Chanceler alemão diz que permanecerá no cargo após 'desastre' nas eleições e crescente pressão

20 de Set de 2026 - 16:50
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Chanceler alemão diz que permanecerá no cargo após 'desastre' nas eleições e crescente pressão
    • Author, Amy Walker
      e
    • Author, Jessica Parker
    • Role, correspondente em Berlim
  • Published 20 setembro 2026, 15:50 -03Atualizado Há 43 minutos
  • Tempo de leitura: 4 min

O pressionado chanceler alemão prometeu permanecer no cargo, apesar de pesquisas de boca de urna em duas eleições locais indicarem derrotas significativas para seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita.

No estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, a projeção era de que o partido conseguisse entrar no parlamento estadual por uma margem apertada, enquanto o partido de direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD) estava a caminho de obter o maior número de votos.

Merz classificou o resultado como "um desastre" para seu partido.

Em Berlim, a CDU, que governa a cidade, também deveria ser derrotada pelo partido de esquerda Die Linke.

Merz está sob crescente pressão, com baixos índices de aprovação e rumores de que ele poderia até ser substituído no meio do mandato em uma chamada troca de chanceler.

As eleições ocorreram neste domingo (20/9), duas semanas depois de a CDU ter visto sua votação cair pela metade, quando a AfD .

Repetindo comentários que fez após aquela derrota, Merz disse a jornalistas no domingo que seguiria adiante com os planos de seu governo de coalizão para aprovar um pacote de reformas econômicas, tributárias e de assistência social.

"As reformas precisam acontecer", insistiu. "Estou assumindo essa responsabilidade porque quero fazer nosso país avançar."

"Eu iria ainda mais longe e diria que essas reformas são o antídoto para o veneno autoritário que, com o fascínio pelo autoritarismo, está penetrando cada vez mais profundamente em nossa sociedade", acrescentou Merz.

Fim do Promoção Agregador de pesquisas

À medida que os resultados projetados apareciam na tela durante o evento da noite eleitoral da CDU em Berlim, não houve comemoração nem aplausos.

Este é um partido que sabe que está em apuros.

Friedrich Merz está partindo para a ofensiva, declarando rapidamente que não vai a lugar algum.

Ele há muito tempo ambiciona o cargo mais importante da política alemã e provavelmente não vai abrir mão dele facilmente.

As urnas nos dois estados fecharam às 18h no horário local (13h no horário de Brasília), e o resultado final é esperado nas próximas horas.

As emissoras públicas ZDF e ARD colocaram a AfD à frente em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Segundo a ZDF, a projeção era de que o partido obtivesse 38% dos votos no estado, seguido em segundo lugar pelo SPD, de centro-esquerda, com 36%.

No entanto, é improvável que a AfD governe o estado, já que os demais partidos se recusam a trabalhar com ela.

Em Berlim, a emissora projetou a CDU com 20% dos votos no fechamento das urnas, atrás do Die Linke, com quase 26%.

Pressão sobre Merz aumenta

Antes das eleições deste domingo, havia intensa especulação na Alemanha de que Merz poderia ser substituído caso a situação política de seu partido não melhorasse.

No início desta semana, os líderes de oito estados alemães manifestaram apoio a Merz, que ocupa o cargo há apenas 16 meses.

Burkard Dregger, integrante da CDU no Senado de Berlim, disse à BBC que Merz deveria permanecer no cargo. "Ele tem muito trabalho a fazer e não temos tempo a perder para formar um novo governo no âmbito federal".

Ele descreveu o eleitorado como "impaciente", acrescentando que "não é realista esperar que todas as questões tenham sido resolvidas em um ano".

"Ele tem quatro anos e temos que dar os quatro anos a ele", disse Dregger.

Embora seus apoiadores argumentem que muitos dos problemas enfrentados pelo país foram herdados, o próprio Merz é profundamente impopular.

A guinada à direita do ex-advogado em questões como imigração não conseguiu reduzir o apoio à AfD e, ao mesmo tempo, afastou ainda mais as pessoas que estão à esquerda.