Regras instáveis freiam investimentos em inovação, diz CEO da TOTVS à CNN
O Universo TOTVS 2026, realizado em São Paulo, reuniu mais de 25 mil pessoas ao longo de dois dias de evento. Em entrevista ao CNN Cast, Dennis Herszkowicz falou sobre os desafios e as oportunidades do mercado corporativo brasileiro no contexto da transformação digital e da inteligência artificial.
Herszkowicz destacou o caráter plural do evento, que vai além do público de tecnologia. “A grande maioria são empresários, são diretores de tecnologia, mas não só o pessoal de tecnologia”, afirmou.
Segundo ele, profissionais de RH, vendas e outras áreas de negócios também participam, o que enriquece as trocas entre os presentes. “Você imagina empresas de segmentos diferentes trocando ideias sobre como aproveitar melhor, por exemplo, a inteligência artificial — isso gera muito valor”, disse.
Ao ser questionado sobre o potencial do Brasil como potência digital, Herszkowicz citou um exemplo simbólico: um empresário de Parnaíba, no litoral do Piauí, em uma cidade de cerca de 250 mil habitantes, que exporta produtos para o mundo inteiro sem vender no mercado interno.
“Muita gente acha que não tem nada, não. Tem um mundo, e esse mundo vem exatamente dessa criatividade, vem dessa resiliência que o empresário brasileiro tem”, avaliou. Para ele, a economia brasileira é extremamente diversificada do ponto de vista geográfico, e isso reflete a criatividade do país.
Educação e ambiente de negócios
Para Herszkowicz, a educação é parte importante da resposta para o Brasil alcançar um patamar mais elevado em tecnologia, mas não é a única. Ele apontou que ainda existe uma disparidade significativa entre o topo e a base da pirâmide de profissionais de tecnologia no país.
Além disso, destacou que as empresas gastam tempo e dinheiro consideráveis para se adaptar a um ambiente regulatório complexo e em constante mudança.
“Todo esse tempo e todo esse dinheiro que é gasto, tentando se adequar a essas regras, que são muitas e que mudam o tempo todo, é tempo e dinheiro que poderia ser gasto em educação, poderia ser gasto em inovação, poderia ser gasto exatamente em tecnologia”, afirmou.
Herszkowicz usou uma analogia para ilustrar o impacto da instabilidade regulatória: “Se você entra numa estrada e você tem neblina, você não está conseguindo chegar muito pra frente — você acelera ou breca o teu carro? Normalmente você vai brecar.”
Para ele, a falta de visibilidade de médio prazo leva as empresas a reduzirem investimentos, dificultando a inovação e o crescimento sustentável.
Ao avaliar o cenário brasileiro de inteligência artificial para os próximos anos, Herszkowicz descreveu quatro etapas de adoção de uma nova tecnologia: conhecer, adotar, medir e, por fim, gerar impacto profundo.
Segundo ele, o Brasil já superou a primeira etapa e está no meio do caminho entre adoção e mensuração. “Falta, obviamente, a gente entrar numa fase de um impacto mais forte”, disse.
Esse impacto, na sua avaliação, virá quando as empresas integrarem a inteligência artificial em suas estratégias de forma estrutural, o que se traduzirá em mais crescimento, eficiência e produtividade.