Trump “some” de propaganda dos republicanos para as Midterms

20 de Set de 2026 - 13:10
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Trump “some” de propaganda dos republicanos para as Midterms

O presidente Donald Trump pode até ser onipresente na política americana, mas há um lugar onde você não o encontrará durante as eleições de meio de mandato: protagonizando anúncios de TV republicanos.

Uma nova análise da CNN mostra que Trump desempenha um papel secundário — sendo, muitas vezes, raramente mencionado — na intensa campanha de mensagens republicanas que ocupa cada vez mais os espaços publicitários em algumas das disputas eleitorais mais importantes do ano.

Desde o início de setembro, os democratas têm citado o nome de Trump com muito mais frequência do que os republicanos.

Entre 1º e 15 de setembro, os republicanos veicularam apenas 12 anúncios de TV mencionando Trump — um investimento de cerca de US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,1 milhões), segundo análise da CNN baseada em dados da AdImpact.

Essas peças representam uma fração dos mais de 500 anúncios republicanos produzidos no período, que somaram mais de US$ 160 milhões (cerca de R$ 825,4 milhões).

É um contraste marcante em relação ao apelo de Trump para que as eleições de meio de mandato girem em torno dele, ao dizer repetidamente aos seus apoiadores: “Imaginem que meu nome está na cédula”.

Sua quase ausência na publicidade do Partido Republicano ressalta o grau em que ele se tornou um peso político, com uma taxa de aprovação nacional de apenas 36%, segundo o levantamento “Poll of Polls” da CNN.

Assessores republicanos afirmam à CNN acreditar que a melhor chance de o partido manter a maioria no Senado não é promovendo o nome de Trump em anúncios de TV, mas sim definindo a imagem dos candidatos democratas e tentando torná-los inaceitáveis ​​aos olhos dos eleitores.

“O presidente não é a melhor mensagem nem o nosso melhor porta-voz neste momento”, disse à CNN um estrategista republicano experiente em publicidade, que atua em várias campanhas das eleições de meio de mandato; ele falou sob condição de anonimato para evitar irritar a Casa Branca.

Em suma: candidatos do Partido Republicano e seus aliados estão destinando menos de 1% de seus gastos com publicidade a anúncios de TV que mencionam especificamente Trump.

O mesmo não ocorre com os democratas.

Com uma ampla maioria dos americanos expressando desaprovação em relação ao desempenho de Trump no cargo — sentimento ainda mais acentuado no que diz respeito à economia e à guerra com o Irã —, o presidente, que enfrenta dificuldades políticas, tornou-se uma figura central na estratégia publicitária democrata para conquistar o controle da Câmara e do Senado.

Segundo uma análise da CNN, os democratas gastaram quase US$ 23 milhões (aproximadamente R$ 118,7 milhões de reais) na veiculação de 95 anúncios que mencionam o presidente durante a primeira quinzena de setembro, o que representa cerca de um quinto de seus gastos totais com publicidade.

Os anúncios visam associar diretamente Trump aos candidatos republicanos, sejam eles titulares buscando a reeleição ou desafiantes.

Em Michigan, um “super PAC” democrata afirma em um anúncio sobre o candidato republicano ao Senado: “Mike Rogers: totalmente a favor da guerra, totalmente a favor de Trump”.

Um argumento semelhante está sendo usado no Maine, com um comercial de TV que critica diretamente a senadora republicana do estado: “Susan Collins faz o que é melhor para Trump”.

Anúncios de aliados de Trump não o mencionam

Após meses de questionamentos sobre se a rede política de Trump investiria de fato nas eleições de meio de mandato, uma ampla coalizão de grupos externos está agora totalmente engajada e abriu as torneiras para um fluxo massivo de recursos.

No entanto, os anúncios produzidos por esses grupos raramente incluem Trump.

Mesmo uma enxurrada de gastos de um novo “super PAC” ligado à organização política de Trump — mais de 100 milhões de dólares em compras de espaço publicitário no outono, visando fortalecer republicanos em situação vulnerável — não mencionou o presidente até o momento.

O foco, em vez disso, está em atacar os democratas.

“Há algo de errado com Abdul El-Sayed”, dizia um dos anúncios contra o candidato democrata ao Senado dos EUA por Michigan.

El-Sayed é um alvo central dos ataques republicanos nesta campanha, na disputa contra Rogers — o ex-deputado que concorre novamente ao Senado.

