Flávio mobiliza aliados e prepara reação nas ruas a atos pró-Lula
Instigada por aliados, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma reação para tentar evitar que os atos favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revertam a vantagem conquistada pelo senador no primeiro turno. O objetivo é combater o que vem sendo chamado internamente de “clima de já ganhou” e intensificar a mobilização de apoiadores na reta final do segundo turno.
A principal iniciativa será uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, marcada para domingo (18), a uma semana da votação decisiva. O ato foi anunciado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e terá a participação de Flávio; do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB); e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A mobilização foi anunciada no mesmo dia em que Lula participou de um ato no mesmo local, no último domingo (11).
Durante um almoço de campanha com lideranças políticas em São Paulo nesta terça-feira (13), Flávio pediu que aliados mobilizem eleitores e pontuou que a disputa ainda não está decidida. Tarcísio também cobrou empenho de prefeitos e vereadores nas duas semanas finais da campanha. “Nós vamos fazer um grande bloco aqui com o Nikolas, com o Flávio, com a gente, com o Ricardo, comigo. Na Avenida Paulista”, disse Tarcísio.
A pressão por uma reação por parte da campanha acontece em meio ao crescimento das manifestações de apoio ao presidente Lula em diversas capitais do país. Depois de reunir apoiadores em São Paulo e no Rio de Janeiro, os manifestantes petistas realizaram um ato na Esplanada dos Ministérios nesta terça-feira.
Eleito senador por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) publicou uma mensagem pedindo mobilização em diferentes frentes e alertou que a eleição não estava ganha. “Não há nada ganho e todos precisamos nos mobilizar em todas as frentes para proteger a verdade”, escreveu.
Ele também associou uma eventual vitória de Lula ao risco de o Brasil seguir um caminho semelhante ao da Nicarágua sob o governo de Daniel Ortega. Em paralelo, outros aliados intensificaram os apelos para que a estrutura política do PL permaneça mobilizada.
No grupo de WhatsApp “Tropa do Flávio”, o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) pediu que apoiadores não esperem a vitória sem trabalhar por ela. Já Nikolas Ferreira anunciou atividades em municípios de Minas Gerais para ampliar a votação do senador.
Vantagem do primeiro turno não tranquiliza campanha de Flávio
A campanha de Flávio acompanha com atenção as manifestações de apoio ao presidente Lula. A intenção dos integrantes do PL é mensurar se a mobilização dos últimos dias vai se refletir em redução da vantagem do senador nas pesquisas de intenção de voto.
Levantamento PoderData/Aya divulgado nesta terça-feira mostrou Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. Os dois estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de 1,8 ponto percentual.
Na pesquisa anterior, divulgada em 8 de outubro, Flávio tinha 53% dos votos válidos, ante 47% do presidente. A diferença caiu de seis para dois pontos percentuais em cinco dias. Embora os levantamentos não permitam associar essa oscilação diretamente às manifestações, a mobilização de apoiadores de Lula entrou no radar da campanha do PL, que teme que a presença nas ruas contribua para impulsionar o petista na reta final.
A pesquisa também aponta que os dois candidatos enfrentam índices elevados de rejeição. Lula tem 46% dos entrevistados que afirmam não votar nele de jeito nenhum, enquanto Flávio registra 44% de rejeição. A avaliação do governo federal permanece negativa, com 50% de desaprovação e 44% de aprovação.
Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Publicamente, integrantes da campanha ouvidos pela Gazeta do Povo tentam minimizar o impacto dos atos mas, nos bastidores, há preocupação de que a mobilização se converta em votos para o presidente.
“A gente pede para que todos vão para as ruas, levem seus filhos, levem suas famílias, levem sua bandeira do Brasil, vistam sua camisa do Bolsonaro com muito orgulho, porque falta pouco para a gente tirar o Brasil do cativeiro do PT”, disse Flávio sobre a mobilização convocada para São Paulo.
Pesquisas podem definir estratégia de Flávio para debates na reta final
Em outra frente, a campanha de Flávio considera os próximos levantamentos da Quaest e do Datafolha decisivos para avaliar o cenário eleitoral a menos de duas semanas do segundo turno. A expectativa é que os resultados ajudem a orientar as decisões sobre a reta final, inclusive a participação do senador nos últimos debates da campanha.
O candidato do PL, por exemplo, voltou atrás nesta quarta-feira (14) da decisão de não comparecer ao debate da TV Band, marcado para domingo (18). Na terça, durante coletiva em São Paulo, Flávio havia afirmado que não pretendia ir ao primeiro embate e que sua equipe ainda avaliaria a presença no encontro da TV Globo, previsto para 23 de outubro.
"Não vou, não está previsto ir nesse debate domingo. Estamos analisando, quem vai dar a palavra final será minha equipe técnica, de ir no último debate", disse então Flávio. Porém, em vídeo publicado no final da manhã desta quarta-feira, Flávio afirmou que participará do encontro e acusou Lula de ter anunciado sua presença após a declaração inicial do senador.
O presidente petista havia sinalizado que iria manter a participação mesmo sem o candidato do PL. “É claro que eu vou no debate. Eu só queria que você confirmasse”, disse Flávio na publicação. Em nota, a emissora afirmou que deixará vazio o púlpito do candidato que não comparecer ao encontro.
Ainda na terça-feira, integrantes da campanha ouvidos pela Gazeta do Povo haviam confirmado que a decisão sobre o debate da Globo ainda não estava fechada. Entretanto, consideravam precipitada a declaração inicial do senador sobre o debate da Band, dada durante um evento de campanha em São Paulo.
Os aliados políticos têm defendido que os resultados das pesquisas serão levados em conta antes de uma definição final sobre cada participação. A Quaest tem divulgação prevista para esta quarta-feira (14), enquanto o próximo levantamento do Datafolha está previsto para quinta-feira (15).
Metodologia das pesquisas citadas