Observadores internacionais elogiam organização das eleições brasileiras e Carter Center pede respeito ao resultado

27 de Out de 2026 - 18:40
 0  0
Observadores internacionais elogiam organização das eleições brasileiras e Carter Center pede respeito ao resultado

Missões internacionais de observação que acompanharam o , no domingo (25/10), avaliaram que a votação e a apuração transcorreram com normalidade e elogiaram a capacidade técnica da Justiça Eleitoral.

O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos, contra 48,21% de , uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos, segundo dados do . O , acima dos 78,92% do primeiro turno.

A missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), entidade que reúne 35 países do continente, entre eles Brasil e Estados Unidos, e que há décadas envia observadores a eleições na região, foi a maior e a mais abrangente entre as que acompanharam o segundo turno.

Chefiada por José Miguel Insulza, ex-secretário-geral da entidade e ex-chanceler do Chile, a equipe teve 88 observadores de 22 nacionalidades no segundo turno e 179 no conjunto das eleições gerais, o que, segundo o relatório, a torna "a maior missão de observação eleitoral internacional já realizada no Brasil".

No dia da votação, a missão visitou 977 seções eleitorais em 388 locais de votação, no Distrito Federal e em 21 estados, além de acompanhar a jornada em cinco cidades no exterior.

Segundo o documento divulgado pela entidade, os resultados apresentados pelo TSE na noite da eleição "coincidem com as informações coletadas em campo" e a missão "não tem dúvidas quanto à integridade dos dados oficiais".

O relatório reconhece "o trabalho profissional das equipes técnicas da Justiça Eleitoral, dos mesários, das forças de segurança e das demais instituições do Estado" e destaca uma "sólida capacidade técnica, logística e organizacional" do TSE e dos Tribunais Regionais Eleitorais.

Os observadores relatam que houve fluxo constante de eleitores, atendimento prioritário a idosos e pessoas com deficiência e disposição das urnas que garantiu o sigilo do voto. A missão acompanhou ainda a verificação de autenticidade do software das urnas, o Teste de Integridade e a totalização no TSE.

A OEA ressalva que, embora a votação tenha ocorrido "em termos gerais, normalmente", recebeu denúncias de , como atrasos e restrições na circulação de ônibus.

Confira a apuração para presidente e governador em seu Estado e município no mapa interativo da BBC News Brasil

Fim da Promoção Resultados eleição 2026

O Carter Center, organização sem fins lucrativos sediada em Atlanta, que atua em observação eleitoral desde 1989, enviou uma missão de especialistas de quatro integrantes.

A entidade cumprimentou o "contínuo compromisso do Brasil com a democracia" e afirmou que a eleição foi "bem-sucedida" e que candidatos e apoiadores devem respeitar os resultados.

"Respeitar a vontade dos eleitores é fundamental para a democracia", afirmou Jennie Lincoln, assessora sênior do Carter Center para a América Latina e o Caribe e chefe da missão.

"Candidatos e seus apoiadores devem respeitar os resultados anunciados. Quaisquer alegações fundamentadas em evidências devem ser encaminhadas pelas vias legais estabelecidas."

A Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP), por sua vez, enviou missão chefiada pela Comissão Nacional de Eleições de Portugal. O grupo que reúne os órgãos eleitorais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Os observadores acompanharam a votação em duas escolas de Brasília, o Teste de Integridade na Câmara Legislativa do Distrito Federal e a totalização no TSE. Em sua declaração, afirmam ter observado um ambiente de tranquilidade, com fiscais das candidaturas presentes, "sem ter observado qualquer incidente que comprometesse o processo eleitoral".

A missão ressalva que sua observação, de curta duração, ficou restrita aos locais visitados e não constitui avaliação exaustiva.

Já a União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore), associação que reúne autoridades eleitorais de países das Américas, enviou representantes da Argentina, Chile, Colômbia, Panamá e República Dominicana, chefiados pelo registrador nacional da Colômbia, Hernán Penagos.

Em carta ao presidente do TSE, reconhece o profissionalismo da Justiça Eleitoral e destaca a coordenação entre o TSE, os tribunais regionais e as zonas eleitorais, o funcionamento da urna eletrônica e da identificação biométrica, o sigilo do voto e a presença de fiscais dos partidos.

Prorrogação de duas horas é o principal ponto de crítica

Os relatórios divulgados entre 26 e 27 de outubro têm pontos de crítica: entre eles, a prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o alto grau de judicialização da campanha.

