Passageiras reclamam de falta de segurança no Metrô: "Não temos sossego"
Com o ataque a uma estudante dentro de um vagão exclusivo para mulheres, nessa segunda-feira (28/9), passageiras que utilizam o espaço relataram ao Metrópoles medo e insegurança para circular pelo local. O caso ocorreu em meio a outros episódios registrados recentemente no Metrô-DF.A estudante do Colégio Militar Dom Pedro II foi atacada por volta das 6h20, durante uma viagem entre as estações Centro Metropolitano e Ceilândia Sul. Segundo o Metrô-DF, o homem “apresentava um comportamento agressivo” durante a viagem.A vítima estava acompanhada de outras colegas de escola no vagão exclusivo para mulheres e teve ferimentos superficiais no rosto, pescoço e braço. Embora haja um trem restrito para mulheres, a entrada de homens no espaço cria uma situação de risco para as passageiras.“A sensação no vagão feminino é de insegurança”A enfermeira Rayclécia Santos, de 31 anos, contou ao Metrópoles que prefere utilizar os vagões comuns quando está acompanhada da filha, que é autista. Segundo ela, a presença de homens aumenta a possibilidade de receber ajuda em uma eventual situação de risco.“Eu mesma prefiro ir nos vagões comuns com minha filha autista, pois se acontecer algo pode ser que tenha algum homem que ajude, fora que são mais solícitos e gentis, cedem lugar pra minha filha com mais frequência do que as mulheres. Mesmo ela tendo prioridade, tem gente que nem se importa, percebo isso”, disse.Rayclécia também relatou sensação de insegurança nos vagões exclusivos para mulheres e criticou a falta de fiscalização para impedir a entrada de homens no espaço.“A sensação no vagão feminino é de insegurança, não tem nenhuma fiscalização na plataforma para ver se homens entram e muito menos dentro do vagão. Prefiro usar os outros vagões por ter presença de homens, acredito que isso intimida um agressor, ele vai pensar duas vezes antes de cometer algo e, no caso de acontecer alguma coisa, acredito que os homens podem ajudar mais do que as mulheres”, afirmou.A designer Nayra Caldas, moradora do Gama (DF), também utiliza o Metrô para se deslocar. Ela afirma que os últimos episódios de agressão a deixaram desconfortável e insegura.“Causa indignação a gente não ter sossego no nosso deslocamento, principalmente num espaço exclusivo pra mulheres, não era nem pra existir o perigo”, disse.Uma usuária, que preferiu não se identificar, contou ao Metrópoles que utiliza o Metrô diariamente para ir de casa para o trabalho e que os últimos episódios aumentaram o medo durante os deslocamentos.“É uma sensação de insegurança muito grande. Nós entramos no vagão feminino achando que vamos ter segurança, mas acaba que o que temos visto são ataques acontecendo. Às vezes prefiro ir nos vagões normais porque lá talvez eu tenha um amparo melhor”, disse.A manicure Deuzeni Gomes, de 59 anos, contou que utiliza o Metrô, mas não costuma entrar no vagão feminino, no entanto, os últimos episódios aumentaram a sensação de insegurança.“A sensação é que a gente não tem direito a nada. O nosso direito é só trabalhar e essas pessoas que são desocupadas usufruir do dinheiro que a gente luta pra ganhar honestamente porque esse tipo de pessoa, ele mata, ele estupra, vai preso e no dia seguinte tá solto”, afirmou.