“Não se pode falar de Nossa Senhora”, diz Gilmar em meio à crise entre STF e TSE
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou durante a sessão da Corte desta quinta-feira (1º) que “não se pode falar o nome” de Nossa Senhora Aparecida. O comentário foi captado em meio a uma conversa entre os ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia.
A declaração ocorre em meio ao impasse entre o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre publicações nas redes sociais envolvendo a suposta intenção do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de tirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
Nesta tarde, os ministros analisavam uma ação sobre o reajuste de planos de saúde para idosos, quando Dino comentou que o caso tramita desde a época de sua antecessora na Corte, a ministra aposentada Rosa Weber, e Cármen, em tom descontraído, agradeceu por estar viva.
“Graças a Deus, continua vindo, inclusive, comigo, viu? Podia ter morrido antes e aí não teria o problema do idoso”, disse a ministra.
Em resposta, Dino afirmou: “Vossa Excelência, está longe disso”.
Cármen rebateu: “Deus e Nossa Senhora que garantam isso, porque espero ter ainda muitos anos”.
“Estamos no mês de Nossa Senhora”, lembrou o ministro.
Ao fundo, Gilmar comenta: “Não se pode falar o nome de Nossa Senhora”.
Dino e Cármen seguem falando sobre o voto sobre o aumento de mensalidades de planos em razão da idade.
A crise sobre as postagens envolvendo a Padroeira começou na semana passada. A fake news envolvendo Flávio viralizou nas redes sociais. No último dia 25, o ministro André Mendonça determinou, no âmbito do TSE, a remoção de posts do humorista Antonio Tabet e estendeu a decisão à centenas de outras manifestações nas redes que citavam o caso.
A defesa de Tabet acionou o STF em uma ação relatada por Dino, que derrubou a ordem de Mendonça dois dias depois. Flávio recorreu ao ministro Luiz Fux no STF. Na segunda (28), Fux cassou a ordem de Dino e restabeleceu a decisão de Mendonça.
Diante do imbróglio, o plenário do TSE decidiu manter a remoção de postagens que disseminavam fake news sobre o candidato do PL e Nossa Senhora, mas liberaram a publicação do humorista.
Na sessão de quarta (30), Gilmar já havia alfinetado Mendonça durante uma homenagem ao presidente da Corte, Edson Fachin. O decano lembrou as divergências entre ministros na época dos julgamentos da Operação Lava Jato.
“Naquela quadra não houve notícias de vazamentos seletivos em nossos gabinetes, apesar da sensibilidade dos documentos que estavam sob nossa responsabilidade. Tampouco qualquer ato que pudesse indicar uso político-eleitoral das investigações”, disse Gilmar, em referência ao embate entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes.