Equipe de Lula entrega ao TSE resposta que aceita desafio de Flávio sobre sigilos
A equipe jurídica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentará nesta quinta-feira (22) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma resposta ao desafio do senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ) sobre a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos. O ato está marcado para as 11h e propõe que a campanha do parlamentar também compareça.
Segundo o coordenador da campanha petista, senador Camilo Santana (PT-CE), Lula aceita as condições apresentadas pelo adversário, mas exige reciprocidade e a inclusão de pessoas e empresas que considera relevantes para a investigação.
“E todas as condicionantes que ele [Flávio] colocou, a única resposta que o presidente tem a dizer é que ele não se opõe a absolutamente nada ao que ele está propondo”, afirmou Santana a jornalistas.
A manifestação ocorre depois que Flávio aceitou a proposta de abertura de sigilos, mas condicionou a medida à ampliação do alcance das apurações e à inclusão de familiares, assessores, empresas e pessoas ligadas ao presidente. A disputa começou no debate da TV Band, realizado no último domingo (18), quando Lula desafiou o senador a aceitar a divulgação dos dados.
Na terça-feira (20), o presidente protocolou no TSE um pedido para abrir seus próprios sigilos e os de familiares, além de informações financeiras de sua empresa de palestras. Na quarta-feira (21), durante um ato de campanha em Belo Horizonte (MG), Lula voltou a atacar o adversário e usou uma metáfora do jogo de truco para responder às exigências.
“Hoje ele inventou um monte de mentiras e trucou 6. Eu vou meter um 9 na cara dele amanhã. Ele não tem nenhuma carta boa, só tem mentira”, declarou o presidente.
O que pedem os candidatos
A proposta inicial de Lula previa a abertura e a divulgação pública dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, incluindo dados de seus familiares. O pedido também abrange as informações bancárias e fiscais da empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., apontada no documento como a única pessoa jurídica da qual o presidente é sócio.
Em contrapartida, Lula cobra que Flávio e seus familiares também tenham os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos examinados. A campanha petista ainda exige informações sobre empresas ligadas ao senador e a inclusão da offshore Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira e associada ao advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal.
A defesa de Flávio, por sua vez, ampliou o período investigado envolvendo Lulae seus familiares para 2003, em vez de limitar a análise aos últimos oito anos. Entre as exigências estão dados de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, de sua mulher, Renata de Abreu Moreira, de empresas ligadas a familiares do presidente e de pessoas próximas ao governo.
O senador também pede acesso a informações do Instituto Lula, do ex-presidente da entidade, Paulo Okamotto, e de assessores que utilizavam linhas telefônicas para atender ao presidente. A lista inclui ainda registros de visitantes, reuniões e voos relacionados ao ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, além de informações sobre encontros com Lula e entradas nos palácios presidenciais.
Outras exigências envolvem a divulgação integral dos gastos do cartão corporativo da presidência desde janeiro de 2023, a agenda da primeira-dama Janja da Silva, anterior a fevereiro de 2025, e registros de visitas de familiares do presidente ao Palácio da Alvorada. Flávio também solicita a análise de dados do ex-ministro Guido Mantega, do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula, e do sindicato Sindnapi.
A campanha de Lula classificou a manifestação do adversário como uma tentativa de manobra e questionou a ausência da Alcazar Holdings na documentação apresentada por Flávio ao TSE. A defesa do senador, por sua vez, afirmou que ele não é sócio, administrador nem beneficiário da holding e usou esse argumento para justificar a não apresentação de seus extratos bancários, embora a PF tenha indicado que ele seria “usuário master” de uma conta bancária da empresa junto de Willer Tomaz.