Foi um dos animes mais polêmicos (e surpreendentes) da Netflix em 2026, mas enfrenta nova onda de controvérsia no Japão
Se você acompanhou a temporada recente de animes na Netflix e na Crunchyroll, é bem provável que tenha cruzado com uma das produções mais peculiares de 2026: Chainsmoker Cat.
A adaptação do mangá publicado pela Kodansha na Weekly Young Magazine parecia, apenas uma comédia politicamente incorreta sobre Yaniko Sato, uma garota-gato antropomórfica cujo cotidiano se resume a cigarros, bebida, aluguel atrasado e um estilo de vida completamente caótico. No entanto, o anime produzido pelo Bibury Animation Studios acabou se transformando em um verdadeiro fenômeno de audiência — e em uma dor de cabeça sem precedentes para os órgãos reguladores do ecossistema de streaming.
O que começou como uma virou o epicentro de uma crise de relações públicas global para a indústria de animes no Japão.
Do topo dos rankings às remoções no streaming
Exibido originalmente nas madrugadas da TV japonesa a partir de julho, Chainsmoker Cat não demorou a emplacar. O primeiro episódio ultrapassou a marca de em duas semanas, garantindo a liderança do ranking de audiência da plataforma por todo o mês de agosto.
Contudo, a rápida internacionalização da obra expôs o choque cultural e regulatório entre a liberdade artística japonesa e a legislação sobre produtos com tabaco em outros territórios.
No anime, o ato de fumar não é apenas um detalhe de fundo, mas um traço central de identidade da protagonista. Em várias cenas, embalagens de cigarro idênticas às do mundo real aparecem em grande destaque.
Isso acendeu o alerta vermelho em países asiáticos com leis rígidas sobre a exibição e publicidade de produtos de tabaco na internet. Em Hong Kong, o Departamento de Saúde notificou plataformas e serviços como o canal Ani-One e a Animation Crazy, resultando na por .
Já em Taiwan, a fundação John Tung , Shih Chung-liang, manifestou-se publicamente contra a exibição dos maços de cigarro explícitos, gerando a suspensão da transmissão em serviços regionais sob risco de multas astronômicas.
Mesmo dentro do mercado doméstico japonês, a produção não passou ilesa. A BPO (Broadcasting Ethics and Program Improvement Organization, a comissão de ética televisiva do Japão. Além do fumo constante, trechos do programa foram apontados por supostamente retratar o uso de substâncias ilícitas.
Embora parte dos conselheiros da BPO tenha considerado que a exibição em horários da madrugada e a presença de uma versão sem censura em canais fechados servissem como filtros suficientes para o público, o debate reforçou uma questão na ndústria: até onde vai o limite entre a sátira adulta e a regulamentação do conteúdo?
O caso de Chainsmoker Cat escancara um . Antigamente, produções "nichadas" de madrugada atendiam a um público restrito no Japão. Hoje, no entanto, a simultaneidade do streaming coloca a mesma obra ao alcance de dezenas de países com legislações e códigos culturais completamente opostos.
Caso escolham alterar o material original para se adequar às exigências globais, os estúdios correm o risco de ferir a liberdade de expressão criativa e desagradar aos fãs mais puristas. Por outro lado, se mantiverem o conteúdo intocado, enfrentam banimentos, sanções governamentais e dores de cabeça internacionais de PR.