Inclusão do E195-2 à frota da Latam pode abrir espaço para rotas na América Latina

8 de Out de 2026 - 16:20
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Inclusão do E195-2 à frota da Latam pode abrir espaço para rotas na América Latina

O primeiro voo de um avião da Embraer (EMBJ3) pela Latam está finalmente prestes a acontecer. A integração das aeronaves E195-E2, iniciada em novembro e com rotas já previstas, amplia a malha doméstica da companhia, mas a inclusão do modelo à frota pode abrir espaço para voos pela América Latina em um segundo momento.

Ao todo, a Embraer tem 24 pedidos firmes da Latam para a sua geração mais recente de aviões comerciais, 12 dos quais devem ser entregues até o final de 2026. A expectativa é de que a segunda metade seja entregue até 2027.

Nunca tivemos dúvidas da qualidade do produto. Tínhamos dúvida do timing para que a compra pudesse acontecer de forma segura do ponto de vista financeiro da Latam e do mercado”, disse o CEO da Latam, Jerome Cadier, em entrevista coletiva a jornalistas em São José dos Campos, durante a entrega do primeiro jato E2 à operadora nesta quinta-feira (8).

Eficiência e demanda em rotas não atendidas

Para a Latam, a parceria com a Embraer é estratégica: a família E-Jet, com 136 assentos na configuração feita pela Latam, comporta a demanda de cidades para as quais o A320, alternativa da Airbus, com cerca de 180 assentos, não atende. O número de lugares somado à economia de até 30% de economia de combustível em comparação a versões anteriores torna as novas rotas viáveis.

De acordo com Cadier, a escolha pelos E2 não tem, portanto, relação com um eventual atraso para entregas de aeronaves da Airbus. “Só neste ano estamos trazendo A320 para o Brasil, como esperávamos. Em nenhum momento a decisão de adquirir aeronaves E2 foi pela falta da família A230, foi simplesmente porque percebemos como o E2 podia complementar o que eventualmente não estávamos conseguindo alcançar”, disse.

Na primeira fase, os 14 primeiros aviões do modelo serão utilizados em 42 rotas, incluindo oito novas e quatro destinos inéditos na malha da companhia: Cabo Frio (RJ), Ji-Paraná (RO), Macaé (RJ) e Rondonópolis (MT).

Apesar da entrega do primeiro jato nesta quinta-feira, a Latam ainda espera atingir um número crítico de cerca de cinco aeronaves para começar a operar as rotas — por isso a expectativa pelo início no final de novembro. E a produção está acelerada. Durante a visita do InfoMoney à fábrica da Embraer em São José dos Campos, três aeronaves estavam sendo preparadas no hangar de fabricação e mais três unidades já estavam estacionadas em outro espaço.

Avião E195-E2 comprado pela Latam em hangar de fabricação da Embraer em São José dos Campos. (Foto: Iuri Santos/InfoMoney)

“A chegada da Latam na família E2 é superimportante. É uma das maiores companhias aéreas do mundo, uma das maiores linhas. Isso traz relevância para a plataforma”, disse o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, durante o evento de entrega. No mundo, a linha E2 já tem 25 clientes e cerca de 500 pedidos distribuídos em seis continentes.

Premium Economy é vantagem, avalia executivo

Com capacidade de até 146 assentos, pela Latam o E2 assumiu uma versão de 136 lugares para comportar de duas até cinco fileiras Premium Economy. Os quatro novos trechos da companhia, por exemplo, surgiram em boa medida para atender um perfil de passageiro mais corporativo.

De acordo com Cadier, essa configuração é uma vantagem competitiva em comparação à Azul, que já opera jatos E195-E2, já que a demanda corporativa se tornou uma importante alavanca para a aviação comercial nos últimos anos. “A Latam é a única companhia que tem uma classe diferente nos narrow bodies [com apenas um corredor, na qual se localiza o E2]. Isso tem garantido uma capacidade de crescimento rentável no público corporativo”, conta.

Em Julho, a Abra, controladora da Gol, também entrou no jogo dos jatos E2. Com um pedido firme de 20 aeronaves, podendo chegar a 45, a companhia aérea deve receber as primeira entregas no último trimestre de 2027.

Outra característica do modelo é o tamanho do bagageiro. Desenvolvido para otimizar espaço, comporta malas encaixadas frontalmente (com as rodinhas tocando o fundo), o que, na configuração da Latam, permite que todos passageiros possam embarcar com malas de mão.

Depois de concluir a primeira fase de implementação com as rotas já anunciadas, a Latam deve anunciar em novembro uma segunda etapa com mais três ou quatro novos destinos e, em fevereiro de 2027, a terceira, totalizando a entrega das 24 aeronaves.

Cadier não descarta atender trechos em vizinhos latino-americanos a partir da terceira fase. Devido à eficiência do E2, o aviação consegue executar rotas maiores dentro da região, o que permitiria, por exemplo, atender países da região em rotas internas ou partindo do Brasil.

“É uma região que carece muito de conectividade. Basta ver a experiência de voar ao Caribe. É muito difícil ir de um lugar ao outro sem fazer conexões. Às vezes é preciso ir até os Estados Unidos”, diz. “Ainda vejo muitas oportunidades para o E2. Tem os grandes mercados que ainda precisamos explorar mais, como México, Colômbia e Argentina”.

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