Irmã de Alex Telles, do Botafogo, encara desafio como CEO de clube: "Não basta ter o sobrenome"

29 de Set de 2026 - 14:00
 0  0
Irmã de Alex Telles, do Botafogo, encara desafio como CEO de clube: "Não basta ter o sobrenome"

Hellen Telles é a principal executiva da Apafut, equipe de Caxias do Sul que está viva na briga por vaga na primeira divisão do Gauchão

Hellen Telles detalha sua função como CEO da Apafut

Hellen Telles ingressou no futebol por causa da família: ela é irmã do lateral-esquerdo Alex Telles, atualmente no Botafogo. Durante quase uma década, gerenciou a carreira do irmão famoso e agenciou outros jogadores como empresária licenciada pela Fifa. Há cerca de três anos, decidiu trilhar outro caminho na carreira: retornou a Caxias do Sul e assumiu recentemente um novo desafio como CEO de um clube que disputa a segunda divisão do Rio Grande do Sul.

Hellen Telles explica como recebeu o convite da Apafut

Desde julho, Hellen é a principal executiva da Apafut (Associação de Pais e Amigos do Futebol), clube caxiense com 15 anos de história. É responsável pela parte estratégica e de gerenciamento dos departamentos de futebol, marketing, comercial, médico e da categoria de base. Na prática, ela liderou a montagem do time para a estreia na Divisão de Acesso do Gauchão e, quando necessário, também atua na operação do dia a dia.

– Em um projeto que, além de novo, se estrutura à medida que vão acontecendo as coisas, a equipe é mais enxuta. Costumamos dizer que as pessoas que estão aqui dentro cruzam, cabeceiam e defendem – brincou em entrevista ao ge.

A Apafut nasceu em 2011, resultado da descentralização dos esportes na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Conta com quase 400 atletas nas categorias de base. Inicialmente voltado à formação de jogadores, o projeto se profissionalizou em 2024. Em apenas dois anos, conquistou o acesso à segunda divisão gaúcha. Foi quando o telefone de Hellen tocou.

– O pessoal do projeto me chama e diz: "Precisamos de alguém para capitanear, porque daqui para frente é algo mais do que simplesmente ser um clube que gere categoria de base e tem um departamento de futebol pontual. Precisamos de algo maior". Isso foi me brilhando os olhos. É quando fazem o convite, justamente para usar toda a minha bagagem com gestão de carreira de atletas, com intermediação, e do próprio projeto, para abraçar isso – conta a executiva.

Helles Telles em apresentação do elenco da Apafut, em julho — Foto: Tiago Muniz

A profissional nutre uma relação de década com o clube da cidade. Formada em Educação Física pela UCS, fez estágio na Apafut e, ao assumir a carreira do irmão, manteve vínculo como investidora, viabilizando estruturas e a disputa de competições da base.

Na função executiva, já cumpriu duas das três metas traçadas para o projeto: a conquista do selo de clube formador pela CBF e a permanência da Apafut na segunda divisão – no domingo, o time de Caxias se classificou às quartas de final da competição. Ao que tudo indica, Hellen permanecerá à frente do projeto em 2027, quando pretende implementar a última das metas, a de exportar atletas.

– Preciso que a captação seja boa para a formação ser bem feita. Assim, consigo alimentar uma equipe profissional. Alimentando uma equipe profissional e tendo minutagem (Gauchão), tenho produto para exportar. Claro que o resultado de campo acaba refletindo o que acontece no clube, mas hoje o meu troféu é o número de atletas colocados no mercado através do projeto – explicou.

Atualmente, a Apafut se sustenta por meio de patrocínios, receitas da federação e da prefeitura, além do apoio da comunidade. A meta, no futuro, é ter atletas como ativos. Conforme Hellen, a intenção é montar uma estrutura que permita ao clube, a médio e longo prazo, trazer maior estruturação financeira, quem sabe até virar uma SAF.

Com a filha de volta a Caxias do Sul, os pais de Helles acompanham jogos da Apafut — Foto: Tiago Muniz

Da necessidade, a oportunidade

O futebol sempre fez parte da vida dos Telles, muito pelo incentivo do pai. Hellen até se arriscou nos gramados, mas brinca que o talento nasceu com Alex. Após se formar como educadora física, ela tinha como objetivo trabalhar como treinadora. Contudo, viu a carreira tomar outro rumo a partir de uma necessidade do irmão.

– Entrei muito por uma necessidade (do Alex) e fui me especializando. À medida que a carreira do Alex foi se desenvolvendo, também fui descobrindo que era uma carreira para mim. Nunca tinha vislumbrado o lado da gestão como uma possibilidade – admitiu.

