no cargo.
A disputa em torno de Cook começou em agosto de 2025, quando Trump anunciou a demissão da diretora após acusações feitas por Bill Pulte, diretor da Agência Federal de Financiamento Habitacional dos EUA. Segundo Pulte, Cook teria declarado dois imóveis diferentes como residência principal em documentos de empréstimos assinados em 2021, o que poderia ter permitido a obtenção de condições mais favoráveis de financiamento.
Cook nega ter cometido a suposta fraude e recorreu à Justiça para impedir sua demissão. Em junho deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos manteve a diretora no cargo e estabeleceu que Trump não poderia afastá-la sem apresentar uma justificativa legal suficiente e dar a ela a oportunidade de se defender.
Os advogados de Cook, Abbe Lowell e Norm Eisen, reagiram à criação do comitê nesta sexta-feira. Eles afirmaram que estão avaliando se o procedimento permitirá uma defesa justa e não será apenas uma formalidade para justificar uma decisão já tomada.
“A diretora Cook recebe de bom grado a oportunidade de apresentar os fatos para limpar seu nome e demonstrar que não há base legal para demiti-la”, afirmaram os advogados em comunicado.
Nomeada pelo então presidente democrata Joe Biden em 2022, Cook tem mandato previsto até 2038. Até o momento, ela não foi formalmente acusada de nenhum crime.
A disputa ocorre em meio às críticas de Trump à política de juros do Federal Reserve. O republicano vem pressionando o banco central para reduzir as taxas, mas a instituição elevou os juros em setembro, já sob a presidência de Kevin Warsh, indicado pelo próprio Trump para substituir Jerome Powell, ex-presidente do Fed alvo de críticas mensais do republicano. Uma eventual saída de Cook permitiria a Trump escolher mais um integrante do conselho responsável pelas decisões de política monetária dos Estados Unidos.