Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, depõe à PF após oito meses preso
O empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) na quinta-feira (5), após passar cerca de oito meses preso sem ser interrogado no inquérito que investiga as fraudes do Banco Master.
Ele é apontado pelos investigadores como operador financeiro do grupo. A oitiva durou aproximadamente uma hora e ocorreu depois de três cancelamentos.
A defesa de Zettel havia questionado no Supremo Tribunal Federal (STF) a demora da PF em ouvi-lo.
O empresário está preso desde março, quando a investigação avançou sobre o esquema de fraudes atribuído a Vorcaro.
Suspeita de atuação como operador financeiro
Zettel aparece nas apurações sobre a chamada “A Turma”, grupo que, segundo os investigadores, atuava como braço de intimidação de Vorcaro contra adversários.
A investigação também apura a atuação de “Os meninos”, grupo suspeito de invadir sistemas oficiais para obter informações sigilosas e repassá-las ao ex-banqueiro. Vorcaro nega as acusações.
O empresário entrou na mira da PF durante a segunda fase da Operação Compliance Zero.
Em março, o ministro André Mendonça, do STF, decretou a prisão preventiva de Zettel, Daniel Vorcaro e outros dois investigados.
A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal e considerou a necessidade de garantir a ordem pública, preservar a investigação e assegurar a aplicação da lei penal.
Na quinta-feira (5), o presidente do STF, ministro Edson Fachin, rejeitou um pedido da defesa para revogar a prisão preventiva de Zettel e outro para substituí-la por prisão domiciliar. Fachin considerou a medida necessária para preservar a investigação.
“A prisão preventiva autorizada nos autos segue adequada e indispensável à aplicação da lei penal, à manutenção da ordem pública e à conveniência da instrução criminal, devendo ser mantida”, escreveu o ministro.
Em 28 de outubro, a Polícia Federal apresentou ao STF um relatório parcial com o indiciamento de 15 pessoas por suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A corporação pediu mais 60 dias para concluir perícias e diligências.