MPF apura se chefe da PF vazou dados sigilosos sobre irmão de Lula no caso INSS

20 de Out de 2026 - 21:40
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MPF apura se chefe da PF vazou dados sigilosos sobre irmão de Lula no caso INSS

O Ministério Público Federal (MPF) determinou a instauração de um procedimento investigatório criminal (PIC) para apurar se o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, divulgou informações sigilosas envolvendo a Operação Sem Desconto, que investiga os descontos ilegais em aposentadorias do INSS.

Segundo o documento, a declaração de Andrei foi referente ao Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão foi assinada pelo procurador Gabriel Pimenta no último dia 15 e publicada no Diário Oficial do MPF nesta terça-feira (20). Em abril de 2025, o chefe da PF disse, em entrevista ao site ICL Notícias, que os dirigentes e o próprio Sindnapi não eram alvo da operação.

"Várias entidades e associações foram objeto de buscas e apreensão e de medidas também contra os seus dirigentes. E esse sindicato, o Sindnapi, não foi objeto de busca e apreensão. Tampouco os seus dirigentes foram alvos de qualquer medida, as pessoas físicas alvos de qualquer medida", disse Andrei na ocasião.

"E respondendo muito objetivamente: o irmão do presidente Lula não é alvo da operação, não é investigado na operação. Portanto, isso eu sei que, pela questão política, termina gerando uma onda de pessoas tentando fazer uma vinculação", enfatizou o chefe da PF durante a entrevista.

No entanto, o sindicato foi alvo de busca e apreensão no dia 23 de abril de 2025. Após a ação policial, o Sindnapi afirmou, em nota, que “apoia a investigação das denúncias de irregularidades nos descontos em benefícios dos aposentados”.

Inicialmente, o procedimento contra o diretor da PF havia recebido um parecer pelo arquivamento. Contudo, a 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (7ª CCR/MPF) rejeitou a manifestação e determinou o prosseguimento das apurações.

O colegiado revisor apontou a necessidade de diligências para verificar a ocorrência de suposto descumprimento de dever funcional; crime de violação de sigilo funcional (previsto no artigo 325 do Código Penal); e prática de ato de improbidade administrativa por violação aos deveres de honestidade e imparcialidade (artigo 11, inciso III, da Lei nº 8.429/1992).

Entre as medidas ordenadas pelo MPF estão a notificação de Andrei para que preste informações formais sobre os fatos apurados; a análise e juntada da decisão judicial que determinou o sigilo do inquérito policial da Operação Sem Desconto no trecho relativo ao Sindnapi; e a remessa do procedimento à Justiça Federal no DF para acompanhamento pelo juiz de garantias. 

A Gazeta do Povo procurou a Polícia Federal, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.