Mourinho reage à saída de Cristiano Ronaldo da seleção: "Eu respeito"
José Mourinho comentou, na manhã desta sexta-feira (6), a decisão de Cristiano Ronaldo de deixar a seleção de Portugal aos 41 anos. Durante entrevista coletiva antes do confronto entre Real Madrid e Valencia, pela 12ª rodada do Campeonato Espanhol, o treinador português evitou avaliar os motivos da despedida do atacante.
Questionado se a decisão foi natural ou influenciada pelo desentendimento entre Cristiano Ronaldo e o técnico da seleção portuguesa, Jorge Jesus, Mourinho afirmou que prefere respeitar a escolha do jogador.
"Não quero avaliar. Mais do que comentar, deve-se respeitar e, obviamente, eu respeito essa decisão. Não é uma aposentadoria, ele não encerrou a carreira", declarou.
O treinador, que comandou Cristiano Ronaldo no Real Madrid entre 2010 e 2013, ressaltou que o atacante ainda tem objetivos no futebol e manifestou o desejo de que sua despedida definitiva dos gramados aconteça em circunstâncias diferentes.
"Quem o conhece sabe que ainda tem objetivos para a carreira, e a única coisa que eu gostaria é que sua aposentadoria como jogador de futebol, quando chegar esse dia, seja um dia diferente do de ontem", afirmou.
Mourinho também foi questionado sobre a possibilidade de Cristiano Ronaldo seguir a carreira de treinador depois de encerrar sua trajetória como jogador.
"Não sou capaz de dizer. Não sei o que pode passar pela cabeça dele, mas ainda é cedo, inclusive, para fazer algum comentário, porque, como já disse, ele ainda é jogador de futebol", respondeu.
Cristiano Ronaldo deixou a seleção após crise com Jorge Jesus
Cristiano Ronaldo anunciou na quinta-feira (5) sua despedida da seleção portuguesa, encerrando uma trajetória de 23 anos. O atacante disputou 234 partidas, marcou 146 gols e conquistou a Eurocopa de 2016 e duas edições da Liga das Nações.
A decisão ocorreu após um desentendimento com Jorge Jesus durante a última convocação. Em setembro, o jogador deixou a concentração da equipe antes do fim dos compromissos internacionais, episódio que resultou em uma suspensão de 30 dias e multa aplicada pela Federação Portuguesa de Futebol.
Apesar da crise, Jorge Jesus havia demonstrado interesse em contar novamente com o atacante. Cristiano, porém, optou por encerrar sua participação na seleção.
Mourinho comenta morte de jogador no futebol espanhol
Durante a mesma entrevista coletiva, Mourinho também foi questionado sobre a morte de Jesús de Miguel, jogador de 30 anos que não resistiu aos ferimentos sofridos após uma colisão com Jesús Owono durante a partida entre Tenerife e FC Andorra, na última segunda-feira (2).
A tragédia provocou discussões na Espanha sobre a realização da rodada do Campeonato Espanhol. Enquanto alguns defendem a suspensão dos jogos, outros consideram que as homenagens programadas são uma forma de recordar o atleta.
Mourinho preferiu não tomar partido na discussão e afirmou que a opinião dos familiares, amigos e companheiros do jogador deveria ser considerada.
"Pelo que fui informado, há belas homenagens organizadas, que serão realizadas em todas as competições, e isso me parece significativo. De qualquer maneira, se fosse possível falar com Jesús e fazer essa pergunta a ele, seria a situação ideal", declarou.
O treinador acrescentou que não cabe a pessoas que não conheciam profundamente o atleta decidir qual seria a melhor maneira de homenageá-lo.
"Como é impossível fazer essa pergunta a ele, penso que só sua família, seus amigos e seus companheiros podem responder o que Jesús gostaria que acontecesse, se gostaria que não houvesse futebol ou se gostaria de ser lembrado com uma bela homenagem em todas as divisões e em todos os estádios do futebol espanhol", afirmou.
"Penso que isso cabe à família, aos amigos e aos companheiros. Não me parece que nenhum de nós possa dizer isto ou aquilo. Não sabemos. A homenagem será para Jesús, por isso, que falem aqueles que o conheciam profundamente sobre o que ele gostaria", concluiu.
O Real Madrid enfrenta o Valencia neste sábado (7), no estádio Mestalla, às 17h, pelo horário de Brasília.
'Saio de cabeça erguida, com orgulho do caminho que percorri e com a consciência de que dei tudo o que tinha', diz craque. Com serviços prestados à formação nacional desde 2003, ele é o seu maior artilheiro histórico, com 146 gols