Ex-Palmeiras tem contrato rescindido por agressão, mas denuncia racismo

14 de Out de 2026 - 09:50
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Ex-Palmeiras tem contrato rescindido por agressão, mas denuncia racismo

O goleiro Mateus Oliveira, conhecido como Mateusão, teve o contrato rescindido pelo Alverca, time que Vini Jr. é um dos acionistas, no sábado (10/10), após agredir um adversário em jogo da equipe B contra o Oliveira do Hospital. No entanto, em nota, o atleta afirma ter sido vítima de racismo e xenofobia.Confira vídeo:No texto, Mateusão afirma que escutou termos racistas como “preto sujo” e “macaco”. Dentre as frases xenófobas, o jogador com passagem pela base do Palmeiras escutou “voltar para sua terra”.Além disso, o brasileiro cita a questão de Vini Jr., frequentemente ativo na luta contra o racismo, ser um dos acionistas do clube.“Imaginei que um clube como o FC Alverca seria minimamente mais solidário à causa. Devo lembrar que o acionista principal do clube se chama Vinícius Junior? Que sofreu na pele (e por conta da sua pele) tudo que passei nesse fim de semana? A ironia está nos detalhes, e uma pena que ainda somos surpreendidos por isso”, escreveu. Leia também CelebridadesCraque Neto diz que Virginia terminou com Vini Jr. após mensagem à ex São PauloJornalista é alvo de racismo e ameaças de morte após declarar apoio a Lula São PauloJovem morto com 27 tiros: família vê racismo em ação policial, diz advogada Fábia OliveiraCaso Thelma Assis: saiba detalhes da condenação de homem por racismo Confira nota de Mateusão na íntegra“Depois do que aconteceu nesse fim de semana, preciso vir à público para explicar exatamente o que houve.Por volta do minuto 94 da partida, o atleta da equipe rival proferiu diversos insultos racistas para mim. Frases do tipo: “Macaco”, “Preto sujo” e “Volte pra sua terra”, entre outras coisas. Há testemunhas. Muitos viram, muitos ouviram (e todos se calaram).Pergunto: qual a solução para isso? Aguentar calado, fazer uma denúncia que jamais teria um resultado prático, ouvir todos dizerem que “é do jogo” e deixar mais um racista seguir livremente seu caminho cometendo crimes contra outros pretos como eu? Ou quem sabe fazer um texto no Instagram, com frases bonitas, atacando os racistas e vendo ele sumir depois de 24h com milhares de “likes”? Ou simplesmente deixar passar, “é só mais um, já estou acostumado”, segue o jogo?A agressão se manifesta por diversas formas, e nesse caso se deu por palavras e ofensas racistas. Não podemos utilizar uma atitude para justificar a outra mas, o mais importante, não podemos relativizar ou diminuir atos racistas que se perpetuam.São mais de 10 anos ouvindo essas mesmas coisas em campos de futebol no Brasil e fora. E ouvindo também que isso é do jogo, que faz parte, que não é por maldade. Minha atitude nasceu de “erros” dos outros. Nasceu de crimes. Nasceu porque foi a gota d’água. Depois de tanto, a mente não aguenta, o corpo não aguenta, o errado acontece.Peço desculpas aos meus companheiros e equipe, mas imaginei que um clube como o FC Alverca seria minimamente mais solidário à causa. Devo lembrar que o acionista principal do clube se chama Vinícius Junior? Que sofreu na pele (e por conta da sua pele) tudo que passei nesse fim de semana? A ironia está nos detalhes, e uma pena que ainda somos surpreendidos por isso.E espero que isso que aconteceu acenda um sinal de alerta para todos:Estamos cansados de racismo.Estamos cansados de xenofobia.Estamos cansados de sermos vítimas diárias de um crime sem culpados, sem sentença e sem Justiça.Estamos cansados de racistas.Que clubes, ligas e federações ao redor do mundo entendam de uma vez que “o que acontece no campo, não pode ficar dentro do campo”, e entendam que estamos cansados“.