Gonet defende que primo de Vorcaro siga preso após Fachin pedir reavaliação
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou contra a revogação da prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O parecer desta sexta-feira (6) foi apresentado após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, solicitar uma reavaliação da medida.
No documento, Gonet afirma que não houve alterações relevantes na situação de Felipe ou nos fatos apurados que justifiquem a soltura. Ele cita uma manifestação anterior, na qual já havia defendido a manutenção das prisões de familiares e outros investigados no caso Master.
Felipe está preso desde 7 de maio, quando foi alvo da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal (PF) o aponta como responsável pela operacionalização de movimentações financeiras ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro. A investigação também apura suspeitas de repasses de vantagens indevidas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A defesa contesta os fundamentos da prisão. Os advogados afirmam que Felipe não tentou fugir durante uma diligência policial em Trancoso (BA), argumentando que a pessoa identificada nas imagens era seu sogro. Também citam esclarecimentos apresentados pelo BTG Pactual sobre uma operação financeira de R$ 132,9 milhões, que, segundo a defesa, correspondeu a uma reestruturação de dívida.
Divergência de Gilmar abriu margem para apelo por soltura
Em junho, a Segunda Turma do STF manteve a prisão preventiva por maioria. O único a defender a substituição por medidas cautelares foi o ministro Gilmar Mendes. O decano entendeu que a documentação apresentada pela defesa indicava a regularidade das operações questionadas e permitia a soltura.
A defesa aproveitou esta divergência para, dias depois, pedir que o ministro André Mendonça revisasse sua própria decisão.
"A relevância desses esclarecimentos foi expressamente reconhecida pelo eminente ministro Gilmar Mendes, que registrou terem sido eles acompanhados de 'vasto acervo documental, incluindo auditorias de risco e pareceres legais que esclarecem e indicam, ao menos em um juízo perfunctório, a regularidade das referidas operações financeiras', concluindo, a partir desse novo quadro informacional, pela revogação da prisão preventiva do peticionário", lembrou.