Lula e Flávio chegam à última semana com eleitorado ainda em movimento

27 de Set de 2026 - 10:00
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Lula e Flávio chegam à última semana com eleitorado ainda em movimento

Lula e Flávio Bolsonaro chegam à última semana no mesmo patamar de intenção de voto de abril. A leitura mais fácil é a de que nada mudou.

Mas ela esconde o que realmente importa: o eleitor que não está calcificado se moveu ao longo da campanha, e ainda pode se mover até 4 de outubro.

Mesmo patamar, mas eleitor em movimento

Dizer que o quadro de hoje é igual ao de abril exige supor que ninguém mudou de ideia nesse período. Não é o que o filme das pesquisas mostra.

Os números agregados se mantiveram, mas por baixo deles houve fluxos de vaivém entre candidatos, indecisos e voto nulo.

Num cenário de calcificação, quase todo o movimento acontece entre os cerca de 10% de eleitores que não pertencem a nenhum dos dois polos. São eles que decidem a eleição.

Quantos desses independentes, que não torcem por lado nenhum, já não terão trocado de camisa ao longo da campanha?

A estabilidade do agregado não é sinal de imobilidade. É o saldo de movimentos que se compensaram, e que podem deixar de se compensar na reta final.

O percentual de eleitores que ainda admitem mudar de voto a esta altura mostra que há, e houve, dinâmica.

Um terço ainda está sem candidato na espontânea

Na pergunta espontânea, em que o entrevistado responde sem ver a lista de candidatos, cerca de um terço do eleitorado ainda não sabe em quem vai votar para presidente.

Na estimulada, a indecisão é menor, mas varia muito entre os estados.

A indecisão é mais baixa no Nordeste, onde Lula lidera com folga, e quase dobra no Sudeste e no Sul. É no Sudeste, principal campo de batalha desta eleição, que o voto está menos cristalizado.

Num quadro calcificado, é um erro tratar esses números como pequenos.

Os 7% de “decididos indecisos” representam mais de 10 milhões de eleitores. Os 9% que dizem que a crise do STF pode mudar seu voto somam cerca de 14 milhões.

Numa eleição empatada, é muita gente.

Três fatores podem pesar na última semana

Com um terço do eleitorado sem candidato na espontânea, três eventos devem pesar na reta final.

O primeiro é o pacote do governo voltado às mulheres, que reúne medidas contra as bets, a favor do acesso às canetas emagrecedoras e o aumento do Bolsa Família.

É uma aposta direta no eleitorado feminino, onde está boa parte de quem ainda não escolheu.

Nesta segunda, teremos a primeira medida concreta medindo o efeito dessas medidas na pesquisa Quaest contratada pelo jornal O Globo e pela TV Globo.

Voto útil pode redistribuir apoio de outros candidatos

O segundo é o voto útil.

Parte dos eleitores de Cury, Caiado, Renan e Zema tende a migrar para Lula ou Flávio para evitar a vitória de quem mais teme.

Em Goiás, estado de Caiado, os outros candidatos somam 27% das intenções de voto, o que dá a dimensão do que ainda está em jogo.

Já há sinais de voto útil nas últimas duas rodadas da pesquisa Quaest, mas ainda há espaço para mudança de voto.

Entre eleitores de Cury, 41% dizem que podem mudar de voto; 52% do eleitor do Caiado e 51% do eleitor de Renan dizem o mesmo.

Debate da Globo será último grande evento da campanha

O terceiro é o debate da Globo.

Transmitido em horário nobre, no lugar da novela, ele deve ter audiência recorde e finalmente mobilizar o eleitor desinteressado com a campanha.

O Brasil deve parar para assistir algo inédito: o primeiro embate direto nesta campanha entre Lula e Flávio.

Vale lembrar que o horário deste debate, 21h, é aquele em que mulheres com mais de 60 anos e de menor escolaridade, um dos públicos assíduos das novelas, tende a estar ligado na TV.

Isso importa porque são elas as que decidem por último, que estão mais indecisas e as que mais se abstêm historicamente.

A eleição está empatada, mas não está parada.

O que se decide na última semana é para onde vai o eleitor que já se moveu algumas vezes e ainda pode se mover de novo.

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