O caso da herdeira alemã acusada de ordenar sequestro dos próprios filhos que levou a escândalo de espionagem
- Author, Bethany Bell
- Role, Germany reporter
- Published 17 outubro 2026, 21:05 -03Atualizado Há 30 minutos
- Tempo de leitura: 5 min
Um julgamento que mantém a em suspense coloca no holofote uma herdeira milionária no banco dos réus há meses e um caso que desencadeou o maior escândalo de espionagem do país na história recente.
Christina Block, herdeira de uma popular rede de churrascarias, é acusada de contratar uma empresa de segurança para realizar o sequestro violento de seus filhos na Dinamarca, após uma amarga disputa pela guarda das com o ex-marido.
O caso teria ligações com pelo menos dois ex-agentes secretos, um alemão e outro israelense.
Na reviravolta mais recente, investigadores encontraram provas que levaram à prisão, neste mês, de August Hanning, ex-chefe do serviço de inteligência alemão, sob suspeita de traição e espionagem.
A prisão de Hanning surpreendeu a comunidade de inteligência. Embora o caso dele não tenha relação com o julgamento em Hamburgo, ele negou as acusações de envolvimento em uma tentativa anterior de sequestrar as crianças.
Houve enorme interesse da imprensa alemã quando Christina Block e outras seis pessoas começaram a ser julgadas, em julho do ano passado, em um tribunal de segurança máxima em Hamburgo.
Os restaurantes Block House, especializados em carnes grelhadas e batatas assadas, estão presentes em muitas cidades alemãs. O sucesso da rede ao longo do último meio século ajudou a transformar o pai de Christina, Eugen Block, em multimilionário.
Os promotores alegam que ela e um advogado da família, Andreas Costard, organizaram o sequestro à força de dois de seus filhos, que estavam hospedados na casa do pai, Stephan Hensel, na Dinamarca.
Segundo a acusação, a operação foi executada por um cidadão israelense de 36 anos, identificado apenas como Jonathan G, e outras cinco pessoas.
O sequestro ocorreu durante as comemorações do Ano-Novo de 2023 para 2024, enquanto as duas crianças e o pai assistiam a uma queima de fogos, de acordo com a denúncia.
Os promotores afirmam que vários homens emboscaram e agrediram Stephan Hensel e arrastaram o menino e a menina, então com 10 e 13 anos, para dentro de um carro.
Já perto da fronteira com a Alemanha, o grupo teria trocado de veículo, colocado fita adesiva na boca das crianças e amarrado as mãos da menina.
Em seguida, os suspeitos teriam viajado em um motorhome até Baden-Württemberg. Segundo os promotores, as crianças foram mantidas no local contra a própria vontade até 2 de janeiro de 2024, quando a mãe chegou para buscá-las e as levou para sua casa em Hamburgo.
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Christina Block, Andreas Costard e Jonathan G são acusados de sequestro de menores, lesão corporal grave e .
O companheiro de Block, Gerhard Delling, ex-apresentador de programas esportivos na TV, e outras três pessoas são acusados de cumplicidade no crime.
Todos negam ter cometido irregularidades, com exceção de Jonathan G, que admitiu seu envolvimento. No entanto, ele disse ao tribunal que acreditava estar participando de uma operação de resgate.
O julgamento ocorre após anos de disputas judiciais entre Christina Block e o ex-marido, Stephan Hensel, sobre quem tinha o direito de ficar com a guarda dos filhos.
Logo após a separação, os quatro filhos do casal foram morar com a mãe, em Hamburgo. Hensel, que se casou novamente, mudou-se mais tarde para a Dinamarca, onde as crianças o visitavam regularmente.
Em 2021, os dois filhos mais novos foram visitar o pai na Dinamarca, mas não foram levados de volta a Hamburgo, como havia sido combinado.
Um tribunal de Hamburgo decidiu que Christina tinha a guarda das crianças e que elas deveriam ser devolvidas. No entanto, em fevereiro de 2023, um tribunal dinamarquês determinou que, embora o menino e a menina tivessem sido levados ilegalmente para a Dinamarca, não poderiam ser retirados do país.
Em maio de 2023, Hensel foi acusado de sequestro de menores, em um processo que ainda está em andamento.
Ele acusou Christina de ser violenta com os filhos, acusação que ela nega. Ela disse ao tribunal que Hensel queria se vingar dela.
Christina também negou ter conhecimento de qualquer plano para sequestrar as crianças na Dinamarca. Sua defesa argumenta que a equipe israelense de segurança agiu por iniciativa própria.
Ela disse ao tribunal que aquilo foi "uma catástrofe" e que nunca havia desejado algo semelhante.
O chefe da equipe israelense de segurança, David Barkay, que não é réu no julgamento, mas poderá responder judicialmente em processos futuros, disse ao tribunal que Christina Block e Costard sabiam da operação planejada para levar as crianças de volta à Alemanha.
Barkay, descrito por outra testemunha como ex-agente do , o serviço secreto israelense, disse que não havia compartilhado todos os detalhes porque "não confiava neles".
A suposta ligação com o ex-chefe do serviço de inteligência alemão August Hanning está relacionada a acusações sobre uma tentativa anterior, em 2022, de sequestrar as crianças e levá-las de volta da .
Os promotores afirmaram que Hanning foi responsável por organizar a contratação de seguranças enviados à Dinamarca junto com Christina Block. Seu advogado nega as acusações. Hanning não foi acusado no processo atual contra Block.
Durante as buscas na casa de Hanning, os investigadores encontraram indícios de que ele teria participado da compra de cerca de 2 mil documentos de seu ex-chefe de gabinete e, posteriormente, repassado segredos de Estado a potências estrangeiras.
Não foi especificado qual potência estrangeira estaria envolvida nem a quem ele teria entregado os segredos, mas o caso provocou ampla especulação.
Aos 80 anos, Hanning está preso, acusado de espionagem em favor de potências estrangeiras com intenção de traição. Seu advogado afirma que ele está sendo "perseguido injustamente" e que as acusações são "infundadas".
Enquanto isso, o julgamento de Christina Block está suspenso por duas semanas — um dos vários adiamentos e prolongamentos ocorridos ao longo dos últimos 15 meses.
O adiamento mais recente ocorreu porque uma testemunha, a atual esposa de Stephan Hensel, não compareceu ao tribunal.