Convergência Brasil declara apoio a Flávio Bolsonaro e cobra mudança na política fiscal

20 de Out de 2026 - 10:00
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Convergência Brasil declara apoio a Flávio Bolsonaro e cobra mudança na política fiscal

O Convergência Brasil declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República e defendeu mudanças na condução da economia brasileira. Em manifesto divulgado neste sábado (17), o movimento criticou a política fiscal do governo Lula (PT) e contestou a associação entre a vitória do senador no segundo turno e possíveis ameaças à democracia.

Com mais de 265 mil signatários, entre empresários, juristas, economistas e representantes de diferentes setores, a organização afirma que o debate eleitoral deve priorizar as propostas dos candidatos, em vez de se concentrar nos riscos atribuídos a cada um. O documento, intitulado “Eleições devem ser decididas por projetos, não pelo medo”, também apresenta compromissos que o movimento espera de um eventual governo Flávio Bolsonaro.

A organização afirma que sua atuação apartidária não a impede de se posicionar diante das escolhas eleitorais. Segundo o manifesto, a declaração de apoio a Flávio Bolsonaro expressa a avaliação de que o programa do candidato está mais próximo dos compromissos defendidos pelo movimento.

Movimento critica contas públicas do governo Lula

O manifesto aponta o aumento da carga tributária e da dívida pública, além do volume de benefícios fiscais e medidas de crédito subsidiado, como problemas da atual gestão federal.

Segundo os dados apresentados pela organização, a carga tributária bruta atingiu 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, o maior percentual da série do Tesouro Nacional, iniciada em 2010. A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026, o nível mais alto desde 2021.

O documento também estima em mais de R$ 350 bilhões o total de medidas criadas ou ampliadas pelo governo neste ano eleitoral, entre crédito subsidiado, benefícios e renúncias fiscais. De acordo com o movimento, 94% dos benefícios anunciados até meados de 2026 ficaram fora do limite de gastos do arcabouço fiscal.

Outro indicador citado é a taxa de investimento, que ficou em 16,8% do PIB em 2025. Para o Convergência Brasil, o percentual está abaixo do necessário para sustentar o crescimento econômico.

Manifesto cobra metas fiscais e transparência em indicações

A alternância de poder e o funcionamento das instituições democráticas estão entre os argumentos apresentados pelo Convergência Brasil para contestar a associação entre a candidatura de Flávio Bolsonaro e riscos à democracia. O presidente do movimento, Luís Felipe Teixeira do Amaral, também chama a atenção para as contas públicas, os investimentos e a segurança jurídica.

“O Brasil tem uma Constituição, um Congresso independente, um Judiciário com amplas competências de controle e uma imprensa livre. Ao mesmo tempo, não podemos ignorar os problemas concretos das contas públicas, do investimento e da segurança jurídica”, afirma Amaral.

Na área econômica, o manifesto relaciona as propostas de Flávio Bolsonaro à busca por superávits primários duradouros, à estabilização e à redução da dívida pública, ao corte de pelo menos dez ministérios, à retomada das privatizações e à redução das exceções da reforma tributária para baixar a alíquota.

O apoio, porém, não representa aprovação antecipada de todas as decisões de um eventual governo. O movimento cobra metas fiscais quantificadas, com estimativas da economia prevista com os cortes de gastos e a definição do resultado primário pretendido para 2027, sem novas exceções ao arcabouço fiscal.

O manifesto também exige transparência nas indicações aos tribunais superiores e às agências reguladoras, além de garantias à liberdade de expressão para apoiadores e críticos. “O Convergência Brasil acompanhará esses compromissos e os cobrará publicamente, seja qual for o resultado”, afirma o documento.