“Ohio trabalha por cada dólar. Sherrod Brown trabalha para tirá-los de você”, dizia outra mensagem, referindo-se ao ex-senador democrata que busca retornar a Washington após sua derrota em 2024.

“Roy Cooper. O histórico dele é pior do que você se lembra”, dizia outro anúncio na Carolina do Norte, onde o presidente realizou um comício na noite de quarta-feira (16) para impulsionar Michael Whatley — ex-presidente do RNC (Comitê Nacional Republicano) — em sua disputa pelo Senado contra Cooper, o ex-governador e candidato democrata ao Senado.

O novo grupo responsável pelos anúncios, o No Going Back PAC, está ligado à MAGA Inc. — o principal “super PAC” de Trump —, que declarou ter mais de US$ 400 milhões (cerca de R$ 2 bilhões de reais) em caixa em seus relatórios mais recentes à FEC.

Esse enorme montante de recursos de campanha tem sido alvo de intenso escrutínio por parte dos republicanos, preocupados com a alocação de verbas em um cenário competitivo de eleições de meio de mandato.

Ainda não foram detectados anúncios que reforcem a proposta de Trump de conceder um pagamento de US$ 5.000 (aproximadamente R$ 25.800 reais) a cada adulto americano caso os republicanos vençam as eleições de meio de mandato.

Além disso, apesar das declarações ousadas feitas pelo presidente em comícios — incluindo a afirmação frequente de que a economia americana é a “mais aquecida do mundo” —, não se veem tais alegações sendo propagadas em anúncios de TV financiados por seus próprios aliados políticos de maior destaque.

A estratégia publicitária republicana tem mais nuances

Enquanto a maioria dos presidentes se distancia das eleições de meio de mandato para evitar nacionalizar as disputas, Trump faz o oposto.

Ele está totalmente engajado, mobilizando tanto apoiadores leais quanto críticos ferrenhos.

No entanto, a estratégia publicitária republicana evidencia uma discussão muito mais matizada em curso sobre as melhores chances do partido de minimizar a perspectiva de uma onda democrata em novembro.

Embora os anúncios de campanha republicanos evitem, em grande parte, mencionar Trump explicitamente, muitos responsáveis ​​pela publicidade do partido têm insistido em destacar conquistas políticas importantes, especialmente aquelas relacionadas aos cortes de impostos previstos na lei “One Big Beautiful Bill Act”.

Segundo dados da AdImpact, os republicanos veicularam mais de 200 anúncios sobre tributação até agora em setembro, gastando mais de 70 milhões de dólares (aproximadamente 361 milhões de reais) — cerca de dois quintos de seu orçamento publicitário nesse período.

“Eliminamos impostos sobre gorjetas e horas extras e reduzimos impostos sobre a Previdência Social”, afirma a deputada Ashley Hinson, candidata republicana ao Senado por Iowa, em um de seus anúncios.

Em outra peça publicitária, ela destaca ter trabalhado “com o presidente Trump para enfrentar as seguradoras de saúde” visando à redução de custos, mas também se compromete a trabalhar “em cooperação com o outro partido” para obter resultados.

“Lutei ao lado do presidente Trump para aprovar os maiores cortes de impostos para famílias trabalhadoras na história dos Estados Unidos”, diz o senador republicano de Idaho, Jim Risch, em outro anúncio.

Os candidatos republicanos buscam mobilizar a base do presidente sem afastar eleitores frustrados com os rumos do país sob controle total republicano em Washington.

É verdade que há alguns republicanos em distritos eleitorais decisivos tentando contrariar a tendência, apostando nos possíveis benefícios de se alinharem ao presidente.

O deputado republicano Mike Lawler, de Nova York — que trava uma das disputas mais acirradas do país para a Câmara contra a democrata Cait Conley —, veiculou um anúncio destacando sua atuação com Trump na lei “One Big Beautiful Bill Act” para aumentar a dedução do imposto estadual e local, uma questão fundamental para os eleitores de seu distrito; o vídeo incluía trechos de Trump elogiando-o em um comício.

Lawler também discursou na convenção republicana para as eleições de meio de mandato, realizada no Texas na semana passada, apesar de vários de seus colegas de distritos disputados terem optado por não comparecer ao evento.

Ele está entre os republicanos que tentam equilibrar-se cuidadosamente entre apoiar o presidente e demonstrar independência.

“Farei o que for preciso para realizar o trabalho”, disse Lawler no anúncio. “Tive de enfrentar tanto a esquerda quanto a direita.”

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