Igreja Católica no Egito cria programas para frear perda de fiéis jovens
A Igreja Católica no Egito intensifica esforços para manter a população jovem ligada à instituição, diante de um cenário onde muitos abandonam a denominação ao se casarem. O bispo Emmanuel Bishay, da Eparquia de Luxor, revelou em outubro de 2026 que o grupo, uma minoria de 300 mil fiéis em um país de 120 milhões de habitantes, busca fortalecer a formação e o convívio social para preservar sua identidade.
Por que o casamento representa um risco para a permanência dos jovens na Igreja?
No Egito, a maior parte dos cristãos pertence à Igreja Copta Ortodoxa, que soma entre 10 e 15 milhões de pessoas. Quando um jovem católico decide se casar com alguém dessa maioria ortodoxa, as normas e exigências da outra instituição frequentemente forçam a sua conversão. Segundo o bispo Emmanuel Bishay, essa transição obrigatória é o principal motivo do êxodo juvenil, desafiando a Igreja Católica a encontrar formas de aprofundar a convicção religiosa de seus membros para que permaneçam ligados às suas raízes mesmo após constituírem novas famílias com parceiros de outras fés.
Quais medidas estão sendo tomadas para manter os jovens católicos engajados?
Para enfrentar a diminuição do número de fiéis, a Igreja aposta em duas frentes principais: educação religiosa e socialização. Estão sendo administrados programas intensivos de catequese e formação teológica para que o jovem compreenda e valorize as particularidades da fé católica. Paralelamente, a instituição promove diversas iniciativas e eventos sociais que facilitam o encontro entre os próprios jovens católicos. O objetivo é incentivar o estabelecimento de relacionamentos dentro da própria comunidade, reduzindo as pressões externas que levam à mudança de denominação religiosa.
Qual é a relevância social dessa pequena minoria católica para a população egípcia?
Embora representem apenas cerca de 300 mil pessoas, os católicos exercem uma influência social desproporcional ao seu tamanho, especialmente nas áreas de saúde e educação. A Igreja mantém algumas das melhores escolas do país, frequentadas inclusive por filhos de funcionários do Estado. Na Diocese de Luxor, por exemplo, funcionam 14 clínicas geridas por irmãs religiosas que atendem as regiões mais pobres. Essa atuação pioneira serviu de modelo até para outras religiões: a Igreja Ortodoxa e as mesquitas locais passaram a oferecer serviços similares seguindo o exemplo católico.
Como está o clima de convivência entre as diferentes religiões no país atualmente?
O cenário atual é de melhora e crescimento da tolerância. O bispo Bishay destaca que, embora o Alto Egito ainda guarde atitudes mais rígidas em vilarejos pequenos, as vozes extremistas perderam espaço para discursos moderados. Existe uma relação de afeto e respeito oficial entre as lideranças católicas e ortodoxas, com trocas de cumprimentos em datas festivas. Além disso, o governo egípcio tem dado mais abertura para o diálogo, permitindo que a convivência com a maioria muçulmana seja mais harmônica do que em períodos anteriores, apesar das dificuldades persistentes nas áreas rurais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.