Análise: El Niño influencia temporada de furacões nos EUA

12 de Out de 2026 - 10:50
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Análise: El Niño influencia temporada de furacões nos EUA

O El Niño exerce uma influência direta sobre a temporada de furacões nos Estados Unidos, mas de forma diferente do que se poderia imaginar. Em vez de intensificar as tempestades no Oceano Atlântico, o fenômeno provoca uma redução na frequência e na intensidade dos furacões nessa região, ao mesmo tempo em que aumenta significativamente a atividade no Oceano Pacífico.

A avaliação é do analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes, ao CNN Novo Dia. Ele contextualizou os eventos climáticos recentes, incluindo um ciclone intenso que atingiu os Estados Unidos — deixando quatro mortos, rastros de destruição e cidades sem energia elétrica — e um furacão registrado na costa do Pacífico mexicano.

Como o El Niño afeta os ventos e a formação de furacões

Segundo Pedro Côrtes, a lógica por trás do comportamento do El Niño no Atlântico está relacionada a uma mudança no regime dos ventos equatoriais. “No Atlântico há uma redução do nível de intensidade e também da frequência dos furacões”, explicou.

Essa desorganização dos ventos impede a criação das condições ideais para a formação de ciclones tropicais intensos na região. O ciclone que atingiu os EUA, por exemplo, não chegou a ser classificado como furacão.

Já no Oceano Pacífico, o cenário é oposto. Com as águas mais aquecidas nessa bacia oceânica, há uma tendência maior de formação de tufões e furacões. “Há uma concentração muito maior dos fenômenos no Oceano Pacífico, porque ele está mais quente”, afirmou Côrtes.

O analista comparou essa dinâmica a uma balança: enquanto a atividade diminui no Atlântico, ela cresce no Pacífico.

El Niño de intensidade histórica

Pedro Côrtes alertou para a magnitude excepcional do El Niño atual. O fenômeno é classificado como forte quando a temperatura média no Oceano Pacífico Equatorial ultrapassa 2°C acima do normal.

As projeções indicam que essa temperatura pode chegar a 3,7°C a partir de outubro, um nível sem precedentes desde que as medições sistemáticas passaram a ser registradas, na década de 1950. “É um aquecimento totalmente anormal que a gente não tem similar há mais de 60 anos”, destacou o analista.

Côrtes chegou a chamar o fenômeno de “super super El Niño”, embora reconheça que essa não é uma terminologia oficial. Registros paleoclimáticos também indicam que o atual evento é um dos mais intensos da história.

Apesar do cenário preocupante no Pacífico, o analista ponderou que a redução dos furacões no Atlântico não significa ausência total de risco. “Não quer dizer que não vá acontecer, que não possa acontecer algo muito sério, algo intenso, mas não é isso que as autoridades norte-americanas estão colocando no radar”, concluiu.

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