Câncer de mama: como deve ser o acompanhamento depois do tratamento

19 de Out de 2026 - 16:00
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Câncer de mama: como deve ser o acompanhamento depois do tratamento

Todos os anos, durante o Outubro Rosa, ampliamos a conversa sobre o câncer de mama. Falamos sobre prevenção, diagnóstico precoce, acesso aos exames e avanços no tratamento.

Mas existe uma etapa igualmente importante dessa jornada que merece mais espaço nessa discussão: como cuidar das pacientes depois que o tratamento primário termina?

A conclusão do tratamento representa um marco importante, mas não significa o fim do cuidado.

O acompanhamento continua sendo fundamental para avaliar a saúde da paciente, identificar possíveis sinais de recorrência e orientar os próximos passos, e é justamente nessa fase que precisamos avançar em direção à individualização e à personalização.

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Nem todas as pacientes têm as mesmas características clínicas, os mesmos riscos ou as mesmas necessidades. Por isso, também não faz sentido pressupor que todas devam seguir exatamente o mesmo modelo de acompanhamento.

Essa é uma das reflexões que trago a partir da minha participação no painel internacional de especialistas responsável pela atualização da diretriz da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês) sobre acompanhamento e vigilância do câncer de mama após o tratamento primário.

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Publicamos em julho de 2026, no Journal of Clinical Oncology, o principal guideline do mundo sobre o tema, um documento que reúne recomendações para orientar profissionais de saúde em diferentes países.

A atualização tem impacto global na prática clínica e reforça que o cuidado precisa ser cada vez mais personalizado, considerando o risco de recorrência e as necessidades de cada paciente.

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Menos exames para quem tem menor risco de o câncer voltar

Entre as principais atualizações está a revisão dos três níveis de vigilância, com uma abordagem mais individualizada de acordo com o risco de recorrência de cada paciente.

Na prática, pacientes de menor risco podem ter um acompanhamento menos intensivo, com menos consultas e exames, reduzindo o impacto na rotina e os custos do cuidado, enquanto aquelas com maior risco passam a demandar uma vigilância mais próxima e direcionada.

Não se trata de oferecer menos cuidado, mas de reconhecer que cuidar bem também significa compreender quando intensificar a assistência e quando evitar intervenções que não demonstraram benefício.

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Outra atualização é a recomendação de não utilizar rotineiramente determinados exames de sangue, uma prática recorrente, mas que não possui benefício comprovado e pode gerar ansiedade, aumentar custos e interferir na rotina das pacientes.

Como oncologista e pesquisador, acredito que aproximar a pesquisa científica da prática clínica é essencial para avançarmos na direção da personalização.

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Por muito tempo, se buscou “fazer mais”, mas hoje direcionamos a nossa prática a compreender melhor quem precisa de cada intervenção, em qual momento e por qual motivo.

* Gustavo Werutsky, oncologista do Hospital Moinhos de Vento, diretor executivo do Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG) e head científico do MAMA – Culturas de Prevenção

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