Flávio aposta em ataques a Lula, voto útil e Sudeste no fim do 1º turno

26 de Set de 2026 - 18:30
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Flávio aposta em ataques a Lula, voto útil e Sudeste no fim do 1º turno

A campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, prepara uma reta final mais agressiva contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pretende aumentar a pressão pelo voto útil nos últimos dias antes do primeiro turno.Um dos objetivos é chegar à votação de 4 de outubro à frente do petista. Aliados calculam que esse resultado daria a Flávio mais força para buscar novos apoios em um eventual segundo turno.Com a disputa apertada nas pesquisas, integrantes da campanha afirmam que devem ocorrer ataques mais diretos aos pontos de desgaste de Lula. Parte da ofensiva deve retomar casos que atingiram pessoas próximas ao presidente, entre eles as investigações que citam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro. Leia também BrasilMendonça manda derrubar até memes sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora BrasilMendonça manda derrubar posts sobre polêmica com Nossa Senhora e Flávio Neila GuimarãesFlávio prepara ofensiva na reta final e mira mudança de discurso de Lula A campanha também pretende explorar o endividamento da população e os problemas na segurança pública, tema apontado como uma das principais preocupações dos eleitores. A estratégia é tentar reacender o “antipetismo”, que levou à eleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2018.A atração do voto dos demais candidatos será outra prioridade. Flávio já começou a pedir a eleitores de outros nomes da disputa que o apoiem agora, em vez de esperar por um eventual segundo turno para votar contra Lula.O apelo mira principalmente quem hoje declara voto em Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).Apoio do CentrãoO resultado de 4 de outubro também pesa nas contas para a etapa seguinte. A equipe de Flávio Bolsonaro avalia que ultrapassar Lula no primeiro turno fortaleceria o senador nas conversas com partidos do Centrão que ficaram fora de sua coligação. O filho mais velho de Jair Bolsonaro registrou a candidatura sem o apoio formal de nenhuma outra legenda.A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, já sinalizou que deve embarcar na candidatura de Flávio caso ele avance ao segundo turno. Aliados esperam que uma eventual chegada à frente de Lula facilite ainda mais as adesões e ajude a atrair eleitores dos candidatos que deixarem a disputa.O que dizem as pesquisasPesquisa Quaest divulgada na última segunda (21/9) mostrou Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio aparece com 33%.Na simulação de segundo turno, o levantamento indicou Flávio Bolsonaro com 42%. Lula apareceu numericamente atrás com 41%.A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 17 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.Já o último levantamento do Datafolha, divulgada nesta quinta (24/9), apontou Lula registou 40% das intenções no 1º turno. Flávio apareceu com 36%.Em um eventual cenário de segundo turno, Lula lidera com 47%. Flávio tem 45%. Eles estão empatados dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais.O Datafolha ouviu 2.002 pessoas entre 22 e 23 de setembro.Até a votação, a campanha também pretende reduzir a rejeição de Flávio, vista internamente como um dos obstáculos ao avanço do candidato. O Datafolha mostrou Flávio e Lula com o mesmo índice: 45% dos entrevistados disseram não votar de jeito nenhum em cada um deles.Parte desse trabalho já aparece nas inserções de rádio e televisão. As peças procuram apresentar Flávio como um candidato mais moderado e também alcançar eleitores que se afastaram tanto de Jair Bolsonaro quanto de Lula.“Se você ainda tem alguma dúvida, se ficou chateado com o Jair, se tá decepcionado com o Lula, eu quero dizer que meu nome é Flávio”, diz o senador em uma das peças.No material, Flávio também afirma ser “diferente dos dois [Lula e Jair Bolsonaro]”. “Tenho minhas qualidades, meus defeitos, mas sou diferente dos dois. E o que importa é que o Brasil precisa mudar urgente: derrotar o crime, acabar com o medo e com esse sufoco. Do jeito que tá, já deu errado. Peço o seu voto de confiança pra fazer o Brasil voltar a vencer”, declara.5 imagensFechar modal.1 de 5Flávio Bolsonaro em campanhaCharles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro2 de 5Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro3 de 5Flávio Bolsonaro e Renato Araújo em Angra dos Reis (RJ)Samuel Pancher/Metrópoles4 de 5Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, em comício na Paulista, no 7 de SetembroRebeca Ligabue/Metrópoles5 de 5Flávio Bolsonaro durante evento de campanha no PernambucoRebeca Ligabue/MetrópolesFoco no SudesteO Sudeste terá peso especial nesses últimos dias. A região reúne mais de 66 milhões de eleitores, cerca de 42% do eleitorado brasileiro, e concentra os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Datafolha e Quaest mostram uma disputa apertada entre Lula e Flávio na região.No levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira (24/9), o candidato do PL aparece com 37% das intenções de voto no primeiro turno, ante 35% do petista. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Na simulação de segundo turno do instituto, Flávio tem 48% no Sudeste, e Lula, 42%.A Quaest divulgada na segunda-feira (21/9) registra Flávio com 36% das intenções de voto na região, contra 30% de Lula. A margem de erro também é de três pontos percentuais. No segundo turno, os números são de 43% para Flávio e 36% para o presidente.A agenda dos próximos dias terá passagens por alguns dos principais alvos da campanha. Flávio ainda deve ir ao Rio de Janeiro neste fim de semana. No domingo (27/9), a previsão é de compromissos em Sergipe pela manhã e em Goiânia à tarde. Na segunda-feira (28/9), volta a São Paulo.Na quinta-feira (1º/10), tudo indica que o candidato participará do debate da TV Globo. A presença vinha sendo discutida pela campanha, mas aliados trabalham agora com a perspectiva de que Flávio compareça ao encontro, no que deve ser seu primeiro confronto direto com Lula em um debate nesta campanha.Integrantes da equipe dizem que Flávio deve aproveitar o programa para explorar os desgastes do governo e concentrar as cobranças principalmente na segurança pública e na economia.Antes da votação, o candidato ainda deve participar de uma motociata em São Paulo, no sábado (3/10), véspera da eleição. O trajeto do ato ainda está em definição. No domingo (4/10), Flávio Bolsonaro votará em uma escola na Vila Isabel, no Rio de Janeiro.