PF arquiva investigação sobre suposta interferência dos EUA nas eleições
A Polícia Federal decidiu arquivar a apuração preliminar sobre uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, solicitada pela Advocacia-Geral da União (AGU) na semana passada. A AGU informou que já foi comunicada oficialmente sobre o arquivamento do caso.
A investigação havia sido anunciada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, no dia da votação do primeiro turno, no domingo (4), após o órgão receber a representação apresentada pela AGU.
“Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa”, afirmou Rodrigues na ocasião.
Segundo o diretor-geral, o pedido havia sido encaminhado à Diretoria de Inteligência para uma análise inicial, ainda sem a abertura formal de um inquérito policial.
“É uma investigação em andamento, um procedimento prévio”, declarou acrescentando que ainda não havia sido publicada a portaria para instaurar um inquérito.
No mesmo dia, no entanto, Andrei Rodrigues afirmou que não havia "nenhum indicativo concreto de interferência internacional".
"Muito se falava, meses atrás, inclusive no ano passado, que essas interferências poderiam vir através das plataformas", afirmou.
A representação da AGU foi apresentada depois de uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre um suposto projeto dos Estados Unidos chamado “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”. A iniciativa previa cerca de R$ 5 milhões para organizações de oposição ao que classificam como abusos do Poder Judiciário e censura praticados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a reportagem, os recursos fariam parte de um pacote de US$ 175 milhões, equivalente a cerca de R$ 918 milhões, do principal fundo de direitos humanos do Departamento de Estado americano. O dinheiro seria distribuído para diferentes projetos internacionais, além da iniciativa relacionada ao Brasil.
O Guardian também informou que parte dos recursos seria destinada a outras organizações e grupos alinhados a posições consideradas próximas dos interesses políticos dos Estados Unidos. Entre os projetos citados estão um fundo anticomunista, uma organização de direitos de sul-africanos brancos e programas de recompensas para aliados ideológicos americanos na Europa.