Ucrânia desmente Trump e diz que acesso ao Starshield segue restrito

23 de Out de 2026 - 06:30
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Ucrânia desmente Trump e diz que acesso ao Starshield segue restrito

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (22) que Elon Musk havia restabelecido o acesso da Ucrânia a uma versão militar do serviço de internet Starlink, chamada Starshield.

Autoridades ucranianas, porém, disseram que as restrições continuam em vigor e prejudicam os esforços de guerra de Kiev.

Trump se recusou a dizer se havia solicitado pessoalmente a Musk a restauração do serviço. “Se fui eu que liguei ou se outra pessoa ligou, não faz diferença”, disse a jornalistas na Casa Branca, na quinta-feira.

“Acho que, no fim das contas, ele restabeleceu o serviço”, afirmou.

Apesar das declarações do governo Trump, autoridades ucranianas disseram na manhã desta sexta-feira (23) que as restrições permaneciam em vigor.

Há mais de uma semana, as limitações têm prejudicado o funcionamento de armamentos militares que se deslocam em alta velocidade. Segundo autoridades ucranianas, isso dificulta o uso de drones interceptadores na defesa contra ataques russos e compromete operações militares em diversas áreas da linha de frente.

“No momento, não estamos observando nenhuma suspensão das restrições ao Starlink”, afirmou Serhiy Beskrestnov, assessor do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. “Há casos isolados em que o Starlink pode operar um pouco mais rápido do que o permitido pelas restrições, mas isso provavelmente se deve ao algoritmo da SpaceX ou a condições específicas de uso, e não à suspensão das restrições.”

Uma fonte do Ministério da Defesa da Ucrânia disse à CNN na manhã de sexta-feira que “não há atualmente confirmação de que as restrições tenham sido suspensas” e que “ainda são observadas perdas de sinal” em armamentos militares que se deslocam a mais de 161 km/h.

“Definitivamente, há limites de velocidade; nada mudou até agora, pelo menos pelo que consigo ver daqui”, afirmou um oficial das Forças Armadas ucranianas à CNN. “Isso dificulta a coordenação; às vezes, há interrupções. A conexão cai por 10 a 15 segundos.”

“Perdemos muitos equipamentos, muito mais do que o habitual”, acrescentou o oficial, afirmando que as restrições afetaram drones de reconhecimento e drones equipados com sistemas Starlink.

Uma terceira fonte familiarizada com a situação disse à CNN na tarde de quinta-feira que as velocidades não são ilimitadas e que qualquer acesso restabelecido “claramente não é suficiente para interceptar drones movidos a jato” lançados pela Rússia.

Segundo a fonte, a Ucrânia aguarda informações e esclarecimentos dos Estados Unidos sobre a situação, mas ainda não recebeu resposta.

Trump e alguns de seus principais assessores haviam negado ter solicitado a limitação do uso do Starshield pela Ucrânia, sem apresentar uma explicação clara sobre o que realmente aconteceu. No início desta semana, Trump afirmou que não estava envolvido.

Musk também negou ter tomado a decisão unilateralmente e atribuiu a responsabilidade ao governo Trump. “Quaisquer limites de velocidade ou de uso são decididos pelas Forças Armadas dos Estados Unidos e, em última instância, pelo presidente”, escreveu ele em uma publicação nas redes sociais na semana passada.

Jornais americanos, incluindo The New York Times e The Wall Street Journal, noticiaram que Trump ligou para Musk na semana passada para pedir que restabelecesse o acesso integral da Ucrânia à rede de comunicações por satélite.

Na quinta-feira, Trump se recusou a responder a perguntas sobre uma reportagem do Wall Street Journal segundo a qual ele havia pedido diretamente a Musk que restabelecesse o serviço para a Ucrânia.

“Não quero comentar nem de uma forma nem de outra, mas meu relacionamento com Elon é muito bom”, afirmou o presidente americano.

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