O que os próximos 30 anos exigirão da rede elétrica
Calor intenso e temporais estão entre os fatores que colocam à prova as redes elétricas das grandes cidades. No Rio de Janeiro, há instalações aéreas e subterrâneas em áreas densamente povoadas, o que exige obras, tecnologia e equipes preparadas para diferentes condições de operação.
Modernizar essa estrutura está entre os investimentos previstos pela Light, distribuidora de energia elétrica que atende 31 municípios fluminenses. A companhia renovou, em maio, a concessão por mais 30 anos e prevê cerca de R$ 10 bilhões entre 2026 e 2030, o maior programa já anunciado pela empresa.
Meses depois da renovação, outra mudança se tornou visível para o público. Em agosto, a Light apresentou uma nova identidade e um novo posicionamento, desenvolvidos para acompanhar as mudanças previstas na operação e na relação com os clientes.
A história da empresa no Rio começou há mais de um século. A The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Co. foi criada em 1904 e recebeu autorização para funcionar na então capital federal em 1905, ano oficial da fundação da companhia. Dois anos depois, começou a fornecer eletricidade regularmente à cidade e assumiu companhias de bondes que ligavam regiões em expansão.
A eletrificação avançou junto com o crescimento urbano e a atividade econômica. Hoje, aos 121 anos, a Light atende uma área com cerca de 12 milhões de pessoas e 4,4 milhões de clientes.
Onde serão investidos os R$ 10 bilhões
O programa previsto até 2030 representa uma média próxima de R$ 2 bilhões por ano. A maior parcela será destinada à distribuição, com renovação da infraestrutura, digitalização, automação, atualização de sistemas e obras para reduzir perdas de energia.
Os projetos incluem medidas destinadas a elevar a eficiência e a confiabilidade do serviço e preparar a estrutura elétrica para novas demandas energéticas. Há também iniciativas para tornar a rede mais resiliente a eventos climáticos severos. Sistemas automatizados e informações em tempo real ampliam os recursos disponíveis para identificar ocorrências e organizar o trabalho das equipes em campo.
O tamanho e as características da área atendida impõem dificuldades específicas. Além da capital e de municípios da Região Metropolitana, a concessão alcança cidades de outras regiões do estado. Em algumas localidades, questões de segurança dificultam o acesso das equipes e, consequentemente, a realização de serviços comerciais e o combate ao furto de energia, um dos maiores desafios da distribuidora. Neste contexto, o plano prevê obras para recuperar essa energia e renovar ativos da empresa.
Os investimentos começam após outra mudança relevante para a companhia. A Justiça encerrou em setembro a recuperação judicial iniciada em 2023, poucos meses depois da renovação da concessão.
A mudança também chega à marca
A nova identidade apresentada em agosto mantém elementos conhecidos da Light, entre eles o verde e referências ao desenho histórico da marca. Também incorpora o conceito “Tá tudo Light” e a assinatura “Prontos e Energizados”.
A reformulação foi desenvolvida no mesmo período em que a companhia se prepara para executar o programa de investimentos e cumprir o novo contrato de concessão. Inovação, digitalização, proximidade e agilidade estão entre os atributos escolhidos para a identidade.
As alterações serão incorporadas gradualmente aos canais digitais, lojas, uniformes, veículos e materiais de comunicação. A marca também reúne distribuição, geração, comercialização e soluções de energia, negócios que atendem desde os consumidores da distribuidora até empresas com demandas específicas de energia.
O contato com os clientes também ganhou novos canais. Aplicativos e serviços digitais concentram atendimento e informações sobre ocorrências, enquanto postes, cabos, subestações e transformadores continuam formando a estrutura física que leva eletricidade aos consumidores.
O que está previsto até 2030
A concessão segue até 2056, mas o programa de investimentos tem uma data mais próxima. Até 2030, estão previstos cerca de R$ 10 bilhões para obras, renovação de equipamentos, digitalização, automação e outras intervenções na distribuição.
A escala da operação é muito diferente daquela encontrada pela Light no início do século XX. A empresa que começou a fornecer eletricidade ao Rio em 1907 chega aos 121 anos diante de uma rede que atende milhões de consumidores e terá uma nova rodada de obras nos próximos quatro anos.