Comércio cobra responsabilidade fiscal de Lula e medidas para pequenos negócios

26 de Out de 2026 - 17:40
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Comércio cobra responsabilidade fiscal de Lula e medidas para pequenos negócios

Entidades que representam o comércio e os empresários brasileiros cobraram do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em seu quarto mandato, mais segurança jurídica, responsabilidade fiscal e medidas de apoio ao setor produtivo. O petista foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Em manifestações divulgadas nesta segunda-feira (26), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) defenderam maior diálogo com o governo e políticas para estimular os pequenos e médios negócios. José Roberto Tadros, presidente da CNC, afirmou esperar que a nova gestão seja marcada pelo diálogo, pelo respeito às instituições e pelo compromisso com o desenvolvimento econômico e social.

“É fundamental reconhecer o papel do empresariado brasileiro, que, mesmo diante das adversidades econômicas, segue investindo, empreendendo, gerando empregos e renda, contribuindo decisivamente para o fortalecimento da economia nacional”, afirmou.

Tadros defendeu a redução dos entraves ao desenvolvimento e a construção de um ambiente mais favorável aos negócios. Para a CNC, o crescimento sustentável do país depende de competitividade, segurança jurídica e participação do setor produtivo nas decisões do governo.

“Valorizar quem empreende, estimular a competitividade, reduzir os entraves ao desenvolvimento e construir um ambiente favorável aos negócios são questões diretamente relacionadas à capacidade do país de crescer de maneira sustentável e ampliar as oportunidades para a população”, pontuou.

Já o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, cobrou medidas específicas para micro, pequenas e médias empresas, além de uma política de ajuste fiscal que não comprometa a geração de empregos. A entidade também pediu a atualização dos limites de enquadramento do Simples Nacional, reivindicação que, segundo Cotait, está pendente desde 2018.

Outro ponto defendido pela CACB é o adiamento da implantação da reforma tributária para micro, pequenos e médios empresários. Cotait argumentou que esses empreendedores precisam ter espaço nas discussões sobre mudanças econômicas que afetam diretamente suas atividades. A CACB representa uma rede de 2,3 mil associações comerciais, com presença em todos os estados e regiões do país.

“Os empreendedores brasileiros viveram, nos últimos anos, uma real insegurança jurídica que travou investimentos, impediu crescimento e afastou quem tinha planos de crescer. Para que essa insatisfação fique no passado, é preciso que haja o estabelecimento de amplo diálogo com o setor produtivo”, afirmou.

A entidade estima que os pequenos e médios empreendedores somam 24 milhões de negócios, respondem por 27% do Produto Interno Bruto (PIB) e são responsáveis por 55% dos empregos formais. Por isso, defende que o governo priorize políticas de proteção e estímulo a esse segmento.

Além das reivindicações econômicas, Cotait defendeu a adoção do sistema eleitoral de voto distrital misto, como forma de ampliar a representatividade dos parlamentos. O presidente da CACB também afirmou que o país precisa recuperar credibilidade e reputação para atrair investimentos e criar condições para o crescimento.

Durante o discurso de vitória, na noite do domingo (25), Lula afirmou que pretende se reunir com diversos setores da economia para discutir políticas públicas e a relação no quarto mandato.