“A gente compra um tênis de marca, um telefone de marca, só tem o direito e obrigação de pagar e essas pessoas que não têm responsabilidade, nem trabalham é que pega e vai usar, mas eu, quando eu saio de casa, a única segurança que eu conto é a de Deus”, acrescentou Deuzeni.Relembre outros casosEm 14 de setembro, a PMDF conduziu à delegacia um homem suspeito de importunar sexualmente uma mulher na Estação Taguatinga Centro.Durante a confusão, o homem também teria agredido outra vítima que estava no local.Segundo a PMDF, o patrulhamento foi acionado por usuários do transporte público, que informaram sobre um alvoroço nas dependências da estação.O mesmo homem, de 28 anos, voltou a entrar em um vagão exclusivo para mulheres por volta das 13h30 daquele dia.Segundo informações obtidas pelo Metrópoles, ele embarcou na Estação Concessionárias, em Águas Claras, e permaneceu no vagão até a região da Asa Sul, sem ser retirado.Em outra ocorrência, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) prendeu, em 30 de agosto, um homem em situação de rua suspeito de tentar importunar sexualmente uma jovem de 22 anos que deixava a Estação Galeria dos Estados, na área central de Brasília.A jovem precisou ser encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) por apresentar uma lesão no braço.Utilização de carro exclusivoAo Metrópoles, a Companhia do Metropolitano de Brasília (Metrô-DF) esclareceu que, conforme a Lei Distrital nº 4.848 de 2012, mulheres e pessoas com deficiência, incluindo homens e seus acompanhantes, podem utilizar o carro exclusivo em todos os trens do Metrô-DF.“O Metrô lamenta o episódio desta segunda-feira e reforça que mantém a vigilância constante para o cumprimento das regras do uso do carro exclusivo, bem como para garantir a segurança de todos os usuários”, disse a companhia.Segundo o Metrô-DF, cabe ao Corpo de Segurança Operacional (CSO) fiscalizar o cumprimento da legislação nos casos em que as regras são desrespeitadas. Embora a lei não preveja punição aos infratores, os agentes abordam homens que não se enquadram nas situações previstas na legislação de forma educativa.“Quando há flagrante de desrespeito, o usuário é informado quanto às regras de uso do carro exclusivo e é convidado para se dirigir a outro carro do trem e, se houver resistência, ele é retirado do carro, podendo ser encaminhado à Delegacia de Polícia e responder por crime de desobediência”, explicou.A companhia ressaltou ainda que há cartazes e barreiras adesivadas nas plataformas das estações, posicionados estrategicamente para informar sobre o uso correto do carro exclusivo.O Metrô-DF também disponibiliza canais de comunicação para que os usuários possam relatar ocorrências e fazer denúncias. Além do WhatsApp, telefone e e-mail da Ouvidoria, a companhia disponibilizou recentemente um recurso no aplicativo institucional que permite o envio de denúncias diretamente à segurança metroviária.Em caso de intercorrências, os usuários podem utilizar os seguintes canais:App Metrô Conecta: para ocorrências de segurança em tempo real nas estações e trens;Ouvidoria/WhatsApp: (61) 99265-1178, somente mensagens;Portal Participa DF: canal oficial de ouvidoria.Segundo o Metrô-DF, os empregados do Corpo de Segurança Operacional são responsáveis pela segurança do sistema metroviário e atuam a partir das denúncias feitas pelos usuários, fiscalizando o cumprimento das legislações, incluindo as regras para utilização do carro exclusivo por mulheres, pessoas com deficiência e seus acompanhantes.Homem já tem histórico de problemas no MetrôO homem que atacou uma estudante com uma garrafa de vidro dentro de um trem do Metrô-DF, na manhã dessa segunda-feira (28/9), já é conhecido por moradores e trabalhadores da região. O ataque de hoje ocorreu entre as estações Centro Metropolitano e Ceilândia Sul.Segundo uma funcionária da Estação Ceilândia Sul, que preferiu não se identificar, o homem já havia apresentado problemas em outros momentos.“Ele não estava dando problema ultimamente, mas geralmente ele pede ajuda para as pessoas. É a segunda semana que acontece um acidente assim e foi no carro exclusivo das mulheres”, disse a funcionária. “Foi um susto para todos nós, mas ela estava consciente”.Segundo a mulher, após algumas ocorrências envolvendo o suspeito, policiais foram à casa de familiares do homem para conhecer a história dele. A informação é que ele tem problemas psicólogicos.