Caso Nikolas: Justiça manda Meta entregar dados sobre relatório falso da PF
Belo Horizonte — A Meta terá 72 horas para fornecer novos dados sobre a circulação do relatório falso atribuído à Polícia Federal (PF) e compartilhado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A determinação é do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).A decisão é um novo desdobramento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) apresentada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG). O petista acusa Nikolas de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação pela divulgação do documento falso.O relatório simulava uma conclusão da PF de que não haveria indícios de crime nas conversas entre Nikolas e Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. A própria PF confirmou ao Metrópoles que o documento não era verdadeiro. Leia também Minas GeraisTRE-MG busca origem de relatório falso da PF compartilhado por Nikolas BrasilNikolas admite que postou laudo falso da PF, mas diz que apagou logo depois Minas GeraisPF desmente relatório que descarta crime em conversas de Nikolas e Vorcaro Na nova decisão, o desembargador Sálvio Chaves determinou que a Meta complemente as informações já fornecidas à Justiça. Entre os dados solicitados estão registros de acesso e endereços IP de perfis envolvidos na divulgação do documento.A plataforma também deverá fornecer informações sobre a publicação feita no perfil oficial de Nikolas no Instagram, incluindo data e horário da postagem e da remoção, além de métricas como visualizações, contas alcançadas, respostas, encaminhamentos e outras interações.O X também recebeu prazo de três dias para complementar as informações sobre a republicação feita pelo perfil oficial de Nikolas na plataforma, incluindo dados de engajamento e registros de acesso.Na decisão, o relator afirmou que a falsidade do relatório é um “fato incontroverso”, uma vez que foi reconhecida pela própria defesa de Nikolas e confirmada pela PF.O desembargador, porém, negou o pedido para impedir Nikolas de voltar a publicar o documento e para suspender temporariamente seus perfis. Segundo o magistrado, não há, neste momento, risco concreto de nova divulgação, já que o deputado retirou a publicação após tomar conhecimento de que o relatório não era autêntico.