Carlos Miguel valoriza mentalidade vencedora e parceria no elenco do Palmeiras: "De pé até o fim"
Goleiro detalha estratégias para lidar com a disputa de três competições e revela expectativa para as semifinais da Libertadores contra o Fluminense; jogo de ida é nesta quarta-feira
Carlos Miguel recebeu o Globo Esporte em casa em entrevista exclusiva
Só nesta temporada são 54 jogos. Carlos Miguel é o atleta que mais representou a camisa do em 2026. Não à toa, o goleiro sabe como ninguém do elenco as dores e as alegrias de se manter competitivo em tantos torneios ao mesmo tempo.
Nesta quarta-feira, ele retorna ao estádio onde estreou pelo clube, há quase um ano. No Maracanã, fará o jogo de ida da semifinal da Conmebol Libertadores contra o Fluminense. É uma das três disputas nas quais o time ainda está vivo nesta reta final de temporada.
Apesar do pouco tempo no — para ele, parece que foi ontem sua apresentação —, Carlos Miguel diz já se sentir em casa. Em partes, é justamente isso que o ajuda, e também o restante da equipe, a manejar o calendário cheio de decisões.
— Acontece muito rápido, a gente não consegue refletir, ver o quão gigantesco é. Em pouco tempo da nossa equipe, porque chegaram grandes jogadores junto comigo com uma qualidade absurda, a gente se unir e batalhar desde o início para fazer um grande ano e terminar da melhor maneira. A gente treina todo dia, se esforça, briga, se abraça e vai viver junto esse ano como se não houvesse amanhã.
Carlos Miguel fala sobre a própria experiência na Libertadores — Foto: Ingrid Gonzaga
Gerando casca
Apesar de estar lidando com três campeonatos consecutivos, Carlos Miguel sabe o peso que o mata-mata da Libertadores tem na rotina de um elenco. Esta é a sétima semifinal da maior competição do continente que o disputa em nove anos.
— É uma semifinal de Libertadores. A gente sabe que é difícil, todo mundo tem intenção, todo mundo quer vencer, avançar para a final e vencer o título. Um jogo fora é muito importante, porque é ida e volta. A gente sabe a dificuldade que é um jogo fora. Tem que fazer um bom resultado para conseguir também em casa desempenhar bem e sair com a classificação. Vontade não vai faltar e futebol a gente tem para ganhar.
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O cenário é diferente do visto no ano passado. Passando por um momento de reformulação, o clube contou com a chegada de muitos atletas — a maior parte de seu plantel — a partir de 2025. Se na última temporada o tempo era de plantar, nesta é de colher.
— Hoje, a gente tem uma equipe mais maturada. Ano passado, a gente estava numa construção forte e rápida, que mudou em várias exposições. Este ano, a gente está com uma espinha dorsal muito boa, ajustou detalhes e se sente mais capacitado mentalmente e como grupo. Se a gente vai ganhar, a gente não sabe. Tem grandes adversários pela frente. Mas o querer ganhar, a gente vai tentar fazer mais do que qualquer um.
— Vai ser difícil para caramba, mas o vai seguir de pé até o fim.
As etapas anteriores deixaram isso claro. A classificação dramática diante da LDU, nas quartas de final, é um combustível a mais para quem tem em mente a final da competição.
Carlos Miguel voa para defender pênalti para o Palmeiras nas quartas da Libertadores contra a LDU — Foto: Rodrigo Buendia/AFP
Na fase passada, o foi para o jogo de volta no Equador com um gol de vantagem, sofreu uma virada e teve de se classificar nos pênaltis, com atuação destacada de Carlos Miguel.
— Gera casca. Às vezes, na vida, é difícil para a pessoa dar mais valor. A gente sabe a dificuldade que foi classificar lá. A gente se preparou para ir para lá, foi um tempo antes, ficou lá de noite e ali é difícil de dormir por causa da altitude. Tem sempre um problema diferente. Nos treinos, a bola é muito mais rápida, o campo é mais rápido — ressalta.
— A gente entra no jogo já com 1 a 0, dá um alívio. Acho que nos desconcentrou e acabamos tomando um empate. A circunstância do jogo ali, a gente sabe que é difícil cada cruzamento, às vezes a bola passava rápido para caramba. Mas eu falava: "se estou aqui, é porque estou preparado". Não só eu, todo mundo que estava jogando. A gente estava preparado para estar ali. "Vamos embora, vamos se abraçar que a gente vai conseguir."
Cabeça fria
É essa parceria com os companheiros que ajuda cada um a seguir em frente, mesmo quando o momento não é bom. Carlos Miguel comentou como o elenco lida com o dia seguinte de uma partida ruim: segundo ele, da mesma maneira como fazem após um jogo bom.
— O trabalho está sendo feito, amanhã já é um novo dia. Teremos nossa música na academia para todo mundo conversar, brincar, interagir. Terá o nosso trabalho antes do treino, alguns vão fazer recuperação, alguns vão fazer um pouco no campo. Não adianta, em um dia que for ruim, amanhã a gente chegar de cabeça baixa. Não, ao contrário, mantém. Se está tendo alguma coisa que você viu que pode fazer melhor, é porque o trabalho está sendo feito da melhor maneira possível — explica.
Manter a mentalidade vencedora é essencial para o grupo. A confiança é tema recorrente para esses jogadores, que precisam manter a moral alta em meio a tantos desafios.
— Todo jogador que entra numa fase decisiva e tem um controle mental, uma concentração absurda para conseguir fazer o seu futebol, desempenhar da melhor maneira possível, cresce dentro dele e fora também. Muita gente começa a olhar diferente, a entender que tem um grande jogador, uma grande pessoa ali dentro, que pode aguentar muitas decisões por muitos anos ainda.
Carlos Miguel e Abel Ferreira em Palmeiras x Sport — Foto: Marcos Ribolli
O responsável pela força dessa visão no clube tem nome e sobrenome: Abel Ferreira. Desde que chegou ao Verdão, o treinador tem feito do trabalho mental um dos focos de sua liderança.
— O Abel tem uma visão de treinador, mas ele tem um entendimento absurdo. Parece que ele é um goleiro, às vezes. Ele tem que tirar o melhor de todos os profissionais à disposição dele e é isso que ele sempre faz. A gente entende que ele quer sempre o melhor, abraça a gente no momento ruim e no momento bom ele também está lá, pulando, gritando, rindo, brincando. É isso que vai fazer a gente chegar.
Na próxima partida, porém, o não poderá contar com esse apoio à beira do gramado. O treinador está suspenso do jogo de ida contra o Fluminense por conta de um cartão vermelho recebido na última partida, contra a LDU.
Abel só retorna a comandar a equipe na Libertadores no jogo de volta, na semana seguinte. O confronto está marcado para o dia 21, no Nubank Parque.
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