Peste pneumônica: entenda o que é, como se transmite e quais são os riscos à saúde

7 de Out de 2026 - 17:20
 0  0
Peste pneumônica: entenda o que é, como se transmite e quais são os riscos à saúde
  • Por Ana Paula Pickler

  • Especial para a Gazeta do Povo

  • 07/10/2026 às 16:28

  • Dê de presente

A morte de uma pesquisadora de 28 anos que trabalhava em um instituto especializado no estudo da peste pneumônica – e suas variações –, na região de Irkutsk, na Sibéria, colocou a doença novamente no radar das autoridades internacionais. A patologia é uma forma rara e grave da infecção provocada pela bactéria Yersinia pestis e pode ser transmitida entre pessoas por partículas respiratórias.

Apesar da preocupação provocada pelo caso na Rússia, a causa da morte da pesquisadora, identificada como Darya Shipilova, ainda não foi determinada.

Segundo informações transmitidas pela Rússia à , não foram identificados casos de peste entre as pessoas que tiveram contato com ela. Cerca de 200 pessoas chegaram a ficar sob observação, mas a maior parte já foi liberada após exames que não encontraram agentes infecciosos perigosos.

A OMS também informou que continua buscando informações sobre a causa da pneumonia grave e sobre relatos de um segundo funcionário que teria apresentado pneumonia de origem indeterminada.

A diretora de Gestão de Epidemias e Pandemias da organização, Maria Van Kerkhove, afirmou que a agência ainda não sabe qual foi o agente responsável pela morte da pesquisadora. “Não entendemos como ela foi infectada”, disse, segundo a Associated Press.

O que é a peste pneumônica?

A peste é uma doença infecciosa causada pela bactéria Yersinia pestis, normalmente encontrada em pequenos mamíferos e nas pulgas que os parasitam.

A transmissão para seres humanos pode ocorrer pela picada de uma pulga infectada, pelo contato desprotegido com tecidos ou fluidos contaminados e, no caso da forma pneumônica, pela inalação de partículas respiratórias de uma pessoa infectada.

Existem três principais formas clínicas da doença: bubônica, septicêmica e pneumônica. A peste bubônica é a mais comum e provoca, entre outros sinais, o aumento doloroso dos gânglios linfáticos. Já a forma septicêmica ocorre quando a bactéria chega à corrente sanguínea.

A peste pneumônica é a forma que atinge os pulmões e é considerada pela OMS a mais virulenta, embora seja menos comum. Ela pode aparecer como consequência da evolução de outro tipo de peste ou ocorrer após a inalação de partículas infectadas. Quando uma pessoa desenvolve a forma pneumônica, também pode transmitir a bactéria para outras pessoas.

Peste pneumônica: como é feita a transmissão e quais os sintomas?

A principal diferença em relação à peste bubônica está justamente na possibilidade de transmissão respiratória. Uma pessoa com peste pneumônica pode liberar partículas infectadas ao tossir ou respirar, permitindo que outras pessoas próximas sejam contaminadas.

A OMS informa que o período de incubação pode ser muito curto, chegando a menos de 24 horas em alguns casos. Os sintomas tendem a surgir rapidamente e incluem:

  • febre;
  • calafrios;
  • fraqueza;
  • dor de cabeça;
  • dor no corpo;
  • tosse;
  • dificuldade para respirar.

Também podem ocorrer náuseas e vômitos. Na forma pulmonar, a infecção pode provocar uma pneumonia grave e evoluir rapidamente.

A rapidez da evolução é um dos fatores que tornam a doença especialmente perigosa. De acordo com a OMS, a peste pneumônica não tratada pode ser fatal em um intervalo de 18 a 24 horas após o início dos sintomas. Por outro lado, a organização destaca que as taxas de recuperação são altas quando a doença é identificada e tratada rapidamente.

O diagnóstico depende de exames laboratoriais capazes de identificar a Yersinia pestis. Amostras de sangue, secreções respiratórias ou material de lesões podem ser analisadas para confirmar a presença da bactéria.

A peste pneumônica tem tratamento?

Sim. A peste é uma infecção bacteriana e pode ser tratada com antibióticos. O início rápido da terapia é considerado fundamental para aumentar as chances de sobrevivência e reduzir complicações. A OMS destaca que os antibióticos e os cuidados de suporte são eficazes quando o paciente é diagnosticado a tempo.

O tratamento também pode incluir medidas de suporte para controlar as consequências da infecção pulmonar. Em casos suspeitos ou confirmados de peste pneumônica, o isolamento do paciente e o acompanhamento das pessoas que tiveram contato próximo são medidas importantes para impedir novas transmissões.

A prevenção também depende do contexto. Em regiões onde a peste circula entre animais, as autoridades recomendam evitar contato com animais mortos e reduzir o risco de picadas de pulgas.

Para pessoas expostas a um paciente com a forma pneumônica, devem ser adotadas precauções contra partículas respiratórias e contato com fluidos corporais. Contatos próximos podem receber acompanhamento médico e antibióticos preventivos.

A OMS não recomenda a para a população em geral. A indicação é restrita a grupos com risco elevado de exposição, como determinados profissionais de laboratório e trabalhadores da saúde.

Há risco de uma nova pandemia?

Embora a peste pneumônica possa ser transmitida entre pessoas e seja potencialmente grave, o caso russo não representa, até o momento, .

A avaliação da OMS é baseada nas informações disponíveis e considera baixo o risco para a população em geral. A Rússia também informou que não identificou casos de peste entre os contatos da pesquisadora e que os exames realizados não encontraram agentes perigosos.

Isso não significa que a doença tenha desaparecido. A peste continua presente em algumas regiões do mundo, principalmente em populações de pequenos mamíferos, e casos humanos ainda são registrados.

A diferença em relação ao passado é que atualmente existem antibióticos eficazes e protocolos de vigilância e controle capazes de interromper cadeias de transmissão quando a doença é reconhecida rapidamente.

Por isso, a situação na Sibéria segue sendo acompanhada internacionalmente, mas é importante separar a gravidade potencial da doença da existência de um surto confirmado.

No caso da pesquisadora russa, a causa exata da pneumonia que levou à morte ainda não foi esclarecida. A OMS continua cobrando informações adicionais das autoridades russas para avaliar se existe alguma implicação para a saúde pública internacional.

Encontrou algo errado na matéria?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR