Flávio, entre a hesitação e o salto alto

14 de Out de 2026 - 12:10
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Flávio, entre a hesitação e o salto alto

Parecia que Flávio Bolsonaro tinha encontrado um caminho para a comunicação de sua campanha. Mostrou que aprendeu a lidar com as inúmeras denúncias posteriores aos áudios com Vorcaro com duas estratégias: começou a mentir e ignorar as notícias. Veio a vitória no primeiro turno. E Flávio se perdeu. Parece que a soberba mudou de lado.Flávio Bolsonaro (PL) confirmou nesta quarta-feira (14) que participará do primeiro debate do segundo turno, promovido pela TV Band no domingo (18). O senador havia resistido à participação, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia confirmado presença e desafiado o adversário. Flávio disse que esperou primeiro Lula aceitar. “Lula, como você é previsível. Bastou eu falar que não ia no debate da Band para você, no minuto seguinte, falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate, eu só queria que você confirmasse”, disse. Não convence. Será o quinto debate que Flávio participará em sua carreira política. Todos os anteriores foram para a campanha municipal do Rio em 2016.Em um recuo eleitoral, disse ontem que votaria a favor da escala 6×1. Nos bastidores, entretanto, segundo o sbtnews, Flávio também sinalizou a aliados que pretende rever ou até derrubar a proposta após eventual aprovação pelo Congresso. A posição atende a preocupações empresariais com os custos da redução da jornada de trabalho.O candidato ainda recebeu conselhos do pai, Jair Bolsonaro, para evitar desgastes com especulações sobre ministérios e disputas pelas presidências da Câmara e do Senado – o que ele tem feito desenfreadamente. A antecipação da sucessão de Hugo Motta (Republicanos-PB) provocou desconforto entre partidos do Centrão, que consideram prematura a movimentação do PL. No Senado, Alcolumbre escolheu um lado pois sabe que só a vitória de Lula lhe dará chances de manter a Presidência da Casa.Falando em denúncias, o Globo publicou mais uma hoje, uma investigação da Polícia Federal sobre uma conta bancária ligada a uma empresa coproprietária do jato utilizado por Flávio em viagem dos Estados Unidos ao Brasil, em janeiro de 2025. Segundo relatório da PF, o senador aparecia como “usuário master” da conta, dividida com o advogado Willer Tomaz, envolvido no escândalo do INSS. Ele e Tomaz negam a existência de conta conjunta e contestam a informação.