A operação de Lula para recuperar votos e virar Minas no 2º turno
A campanha à reeleição do presidente (PT) montou uma operação para tentar recuperar votos em Minas Gerais e reverter, no segundo turno, a vantagem aberta pelo senador (PL) no estado.
Segundo documento à qual a coluna teve acesso, a estratégia do PT passou por identificar, praticamente bairro a bairro, onde Lula perdeu eleitores e por concentrar ações de rua, com lideranças locais, nesses pontos.
Presidente Lula durante ato "Lula em São Paulo, O Brasil Pronto Pra Mais” na Avenida Paulista, em São Paulo
Senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos)
Candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro
No primeiro turno, . A diferença entre os dois foi de quase 589 mil votos.
Na capital Belo Horizonte, Lula recebeu cerca de 592 mil votos no primeiro turno. A campanha calcula que precisa recuperar 112 mil votos para alcançar o patamar obtido pelo petista na cidade, no segundo turno de 2022.
Para isso, a equipe petista mapeou as regiões da cidade onde há maior potencial de recuperação. Entre as áreas apontadas estão Vale do Jatobá, Céu Azul, Venda Nova, Tupi, Floramar e Caiçara.
A orientação da campanha de Lula em Minas foi intensificar ações porta a porta, caminhadas e o corpo a corpo com os eleitores, além de trabalhar para reduzir a abstenção.
Lideranças políticas e comunitárias também foram direcionadas por caciques do PT para atuar justamente nas regiões onde têm maior influência.
A estratégia adotada em Belo Horizonte serve como exemplo de uma operação que vem sendo replicada pelo estado: localizar onde Lula perdeu votos e identificar onde há espaço para ampliar sua votação nesta reta final.
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Segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com 16 milhões de eleitores, Minas é considerado um estado decisivo em disputas presidenciais. O candidato que vence entre os mineiros ganha a eleição presidencial.
Fator Cleitinho
Outro elemento acompanhado pela campanha é o posicionamento do governador eleito de Minas Gerais, (Republicanos). Eleito no primeiro turno com 55% dos votos, Cleitinho declarou apoio a Flávio.
Pessoas próximas a Cleitinho, contudo, relataram à coluna que ele teria se sentido pressionado a anunciar o voto no candidato do PL depois que o Republicanos decidiu apoiar o candidato do PL.
Segundo esses aliados, ainda haveria mágoas relacionadas à eleição estadual e à postura de Flávio e do deputado (PL) em relação à candidatura de Cleitinho ao governo mineiro.
Claitinho também teria ficado incomodado com a postura dos dois durante o período em que perdeu o irmão e com a posterior decisão do PL de lançar um candidato contra ele na disputa pelo governo estadual.
Há ainda um componente pragmático. Caso Lula seja reeleito, Cleitinho terá de manter diálogo com o governo federal sobre pautas importantes para Minas Gerais, entre elas a dívida bilionária do estado.
Por isso, a aposta de lideranças do PT em Minas é de que o governador eleito do estado não pretende fechar completamente as portas para o petista.