EUA negam interferência nas eleições do Brasil, mas querem disputa “livre e transparente”

23 de Set de 2026 - 19:30
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EUA negam interferência nas eleições do Brasil, mas querem disputa “livre e transparente”

O governo dos Estados Unidos negou que esteja tentando interferir nas eleições presidenciais brasileiras e afirmou que não tem preferência pelo resultado da disputa. Washington também disse que trabalhará com qualquer governo escolhido pelos brasileiros e que apenas deseja uma disputa "livre e transparente" no país. A posição foi apresentada nesta quarta-feira (23) por Amanda Roberson, porta-voz do Departamento de Estado americano, em entrevista à jornalista Priscila Yazbek, da CNN Brasil.

Segundo Roberson, o governo americano está acompanhando os acontecimentos políticos no Brasil e está atento ao processo eleitoral, mas considera que a escolha final cabe aos brasileiros.

“Estamos vendo as notícias, claro que estamos acompanhando as eleições, claro que queremos saber o resultado, mas acreditamos que, como o Brasil é um país soberano e independente, queremos ver eleições livres e transparentes e vamos ver com os brasileiros o resultado”, afirmou. 

Questionada sobre as acusações do governo Lula de que o governo do presidente Donald Trump estaria tentando interferir na eleição brasileira, Roberson rejeitou essa acusação.

“Nos Estados Unidos, nós estamos focados nas nossas prioridades. Como falou o presidente Trump, estamos focados na segurança, na prosperidade, na paz”, afirmou. Segundo ela, atuar dessa maneira dentro de outros países, interferindo em eleições, “não é parte da nossa estratégia”.

A manifestação ocorre um dia depois de Lula usar seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, para voltar a falar sobre possíveis interferências externas no processo eleitoral brasileiro. Sem citar diretamente Trump ou os Estados Unidos, Lula afirmou que o país realizará uma eleição “transparente e competitiva” e declarou que o Brasil não permitirá que atores internos ou externos "atentem contra a vontade dos eleitores".

Em maio, ao ser questionada sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições, a própria porta-voz afirmou que a escolha do próximo presidente brasileiro é uma decisão dos brasileiros.

Porta-voz evita revelar integrantes do governo que se reuniram com Eduardo Bolsonaro

Durante a entrevista, Roberson também foi questionada sobre os encontros que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo realizaram com funcionários do Departamento de Estado. A porta-voz não informou quais integrantes do governo Trump participaram das conversas e não negou que as reuniões tenham ocorrido.

Eduardo e Figueiredo estiveram em Washington na semana passada e se reuniram com integrantes do Departamento de Estado. Na ocasião, defenderam novas sanções americanas contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino.

Os dois não divulgaram publicamente os nomes dos funcionários americanos com quem conversaram. Eduardo afirmou posteriormente em coletiva nos EUA que levou às autoridades dos Estados Unidos suas preocupações sobre uma possível interferência do STF no processo eleitoral brasileiro.