Eduardo Braide, do PSD, é eleito governador do Maranhão
O ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) foi eleito governador do Maranhão no primeiro turno destas eleições 2026. Na votação deste domingo (4), com 97,8% das seções eleitorais totalizadas, Braide teve 54,16% dos votos válidos (2 milhões de votos), garantindo a vitória sem necessidade de segundo turno.
Conforme divulgação oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os demais candidatos a governador do Maranhão obtiveram a seguinte votação até o momento:
Resultado retira grupo vinculado a Dino do Executivo maranhense
Com o resultado, a disputa maranhense de 2026 marca a fragmentação do grupo político que chegou ao poder em 2015 - com a vitória de Flávio Dino para governador - e que geriu o estado por dois mandatos consecutivos. Vice de Dino e tio de Orleans Brandão, Carlos Brandão (MDB) assumiu em definitivo o Palácio dos Leões em abril de 2022, quando Dino deixou o cargo para se eleger senador.
Ao longo do mandato, porém, Brandão rompeu com a chamada "ala dinista" — alegando interferências políticas e divergências sobre alianças locais e nacionais. Ele decidiu permanecer no cargo até dezembro de 2026, para que seu vice, Felipe Camarão (PT), não assumisse o governo.
O rompimento entre Carlos Brandão e Dino reorganizou o tabuleiro estadual em três frentes. De um lado, Orleans Brandão, o sobrinho do governador indicado para sua sucessão no Palácio dos Leões, dando continuidade à atual gestão.
De outro está Felipe Camarão, o vice-governador, que, por sua vez, rompeu com Carlos Brandão e busca se apresentar como herdeiro legítimo do legado do ministro do STF, com apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O petista foi secretário estadual de Educação nos dois governos de Flávio Dino. O ministro do STF conduziu pessoalmente a articulação para que ele fosse vice de Carlos Brandão em 2022, garantindo espaço para o PT na base governista. Com o desgaste da aliança, Camarão passou a criticar publicamente o que classificou como práticas de nepotismo na atual administração.
E, fora dos dois campos governistas, está Braide, que construiu carreira própria — foi deputado estadual, deputado federal e, entre 2021 e 2026, prefeito de São Luís. Em 2024, Braide foi reeleito no primeiro turno com 70,12% dos votos.
Braide apostou em inovação; Brandão, em continuidade
Braide renunciou à prefeitura de São Luís em março deste ano para concorrer ao governo. O plano de governo dele apresentou 55 propostas, incluindo a redução do ICMS como uma das primeiras medidas prometidas, sob o argumento de estimular consumo, geração de emprego e atividade econômica.
Entre os destaques do programa estão a criação de uma "Força Estadual de Combate à Pobreza", o programa "Hospital Novo" — voltado à construção de unidades regionais e macrorregionais de saúde —, a ampliação de creches em tempo integral e a valorização de professores.
Orleans Brandão, por sua vez, apresentou sua candidatura como "continuidade com avanço" em relação à gestão do tio. Na campanha, prometeu manter os avanços na redução da extrema pobreza no estado realizados pelo tio, que teria retirado mais de um milhão de pessoas dessa condição.
O emedebista ainda prometeu ampliar a regionalização da saúde e criar um programa de videomonitoramento chamado "Cinturão da Paz", capaz de identificar criminosos e veículos furtados em curto espaço de tempo.
Por sua vez, Felipe Camarão buscou utilizar o capital político de Flávio Dino. No plano de governo registrado na Justiça Eleitoral, o petista cita o ministro do STF 16 vezes.
Camarão prometia recuperar políticas que, segundo ele, foram "interrompidas, negligenciadas ou abandonadas" após a saída do ministro do governo estadual. Seu foco estava na regionalização da saúde — que classificava como "colapsada" —, reindustrialização e fortalecimento de programas sociais.
Estado tem a menor renda per capita do país e alta dependência de programas sociais
O Maranhão possui alguns dos piores indicadores sociais do Brasil. Segundo dados do IBGE, o estado registrou em 2025 a menor renda domiciliar per capita do país, de R$ 1.219 — pouco mais da metade da média nacional, de R$ 2.316.
O estado ainda concentra a segunda maior proporção de domicílios atendidos por programas sociais do país, com 45,6%, atrás apenas do Pará, com 46,1%. Além disso, teve a segunda maior taxa de população vivendo na pobreza em 2024, 46,1%, atrás apenas do Acre, com 46,2%.
O déficit histórico em saneamento básico também é apontado como um dos principais gargalos estruturais do estado, ao lado da baixa geração de empregos formais.