Houthis intensificam ataques com mísseis na capital da Arábia Saudita
Os Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, intensificaram sua campanha letal de ataques contra Riad, capital da Arábia Saudita; nesta quinta-feira (8), ouviram-se estrondos, voos foram interrompidos e funcionários de alguns escritórios foram orientados a trabalhar de casa.
Os grupo iemenita afirmou ter disparado um míssil balístico contra o aeroporto de Riad e reiteraram a ameaça de forçar o fechamento do espaço aéreo saudita, em resposta ao apoio dado pelo reino às forças do governo iemenita reconhecido internacionalmente em meio à retomada da guerra civil.
O conflito, que agora se tornou um desdobramento da disputa entre os Estados Unidos e o Irã, trouxe novo caos a uma região já em chamas e ameaça arrastar outros Estados para combates extenuantes em áreas montanhosas — com a Síria cogitando agora o envio de tropas para auxiliar a Arábia Saudita.
O reino tem buscado apoio de nações aliadas, incluindo Turquia e Paquistão — ainda que apenas em caráter logístico ou defensivo —, na tentativa de reverter os avanços dos Houthis no sudoeste do Iêmen, próximo à entrada sul do Mar Vermelho.
Esses pedidos ganharam urgência depois que autoridades sauditas informaram, na quarta-feira (7), que três pessoas morreram nesta semana em ataques aos aeroportos de Riad e de Abha, no sudoeste do país.
Guerra civil reacendida por conflito no Irã
O serviço de rastreamento de voos FlightRadar24 indicou diversos atrasos em chegadas e partidas no Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, nesta quinta-feira (8).
Várias empresas multinacionais sediadas no KAFD (Distrito Financeiro Rei Abdullah), em Riad, orientaram seus funcionários a trabalhar de casa após os estrondos ouvidos na manhã desta quinta-feira, segundo cinco pessoas a par da situação, incluindo alguns dos funcionários afetados.
O governo saudita não respondeu a um pedido de comentário, e o KAFD não estava disponível de imediato para se pronunciar.
Alguns diplomatas relataram ter recebido avisos, e certas escolas em Riad informaram aos pais sobre ordens para que as pessoas permanecessem onde estavam, abrigando-se no local, embora as autoridades não tenham emitido um alerta público.
A agência de notícias Reuters não conseguiu identificar a origem dos estrondos.
A prolongada guerra civil do Iêmen, que havia sido interrompida por um cessar-fogo em 2022, agravou-se nas últimas semanas, com os Houthis tomando trechos da costa do Mar Vermelho no mês passado, inclusive ao longo do vital Estreito de Bab el-Mandeb.
Os Houthis, que controlam muitas das áreas mais populosas do Iêmen — incluindo a capital, Sanaa —, afirmaram estar reagindo a ataques do governo apoiado pela Arábia Saudita, alegação que o governo nega.
Suas ameaças à navegação em uma via marítima que se tornou ainda mais crítica para as exportações de petróleo do Golfo — especialmente após os ataques do Irã no Estreito de Ormuz —, somadas aos ataques contra cidades e infraestruturas sauditas, trouxeram o reino de volta ao conflito.
Nesta semana, forças apoiadas pela Arábia Saudita lançaram um contra-ataque, retomando áreas ao redor do estreito.
No entanto, em uma guerra com múltiplas frentes, os Houthis também obtiveram avanços, cercando Taiz — a terceira maior cidade do Iêmen — ao tomar territórios ao longo da principal estrada montanhosa que liga a cidade a Aden.
Os combates, que colocam os Houthis em confronto com uma coalizão de forças apoiadas pela Arábia Saudita e leais ao governo reconhecido internacionalmente, provocaram uma crise humanitária no país árabe mais pobre, deslocando 200 mil pessoas desde a retomada do conflito.
Autoridades dizem que a ajuda à Síria pode ser puramente defensiva
Um oficial de defesa dos EUA e um da Síria afirmaram que a Síria estava analisando cuidadosamente opções de apoio militar, incluindo ajuda defensiva para proteger a Arábia Saudita de ataques ou um envio de tropas para operações ofensivas contra os Houthis.
Em resposta a um pedido de comentário dirigido ao Ministério das Relações Exteriores da Síria, um diplomata declarou que o país apoiava firmemente a Arábia Saudita, mas que seu foco estava em prioridades internas, como a recuperação de sua própria guerra civil.
A Arábia Saudita firmou o Pacto de Meca com a Turquia e o Paquistão, comprometendo os três países a defenderem uns aos outros, embora Ancara ainda não tenha ratificado o tratado.
A Turquia, membro da Otan, anunciou na quarta-feira o envio de apoio predominantemente defensivo e técnico ao reino saudita para auxiliar no combate aos Houthis.
Um oficial turco informou que esse apoio deve incluir equipamentos militares, compartilhamento de inteligência e sistemas de armas.
A Turquia — aliada próxima do governo sírio e apoiadora de suas forças quando estas ainda eram rebeldes que lutavam contra o governo de Bashar al-Assad — já havia levado sírios para combater na guerra civil da Líbia em 2020.
O Paquistão transportou equipamentos militares por via aérea para Aden, no sul do Iêmen, para auxiliar na batalha contra os Houthis — segundo fontes paquistanesas — e enviou tropas para a Arábia Saudita a fim de ajudar na defesa de suas fronteiras.
As autoridades sauditas e iemenitas não responderam aos pedidos de comentário.