As relações entre a cúpula do Congresso e Vorcaro
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro revelam uma relação próxima do banqueiro com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Os diálogos vieram a público em meio às investigações do caso Master e ampliam as suspeitas sobre a rede de influência do ex-banqueiro nos três Poderes.No caso de Motta, as conversas mencionam uma possível sociedade em um negócio imobiliário na Paraíba, envolvendo um terreno de 400 hectares e uma operação de crédito de ao menos R$ 22 milhões, concedida pelo Master a uma empresa ligada à cunhada do deputado. Em outro conjunto de mensagens, Vorcaro aparece colocando uma aeronave à disposição de Motta e os dois discutem assuntos relacionados a projetos em tramitação na Câmara.As mensagens divulgadas nesta terça-feira pelo uol acrescentam outro elemento: Motta utilizava uma casa de Vorcaro no Lago Sul, em Brasília, inclusive quando o banqueiro não estava na cidade. Deputado combinava diretamente o acesso ao imóvel, utilizado por Vorcaro para receber políticos e outras autoridades. A última presença de Motta registrada nas mensagens ocorreu em 17 de novembro de 2025, data da prisão de Vorcaro.A relação com Alcolumbre também aparece marcada por intimidade. Em fevereiro de 2025, após a eleição do senador para a presidência do Senado, Vorcaro o parabenizou. Alcolumbre respondeu com manifestações de amizade e, semanas depois, escreveu que era “seu irmão” para a vida toda. Os diálogos também registram encontros privados e referências a festas organizadas pelo banqueiro. Em outra mensagem Vorcaro diz a Alcolumbre: ‘você é um anjo de luz em nossa vida’.Conversas mostram ainda que Vorcaro chegou a recorrer ao senador para tentar obter informações sobre uma jornalista. Paralelamente, o Senado não avançou com uma CPI destinada a investigar o caso, e o Conselho de Ética permanece sem funcionamento regular. As mensagens foram apresentadas ao STF como elemento novo em uma ação que questiona a paralisação do colegiado.Motta e Alcolumbre negam irregularidades. O presidente da Câmara afirma que mantém diálogo com diferentes setores da sociedade e rejeita qualquer interpretação de favorecimento. Alcolumbre classificou as acusações como falsas e disse que as mensagens têm caráter pessoal, sem demonstrar ilegalidade.