Apple explica por que removeu apps que alertavam sobre ações do ICE

29 de Set de 2026 - 15:00
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Apple explica por que removeu apps que alertavam sobre ações do ICE

Uma reportagem da CNN revelou uma explicação fornecida pela Apple para a polêmica remoção do ICEBlock e outros apps feitos para monitorar a ação de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (Immigration and Customs Enforcement, ou ICE) dos Estados Unidos no ano passado.

Parte de uma carta enviada em julho ao deputado Jamie Raskin, do Partido Democrata, esse pronunciamento diz que as remoções foram motivadas por uma série de preocupações, incluindo aquelas levantadas pela administração de sobre a segurança de seus agentes após um tiroteio fatal em um escritório do ICE em Dallas.

A Maçã disse ainda que aprovou a publicação do ICEBlock em abril de 2025 após seu criador, Joshua Aaron, abordar “certas preocupações com a privacidade do usuário”, mas que notou um “aumento significativo na atividade do ICE e no número de ameaças contra o ICE” na época, o que teria colocado em risco tanto agentes quanto detentos e motivado uma nova revisão do app. A empresa também afirmou estar “atenta” sobre as críticas acerca da sua decisão de removê-lo da sua loja de aplicativos.

[Esses apps proveem] informações precisas de localização sobre agentes do ICE (e, consequentemente, sobre outras pessoas que possam estar próximas a esses agentes, como manifestantes ou detentos), criando assim um possível roteiro para violência direcionada e um risco significativo de danos.

Assinada por Timothy Powderly, diretor sênior de assuntos governamentais da Apple, a carta encerra ao dizer que a empresa “não toma decisões sobre a remoção de aplicativos da App Store de forma leviana, mas age quando necessário — especialmente quando há sérias preocupações de que um aplicativo esteja criando riscos à segurança”.

Membro sênior do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA — que, no início deste ano, iniciou uma investigação sobre o papel do Departamento de Justiça (DoJ) dos EUA na remoção desses apps da e do —, o deputado Raskin disse, em uma resposta enviada ontem à Apple, que essas remoções sugerem que a companhia pode estar “trabalhando com o governo para violar o direito de seus clientes à liberdade de expressão, garantido pela Primeira Emenda, de registrar e relatar as atividades de seu próprio governo”. Ainda de acordo com ele, não há evidências de que esses apps foram utilizados na condução do tiroteio em Dallas — algo que foi sugerido na época pelo diretor do FBI e aliado de Trump, Kash Patel.

Raskin também disse em sua resposta que o atirador não precisava de apps como esses para descobrir a localização de um escritório do ICE, além de ter citado a suspeita de que ele “encontrou o endereço usando um aplicativo que vem instalado por padrão em dispositivos Apple” — ao que tudo indica, o app Mapas (Maps). O deputado concluiu sua resposta destacando que, ao contrário do ICEBlock e de ferramenta similares, os apps de navegação seguem disponíveis na App Store.

Em agosto do ano passado, Aaron processou oficiais do governo Trump sob a acusação de que eles abusaram de seu poder e infringiram sua liberdade de expressão ao pressionar a Apple a remover o seu aplicativo. Em resposta, os oficiais, bem como a então Procuradora-Geral Pam Bondi, negaram serem diretamente responsáveis ​​pela remoção do app, rejeitaram a alegação de violação da Primeira Emenda e pediram o arquivamento do caso.

Até o momento da publicação, tanto a Apple quanto do DoJ não responderam aos questionamentos da CNN.