Advogada de toalha quase derruba porta de vizinha no chute em Águas Claras

21 de Out de 2026 - 03:50
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Advogada de toalha quase derruba porta de vizinha no chute em Águas Claras

Uma advogada de 42 anos, enrolada em uma toalha, quase derrubou a porta de uma vizinha a chutes, em um condomínio de , na manhã dessa terça-feira (20/10). O episódio é mais um dos conflitos atribuídos à mulher, que acumula reclamações de moradores que recorrem à Justiça para tentar afastá-la do residencial.

A perturbação do sossego, segundo os vizinhos, é constante no 10º andar do prédio. Há cerca de seis meses, a vítima se mudou para o local, onde passou a ouvir a mulher falar sozinha em voz alta dentro do apartamento e, às vezes, gritar pelo corredor.

A vítima, de 30 anos, estava em casa quando, às 8h52, a vizinha começou a bater à porta. Com a força dos chutes, a estrutura quase cedeu. “Precisei segurar a porta para impedir que ela caísse. Antes de mim, outra moradora já foi atacada com uma barra de ferro na porta, porque ela implica com esse apartamento, que fica bem de frente para o dela”, relatou.

A implicância com os vizinhos de porta estaria relacionada a uma crença inusitada envolvendo o empresário Elon Musk. “Ela é divorciada, mas acredita que é casada com o Elon Musk e que eles precisam de espaço”, contou uma vizinha. No vídeo obtido pelo Metrópoles, é possível ouvir a mulher repetir o nome do bilionário.

A frequência dos episódios, segundo os condôminos, faz com que eles acionem a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), por se tratar de um surto psiquiátrico.

“Nunca há punição. Ela costuma dar carteirada, dizendo que é advogada, e demonstra confiança de que não sofrerá consequências”, relatou a moradora.

Injúria racial

Os relatos de conflitos incluem acusações de injúria racial e ameaças de morte. Em maio deste ano, uma vizinha afirma ter sido ofendida pela advogada, que, em um vídeo obtido pela reportagem, aparece chamando a moradora de “preta suja”. Após o episódio, a vítima registrou um boletim de ocorrência por injúria racial na 21ª Delegacia de Polícia, em Águas Claras.

“Ela já me ameaçou de morte duas vezes: uma quando eu estava saindo de casa e outra, na semana retrasada, quando passei por ela na rua. Em outra ocasião, tentou me agredir, mas meu irmão e minha mãe estavam presentes”, relatou a moradora.

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Ação judicial

As reclamações dos moradores chegaram à Justiça. O condomínio Edifício Uptown Residence pediu o afastamento da advogada do imóvel, alegando que multas e notificações não resolveram os conflitos. Como provas, apresentou boletins de ocorrência por ameaça e injúria racial, relatos de moradores e vídeos. A administração também alegou que um incêndio no apartamento representou risco aos demais residentes.

Em junho de 2026, o TJDFT negou o afastamento imediato. Na decisão, o desembargador Roberto Freitas Filho afirmou que retirar alguém da própria casa é uma medida excepcional. Segundo ele, os documentos indicavam um conflito relevante, mas era necessário analisar melhor a gravidade e a repetição dos episódios, além de confrontar as versões e garantir o direito de defesa da moradora.

A decisão não encerrou o processo. A Justiça apenas negou a retirada imediata da advogada, e o pedido do condomínio ainda precisa ser julgado.

Procurado, o síndico questionou a demora para que sejam tomadas providências diante das ocorrências relatadas pelos moradores.

“Tem um ponto que ninguém entende. Por que, com tantas ocorrências e ação de despejo, a Justiça não anda com as providências?”, afirmou.

A defesa da advogada foi procurada para comentar as denúncias e o processo judicial. O espaço segue aberto para manifestação.