Por que Douglas Ruas deve se tornar governador do Rio dias depois do 1º turno
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- Role, BBC News Brasil
- Published 8 outubro 2026Atualizado Há 10 minutos
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O candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, , está mais perto de ser declarado do Estado, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a anulação dos votos do terceiro colocado nas eleições fluminenses, Anthony Garotinho (Republicanos), e depois do segundo colocado, Eduardo Paes (PSD), ter reconhecido sua derrota.
Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), teve 49,27% dos votos válidos no primeiro turno. O ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) ficou em segundo lugar, com 42,76%.
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa de mais de 50% dos votos válidos, conta que exclui os votos brancos e nulos. É aí que entram os votos de Garotinho.
Ele recebeu 274.411 votos, ou 3,17%. Como esses votos passam agora a ser considerados "nulos", o cálculo de votos válidos para outros candidatos muda.
Assim, Ruas conseguiria chegar a 50,88% dos votos considerados válidos - percentual suficiente para vencer a eleição no 1º turno. Paes, nesse cenário, ficaria com 44,16%.
Após a decisão do TSE, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) informou que o reprocessamento da totalização dos votos ocorrerá no sábado (10), às 15h, o que deve oficializar o nome de Ruas como governador eleito do Estado.
O que TSE e STF decidiram nesta quinta-feira
O TRE-RJ já havia indeferido a candidatura de Garotinho, mas sua defesa apresentou recurso ao TSE - por isso, seu nome estava nas urnas. Um dia depois do primeiro turno, a defesa de Garotinho pediu desistência do recurso, abrindo caminho para a eleição de Ruas.
Nesta quinta-feira (08/10), o TSE considerou por unanimidade que Garotinho não poderia pedir a anulação do recurso após a eleição.
Fim da Promoção da eleição 2026
Os ministros então concordaram com o TRE-RJ e consideraram que Garotinho estava inelegível nas eleições no momento de sua filiação ao Republicanos e que, portanto, não poderia ser candidato.
O ex-governador cumpre uma suspensão de direitos políticos de oito anos, resultado de uma condenação definitiva por improbidade administrativa ligada ao desvio de recursos da Secretaria Estadual de Saúde entre 2005 e 2006.
Para ser candidato, sua defesa argumentava que o prazo terminou em julho de 2026, 8 anos depois do julgamento no Tribunal de Justiça do Rio em 2018. Essa tese foi descartada pelo TSE.
O ministro relator do caso, Floriano Marques, argumentou que o entendimento do Tribunal leve em conta os prazos finais para recursos contra a condenação ou a certificação de trânsito e julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) . Isso ocorreu apenas em 11 de julho de 2025, o que fixaria a suspensão dos direitos políticos por oito anos, com término previsto apenas para 2033.
Além de considerar a candidatura de Garotinho indeferida, Marques também defendeu que os votos fossem considerados anulados, fazendo assim com que o Rio não tenha segundo turno.
O voto do relator foi seguido pelos ministros Estela Aranha, André Mendonça, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, formando assim a maioria de cinco, já que o TSE é formado por sete magistrados.
Os ministros Sebastião Junior e Ricardo Villas Bôas Cueva votaram pelo indeferimento da candidatura de Garotinho, mas discordaram sobre a anulação dos votos. Eles defenderam que deveria haver um segundo turno, já que os eleitores do Rio que foram às urnas no domingo não escolheram dar mais de 50% dos votos a Ruas.
Após o julgamento, Eduardo Paes recorreu ao STF contra a decisão do TSE, com base nos votos divergentes. Entretanto, o recurso de Paes foi negado pelo ministro do STF Cristiano Zanin na noite desta quinta-feira.
O ministro do Supremo argumentou que a Corte não pode analisar o pedido, uma vez que as opções de recurso no próprio TSE ainda não haviam sido esgotadas.
Mas, na própria noite de quinta-feira, Paes anunciou que respeitaria as decisões da Justiça e que reconhece sua derrota.
"Infelizmente, a Justiça decidiu que não haverá segundo turno, contrariando a vontade soberana dos eleitores. E decisão judicial a gente respeita. É assim que funciona a democracia", disse o ex-prefeito do Rio em nota.
A reviravolta após a votação
Apesar de estar nas urnas, a candidatura de Garotinho estava sub judice. Isso porque, em 11 de setembro, o TRE-RJ negou por unanimidade o registro de sua candidatura, mas a defesa de Garotinho recorreu ao TSE.
Em 2 de outubro, dois dias antes do primeiro turno, o ministro Floriano Marques, relator do caso no TSE, atendeu a um pedido da coligação de Eduardo Paes e determinou que os votos em Garotinho fossem registrados como "anulados sub judice", ou seja, com a validade dependendo do julgamento do recurso.
Na noite da eleição, porém, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, decidiu que esses votos continuariam a ser considerados no cálculo dos percentuais até que o plenário do tribunal julgasse o registro - o que aconteceu só nesta quinta.
É por isso que Ruas apareceu com 49,27% oficialmente, levando a disputa ao segundo turno.
Um dia depois da eleição, na segunda-feira (5/10), a defesa de Garotinho apresentou ao TSE um pedido de desistência do próprio recurso.
Garotinho atribuiu a decisão ao resultado das urnas e afirmou: "Que agora o povo arque com as consequências".
O relator não aceitou o pedido de imediato e pediu a opinião da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), o braço do Ministério Público que atua no TSE. Na terça-feira (6/10), a PGE se manifestou a favor da desistência. O órgão afirmou ainda que, se o pedido não for aceito, o recurso de Garotinho deve ser rejeitado, o que levaria ao mesmo resultado prático.
A coligação de Paes, que antes da eleição havia pedido que os votos de Garotinho fossem considerados anulados, pediu ao TSE que não aceitasse a desistência e mantivesse esses votos no cálculo, o que preservaria o segundo turno. O PSOL também recorreu ao tribunal com o mesmo objetivo.
Quem é Douglas Ruas
Aos 37 anos, Ruas está no seu primeiro mandato de deputado estadual do Rio.
Ele foi eleito em abril presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), após o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil) ser afastado e preso por suspeita de ligação com facções criminosas
Ruas recebeu o apoio do senador e hoje candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para tentar retomar o comando do Palácio da Guanabara, depois da renúncia de Cláudio Castro (PL).
Castro deixou o poder na véspera de um julgamento no TSE que analisava ações para torná-lo inelegível por oito anos por suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Antes de chegar à Alerj, Ruas foi secretário municipal no governo de seu pai, o capitão Nelson Ruas, em São Gonçalo, segunda maior cidade fluminense. Depois, atuou como secretário de Cidades no governo de Cláudio Castro.