Arcebispo de Aparecida diz que "cenário político está muito carregado"

12 de Out de 2026 - 14:20
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Arcebispo de Aparecida diz que "cenário político está muito carregado"

Aparecida (SP) — O arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva, afirmou nesta segunda-feira (12/10) que “o cenário político está muito carregado” e que ninguém tem o direito de usar a fé para ferir. O religioso também disse que é preciso “furar bolhas” e promover diálogo para manter saúde.9 imagensFechar modal.1 de 9Missa solene no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em SPWilliam Cardoso/ Metrópoles2 de 9Missa solene no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em SPWilliam Cardoso/ Metrópoles3 de 9Políticos acompanham missa no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida, em SPWilliam Cardoso/ Metrópoles4 de 9Capela das Velas no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida, em SPWilliam Cardoso/ Metrópoles5 de 9Capela das Velas, no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida, em SPWilliam Cardoso/ Metrópoles6 de 9Mulher reza no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida, em SPWilliam Cardoso/ Metrópoles7 de 9Mulher reza no Santuário de Nossa Senhora de Aparecida, em SPWilliam Cardoso/ Metrópoles8 de 9William Cardoso/ Metrópoles9 de 9Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em SPWilliam Cardoso/ Metrópoles“O nosso cenário político está muito carregado, com muita disputa, muita acusação, muita indignação. Isso não nos ajuda no diálogo, no debate para a sociedade. Agora, é fantasia achar que isso não existe, infelizmente, no Brasil”, afirmou. Leia também São PauloAlckmin em Aparecida: “Justiça tem que ser guardiã da liberdade política” São PauloEm missa em Aparecida, arcebispo fala em “não odiar quem pensa diferente” Dom Mário também fez um chamado ao diálogo, orientando os fiéis a serem “pessoas lúcidas, sensatas”. “O chamado, hoje, furar bolhas. Só estamos no ambiente em que todas as ideias batem com a minha. Uma ideia que é diferente daquilo que eu penso já vejo como sendo de um inimigo e, muitas vezes, até como traidor. Isso é muito triste e muito desumano”.Segundo o religioso, isso pode afetar a vida das pessoas de diversas formas. “Quando isso faz parte da política e da religião, isso é sinal de que a nossa saúde mental não está boa. Aí, nossa saúde religiosa, política, social vai ficar prejudicada”, afirmou.O arcebispo de Aparecida disse que as pessoas devem se tratar como irmãs, porque “somos todos brasileiros e brasileiras”.“Pensamos diferente? Sim, mas a diferença do nosso pensamento não deve nos distanciar e nos fazer inimigos. Podemos ter conflitos, mas isso não nos autoriza a entrar em confronto, guerra e, às vezes, em destruição da vida, do pensamento e da ideia de outras pessoas”, afirmou.NotíciasDurante a campanha eleitoral, Nossa Senhora entrou no alvo da disputa política com notícias de que poderia deixar de ser considerada padroeira do Brasil, bem como sobre a maneira como se dá a devoção à santa.Na entrevista desta segunda, ao responder ao repórter de um jornal sueco sobre como Nossa Senhora virou símbolo de disputa entre candidatos, o arcebispo de Aparecida disse que religião e política são realidades necessárias na vida e podem dialogar pelo bem comum e salvação das pessoas.“Acredito também que toda essa polêmica que surgiu em torno da imagem e da devoção de Nossa Senhora se acelerou tendo em vista as redes sociais, notícias que circulam e algumas delas podem ter sido divulgadas sem muita análise da origem, da razão. Penso que isso gerou uma certa comoção e, às vezes, até uma convulsão desnecessária, tendo em vista a opinião e a religiosidade de ambas as partes, em um momento da política brasileira”, disse.O arcebispo complementou sobre o papel da internet na vida das pessoas. “Qualquer coisa que vai nas redes sociais, no WhatsApp, foge do nosso controle. Para não chegar a essa doença mental, a gente tem que tomar as cápsulas da prudência, da paciência, do bom senso e, às vezes, até do bom humor diante de todas as situações. Que a gente possa zelar pelos símbolos e elementos religiosos católicos e não-católicos”, disse.O debate despertado pelas polêmicas deveria ser visto como “uma oportunidade para que a gente reaviva o respeito entre as crenças, as religiões do nosso Brasil e do nosso mundo”.“Não temos o direito de ferir ninguém com a sua fé ou com elementos de sua religião”, afirmou.O arcebispo também falou que se existe risco de difamar, ofender e ferir, é melhor se retrair. “Para não deixar rastros e, depois, falar justificativas inexistentes.”