Zanin , até as 19h, da votação em todo o país, cabendo ao TSE cumprir a ordem.

A OEA aponta que as campanhas pediram ao TSE a extensão do horário por motivos distintos.

A Federação Brasil da Esperança, que integra a base de Lula, pediu a prorrogação até as 19h em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, por denúncias de redução da frota de ônibus, e a Coalizão Brasil Pronto Pra Mais pediu a ampliação para outros estados. Já Flávio Bolsonaro também pediu extensão do horário, alegando questões climáticas, bloqueios de vias, falta de energia e mudanças de locais de votação em Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

A entidade classifica a prorrogação como "situação inédita na história eleitoral brasileira" e pede que atores políticos e institucionais tomem medidas "para que isso não se repita".

Ao divulgar os resultados, , presidente do TSE, disse que a decisão liminar, proferida após o horário de encerramento, "gerou dificuldades para o processo eleitoral", que não havia norma que autorizasse a extensão.

A OEA recomendou que o país especifique os casos excepcionais de intervenção do STF em controvérsias eleitorais, sobretudo quando houver processos pendentes no TSE, e institucionalize o diálogo entre as duas cortes.

O Carter Center tratou o episódio como o exemplo mais claro de um problema mais amplo. No comunicado, descreve uma eleição marcada por "alto nível de judicialização" e por decisões inconsistentes ou contraditórias do TSE, do STF e de outras instâncias, e cita como "exemplo emblemático" a "controversa" prorrogação de duas horas.

A entidade afirma que a decisão de última hora de alterar o horário "criou um ambiente operacional desafiador", mas ressalta que o sistema divulgou os resultados no prazo, no site e no aplicativo do TSE, na noite da eleição.

A Uniore, por sua vez, afirmou que decisões do STF, enquanto vigentes, devem ser observadas pelas autoridades competentes, sem prejuízo dos mecanismos legais de revisão, e citou "possíveis dificuldades operativas" de implementação da decisão de Zanin.

A entidade observou que as mesas sob sua observação já haviam concluído o fechamento e destaca que, uma vez encerrada a urna eletrônica, não é possível retomar a recepção de votos.

A instituição também aponta que a falta de articulação entre tribunais e ações judiciais gerou confusão entre os responsáveis pelo fechamento das mesas e pela transmissão de resultados.

Para a ROJAE, no entanto, a decisão, como chegou aos mesários depois das 17h, "não produziu efeitos práticos" nas operações que acompanhou.

Um , feito em 26 de outubro, identificou 33.866 votos para presidente registrados após as 17h de domingo, o que representa 0,026% dos 128.236.074 votos do segundo turno. A vantagem de Lula foi cerca de 130 vezes maior que esse número.

Meta e plataformas digitais entram no radar

A Meta, controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp, foi tema de alguns dos relatórios de acompanhamento eleitoral.

A empresa reconheceu um "incidente técnico de alcance global", mas nega favorecer ou prejudicar candidaturas. Segundo o relatório, a empresa informou que a conta publicitária da campanha de Lula foi desativada por engano por pouco mais de uma hora em 23 de setembro, no âmbito de medidas antifraude, e que as contas oficiais nunca foram bloqueadas.

O Carter Center afirma que houve alegações de interferência e de viés algorítmico nas plataformas da Meta, e que o TSE respondeu exigindo que a empresa garantisse tratamento igualitário a todas as candidaturas.

Segundo o texto, o tribunal também pediu mais informações e exigiu o cumprimento da regulamentação nacional. A entidade registra que "investigações mais aprofundadas seguem pendentes".

Já a OEA recomendou regulamentar por lei, com ampla participação da sociedade civil e da academia, as regras de moderação de conteúdo, de publicidade política online e de restrições à propaganda na internet, e não apenas por normas administrativas. O relatório lembra que o chamado PL das Fake News aguarda votação na Câmara desde 2020.

Entre as demais recomendações, a entidade pede que ordens de restrição a conteúdos, contas ou canais indiquem com precisão o conteúdo afetado, a base jurídica e a duração, privilegiando medidas proporcionais e garantindo direito de defesa e recurso.

Além disso, defende que as plataformas notifiquem de forma fundamentada as candidaturas afetadas por medidas de moderação e publiquem relatórios periódicos durante a campanha.