O que Hellen Telles aprendeu trabalhando com o irmão, Alex Telles

Hellen geriu a carreira do irmão de 2015 a 2023 e, nesse meio tempo, assumiu também a intermediação em parceria com o agente israelense Pini Zahavi. Participou das transferências de Alex para Manchester United, Sevilla e Al-Nassr, além da convocação para a Copa do Mundo do Catar. As experiências trouxeram contatos, repertório técnico e abriram portas aproveitadas até hoje. Mas ela sentiu que precisava mudar.

– Nesses últimos anos ficou muito claro que, a partir do momento que o Alex encerra a carreira, a Hellen, irmã, encerra também. Precisava existir um processo de desvincular essa relação, para o crescimento de ambos. Meu maior aprendizado é que não basta ter o sobrenome ou uma história para contar, se você não tem embasamento acadêmico, algo para te chancelar – ponderou.

Hellen Telles foi certificada em Gestão de Futebol pela UEFA — Foto: Reprodução/Redes Sociais Hellen

Carreira solo

Hellen voltou à sala de aula, realizou curso de gestão de clubes no Real Madrid, foi certificada em Gestão de Futebol pela Uefa e está entre as cerca de 5% de agentes mulheres licenciadas pela Fifa. Hoje, se dedica quase que exclusivamente à Apafut, pois manteve em paralelo um projeto de mentoria com sete famílias de atletas.

– Só ter o sobrenome e estar atrelada ao meu irmão não era suficiente para me sustentar nas mesas e garantir projetos. Precisei construir o nome Hellen Telles, ir para a sala de aula, rodar o mundo, construir meu próprio nome. Construir a Hellen Telles em paralelo à irmã do Alex foi meu grande desafio – destacou.

Hellen Telles e Alex Telles com os pais após o título do Botafogo na Libertadores — Foto: Arquivo pessoal

Apesar da distância entre Caxias e Rio de Janeiro, a parceria dos irmãos segue de forma online, no que Hellen chama de "comitê familiar para assuntos esportivos". O pai se mantém como principal referência, o "guru" nas decisões dos filhos – além de ser um torcedor frequente nos jogos da Apafut.

– Meu pai não foi jogador profissional, mas acompanhou a construção dos filhos, sabe exatamente a forma que pensamos. Então existe um comitê familiar que a gente debate assuntos esportivos, o Alex acompanha muito o que acontece na Apafut e nós o Botafogo. Quem fica mais à parte é minha mãe, que diz só gostar do futebol quando os filhos estão envolvidos. Do contrário, não é muito fã. 

Hellen relembra início de carreira ao lado do irmão Alex Telles

Mulheres no futebol

Para Hellen, é uma satisfação e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade inspirar outras mulheres a fazer da gestão no futebol um plano de carreira. Quando acadêmica, ela não teve em quem se espelhar. Hoje, enxerga em Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e Rafaela Pimenta, também agente Fifa, exemplos a seguir.

Na Apafut, é uma das três mulheres do clube, ao lado da psicóloga e da nutricionista. Entende que a maior visibilidade das atletas em campo e a consequente profissionalização do futebol, com a entrada das SAFs, deve abrir um espaço cada vez maior às mulheres.

– Com clubes mais profissionalizados, se abre espaço para competência e aí independe de gênero. Se for competente, vai ocupar esse espaço. À medida que mostramos para elas que existe uma cadeira a ser ocupada e que ela não é inacessível, teremos mais mulheres – concluiu.

Hellen Telles é a principal executiva da Apafut, equipe de Caxias do Sul que está viva na briga por vaga na primeira divisão do Gauchão

Lateral-direito do Monaco abriu o placar na vitória por 4 a 2 sobre a Austrália e marcou pela primeira vez em seu oitavo jogo pela equipe principal

Caso 4 a 2 contra a Austrália contasse para o game, top 5 também teria Bruno Guimarães e o empate entre Gabriel Bontempo e Mauro Júnior

Competição tem Flamengo x Fluminense, Ferroviária x Bragantino, Internacional x Atlético-MG e Bahia x São Paulo

Dos cinco jogadores que chegaram ao Beira-Rio na última janela, apenas Maripán está afirmado no time titular

MP ficou fora da rodada anterior, contra o Sport, e comentou recentes críticas da torcida

Valores apresentados, referentes desde 2021, incluem R$ 56 milhões já vencidos e R$ 61 milhões a vencer

RGM Academy, estrutura dos ex-goleiros do Grêmio, é a nova sede das Mosqueteiras

Recentemente, treinador teve o nome especulado para assumir o Inter; definição sobre futuro de Barbieri só deve ocorrer após encaminhamento do clube na Série B

Gustavo Xuxa sofreu taquicardia ventricular na última sexta-feira, foi reanimado e segue internado em UTI