Análise: com a cabeça no Boca Juniors, Vasco é vítima da própria ansiedade em jogo ruim contra Remo
Time para na marcação adversária, peças-chave jogam mal, e Pedro Emanuel admite que pensamento no futuro atrapalhou
Vasco 0 x 0 Remo | Melhores momentos | 30ª rodada | Brasileirão
O interrompeu a sequência de três vitórias consecutivas no Campeonato Brasileiro ao empatar com o Remo neste sábado, em São Januário. Mais do que o tropeço, a atuação da equipe comandada por Pedro Emanuel foi sem graça.
A proximidade com o duelo contra o Boca Juniors, pela semifinal da Copa Sul-Americana, foi algo que tomou o ambiente externo em praticamente toda a semana. Dos debates jurídicos para saber onde será o palco do jogo da volta, no Rio de Janeiro, aos gritos de "terça-feira é guerra" vindos da arquibancada, era praticamente ficar neutro sobre o confronto.
E a impressão é que isso chegou ao elenco — ou ao menos em parte dele. O Vasco foi vítima da sua própria ansiedade.
— Sei que, se vocês forem procurar os números das sequências de jogos... Atingimos três vitórias (consecutivas no Brasileiro) e queríamos a quarta. Acredito que todos os jogadores pensassem nisso. Mas eu também fui jogador, joguei Champions League. Sei que normalmente antes dos jogos da Champions, por mais que os jogadores digam (que não), o subconsciente acaba os tirando um pouco do foco. Mesmo que estejam comprometidos fisicamente, mentalmente por vezes isso não acontece. Temos que combater isso? Temos. Temos que fazer melhor? Temos. O meu grande lamento é não termos oferecido à nossa torcida os três pontos que ela merecia - afirmou Pedro Emanuel.
Spinelli jogador do Vasco durante partida contra o Remo no estadio Sao Januario — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
O time teve muita dificuldade para furar o bloqueio defensivo do vice-lanterna Remo, que se postou com cinco marcadores atrás da linha da bola e esperou para sair no contra-ataque. Boa parte desses obstáculos no campo passaram por uma atuação ruim de Thiago Mendes, que contribuiu pouquíssimo na parte criativa. O camisa 23 fez, com alguma folga, seu pior jogo neste Brasileirão.
Andrés Gómez, quase sempre o termômetro do ataque, foi outro que mostrou queda de produção. O colombiano, como sempre, deu trabalho para a defesa com descidas no terço final, mas demorou muito para tomar decisões e, por vezes, conduziu a bola de um lado para o outro do campo na tentativa de chutar.
Colidio e Lescano demoram para entrar no jogo e se adaptarem à marcação do Remo, que dobrou para cima da dupla estrangeira. O zagueiro Robert Renan, que por vezes ficava ao lado de Jair para auxiliar na saída de bola, foi fundamental para passar a acionar o atacante, que passou a aparecer a partir da metade do primeiro tempo. Dos pés dele saíram duas boas chances para David.
Pedro Emanuel diz que faltou inspiração ao Vasco
A queda de rendimento também passa pela saída dos dois: Colidio sentiu dor muscular na coxa esquerda no início do segundo tempo, enquanto Lescano saiu aos 20 minutos por preservação física. Nuno Moreira e Ramon Rique não deram a mesma criatividade, e o Vasco sentiu. A partir disso, o time praticamente só chegou ao ataque por meio de cruzamentos.
O domínio de posse de bola, muitas vezes, significou pouco. O time piorou com as alterações, esbarrou na defesa e falhou em encontrar alternativas para furar a defesa. Com o empate, o Vasco chegou aos 35 pontos, quatro a mais que o Internacional, que abre o Z4 e ainda jogará na rodada. O time carioca tem uma partida a menos.
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