PF mira policiais por movimentar R$ 100 milhões com venda de fuzis ao TCP
A deflagrou, na manhã desta quarta-feira (7/10), operação para desarticular um grupo criminoso especializado no comércio ilegal de armas, vazamento de dados restritos da segurança pública, prática de usura e lavagem de capitais para o Terceiro Comando Puro (TCP), facção que domina o Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ).
As investigações que resultaram na ação policial, batizada de Magen e deflagrada com o apoio do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), revelaram que os criminosos contavam com a atuação de agentes da segurança pública, incluindo um policial civil e um policial militar da ativa, além de ex-policiais. Os policiais utilizavam o acesso funcional a sistemas restritos da Administração Pública para ajudar o grupo.
As apurações, conduzidas pelo Grupo de Investigações Sensíveis (Gise) e pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), identificaram que a organização criminosa mantinha um núcleo estruturado para a obtenção, transporte e revenda clandestina de material bélico.
De acordo com a PF, o grupo comercializava fuzis de uso restrito, revólveres, pistolas, carregadores e munições. Em uma ocasião, os investigados chegaram a fornecer dez fuzis AR-15 diretamente a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. As informações reveladas pela PF também apontam que o grupo recebia fuzis e equipamentos policiais como forma de comissão ou pagamento pelas transações.
Na operação, policiais federais cumprem sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em endereços na Barra da Tijuca, Copacabana, Parada de Lucas e Vila da Penha, na capital fluminense, além dos municípios de Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Mesquita, Nilópolis e Seropédica. A coluna apurou que, até as 7h desta quarta-feira, cinco pessoas já haviam sido presas. Duas, porém, permaneciam foragidas, entre elas Peixão.
Em um imóvel de um dos investigados, em Angra dos Reis, a PF apreendeu um fuzil, uma pistola e carregadores. Ele foi preso preventivamente em sua casa, na Barra da Tijuca.
Dados sigilosos
Segundo a PF, os policiais consultavam e repassavam aos líderes da quadrilha dados sigilosos referentes a mandados de prisão em aberto, endereços, registros de veículos e alvos de ações policiais em andamento.
As informações restritas eram exploradas tanto para alertar comparsas e evitar a repressão policial quanto para conduzir investigações clandestinas voltadas à extorsão e à obtenção de lucros ilícitos.
Movimentações milionárias
Os recursos obtidos com as atividades criminosas eram integrados à economia formal por meio de sucessivas manobras de dissimulação.
As apurações da Polícia Federal revelaram que os operadores do esquema movimentaram mais de R$ 100 milhões em um intervalo de quatro anos, entre contas pessoais e de pessoas jurídicas de fachada. O montante é manifestamente incompatível com as rendas declaradas dos investigados.
Os envolvidos foram denunciados pelo MPRJ e responderão, na medida de suas condutas, pelos crimes de organização criminosa armada, comércio ilegal de armas de fogo e munições, violação de sigilo funcional, usura e lavagem de capitais, sem prejuízo de eventuais outros delitos que possam ser revelados no curso das apurações.