“Flávio Day”: Localiza, Magalu e Vamos fecham com alta de mais de 20% após 1º turno

5 de Out de 2026 - 19:00
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“Flávio Day”: Localiza, Magalu e Vamos fecham com alta de mais de 20% após 1º turno

Em uma sessão de disparada da Bolsa brasileira com Flávio Bolsonaro (PL) saindo na frente do primeiro turno das eleições de 2026, as ações de empresas sensíveis a juros registram fortes ganhos nesta segunda-feira (5).

Os papéis de Magazine Luiza (MGLU3, R$ 9,44, +24,18%), Cosan (CSAN3, R$ 5,09, +23,79%), Localiza (RENT3, R$ 50,06, +20,68%) e Vamos (VAMO3, R$ 5,75, +21,31%) saltaram ao menos 20%.

Subindo mais de 10%, estão as ações de Assaí (ASAI3), Lojas Renner (LREN3), Smart Fit (SMFT3), MRV (MRVE3), Cyrela (CYRE3), Hapvida (HAPV3) e Azzas (AZZA3).

O movimento ocorre uma vez que as taxas dos DIs registram fortes baixas nesta segunda, próximas de 100 pontos-base nos contratos mais longos, com investidores eufóricos após o resultado do primeiro turno eleitoral, o que estimula ações de varejo e consumo.

O desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que superou no domingo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto, que será resolvida em segundo turno, também provocou forte redução de prêmios entre os vértices mais curtos da curva.

A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,71%, em baixa de 75 pontos-base ante o ajuste de 13,509% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,16%, com queda de 97 pontos-base ante 14,131%.

A euforia dos investidores é resultado direto da votação, que mostrou Flávio com cerca de 2 pontos percentuais à frente de Lula no primeiro turno: 47,03% contra 45,16%. A percepção dos profissionais do mercado é de que uma virada no segundo turno, marcado para 25 de outubro, é pouco provável.

A retirada de prêmios na curva era mais intensa no trecho longo — mais suscetível à política fiscal. Isso porque Flávio é visto como um nome mais propenso a priorizar o ajuste das contas públicas, ainda que seus planos para a área não estejam claros, enquanto Lula enfrenta a desconfiança de uma parcela relevante do mercado.

Entre os contratos de curto prazo, porém, a redução das taxas também era intensa, refletindo uma percepção de que, se Flávio for eleito no fim do mês, crescem as chances de o Banco Central cortar a taxa básica Selic novamente em 25 pontos-base em novembro ou, até mesmo, ampliar o corte para 50 pontos-base.

Atualmente a Selic está em 13,75% ao ano, e um dos empecilhos para a política monetária, na visão dos analistas, é justamente a política fiscal do atual governo.

No exterior, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — mostrava estabilidade, a 5,275%.

Na semana passada, o JPMorgan analisou sensibilidade às taxas e apontou Magazine Luiza e Assaí como os principais nomes. Nas contas do JPMorgan, uma redução de 100 pontos-base na Selic em relação ao cenário-base aumentaria o lucro projetado do Magalu para 2028 em aproximadamente 10%. No Assaí, o impacto seria de cerca de 5%. Para as demais varejistas, em geral menos alavancadas, o efeito médio ficaria perto de 2%.

Ainda em destaque, neste início de semana o JPMorgan elevou a recomendação para Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) de neutra para overweight, equivalente à compra, ao reposicionar sua preferência entre as incorporadoras brasileiras após o primeiro turno das eleições. A mudança reflete uma visão mais construtiva para o segmento de média e alta renda, mais sensível aos juros e que, segundo o banco, pode se beneficiar de uma redução do prêmio de risco macroeconômico e fiscal e de uma eventual queda das taxas de longo prazo.

A Cyrela passa a ser uma das principais escolhas da casa, com preço-alvo de R$ 34,50 para dezembro de 2027, ante cotação de R$ 27,99 considerada no relatório, o que representa potencial de valorização de 23%. Para o banco, a incorporadora funciona para muitos investidores como uma ação de maior sensibilidade à recuperação do mercado de média renda. O banco também destaca a diversificação da companhia, que tem cerca de 40% de seus resultados ligados ao segmento de baixa renda, além de projetar ROE de aproximadamente 17,5% em 2027.

Outro ponto favorável à Cyrela são suas participações em companhias listadas como Lavvi, Plano&Plano e Cury, que, nas estimativas do banco, podem contribuir com mais de R$ 550 milhões em equivalência patrimonial em 2027. O J.P. Morgan também chama atenção para a CashMe, empresa de home equity que possui carteira superior a R$ 4 bilhões. Pelos cálculos dos analistas, a operação poderia valer cerca de R$ 3 bilhões, ou aproximadamente R$ 6,50 por ação da Cyrela, valor que não é incorporado separadamente ao preço-alvo.

Já para a Eztec (EZTC3), elevada igualmente para overweight, o preço-alvo é de R$ 19, frente aos R$ 14,60 considerados no relatório, indicando valorização potencial de 30%. A ação negocia a 0,76 vez o valor patrimonial e a 6 vezes o lucro estimado para 2027, segundo as projeções apresentadas pelo banco.

A escolha das duas companhias também está ligada ao potencial de uma reprecificação do setor caso os juros recuem. Usando 2018 como referência, o JPMorgan lembra que, entre o primeiro e o segundo turnos daquela eleição, os múltiplos preço/lucro de Cyrela e Eztec avançaram entre 12% e 27%, enquanto os múltiplos preço/valor patrimonial aumentaram entre 14% e 17%. Uma repetição desse movimento levaria o P/L da Cyrela para aproximadamente 5,9 vezes e o da Eztec para 8 vezes até o segundo turno, segundo os cálculos da casa.

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