Por que os EUA saíram do Iraque após 12 anos e o que acontece agora

30 de Set de 2026 - 06:00
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Por que os EUA saíram do Iraque após 12 anos e o que acontece agora

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (30) o fim da presença militar americana no Iraque, com a retirada das últimas tropas e equipamentos das bases no país.

Em comunicado, o Pentágono afirmou que os EUA e seus parceiros da coalizão encerraram formalmente a Operação Inherent Resolve no Iraque, conforme acordado em uma declaração conjunta entre Washington e Bagdá de setembro de 2024.

Declaração do Pentágono confirma que os EUA encerram presença militar no Iraque.
Declaração do Pentágono confirma que os EUA encerram presença militar no Iraque. • REUTERS

A saída das forças da coalizão da Base Aérea de Erbil marca, segundo o Pentágono, a conclusão da missão militar que derrotou o Estado Islâmico (ISIS) como ameaça militar organizada no Iraque e na região.

O encerramento ocorre após 12 anos de campanha e representa a transição de uma missão de coalizão em período de guerra para um esforço de segurança liderado pelo Iraque, apoiado por uma relação bilateral considerada mais convencional.

Apesar da retirada, os Estados Unidos continuarão fornecendo treinamento específico e apoio de inteligência aos parceiros iraquianos.

Segundo o Pentágono, as Forças de Segurança do Iraque, incluindo os peshmergas e outras forças da região do Curdistão iraquiano, terão a responsabilidade de continuar combatendo remanescentes do ISIS e garantir a segurança do país.

A responsabilidade pelos desafios de segurança restantes, incluindo as milícias alinhadas ao Irã que, segundo Washington, ameaçam a soberania iraquiana e a estabilidade regional, também ficará com o governo do Iraque.

Os EUA afirmaram ainda que continuarão comprometidos com o combate ao terrorismo e trabalharão com o Iraque e outros parceiros para impedir que o ISIS volte a se reorganizar a partir do território iraquiano.

A retirada é amplamente apoiada pela população iraquiana, mas há preocupação de que as forças de segurança treinadas e financiadas pelos Estados Unidos ainda não tenham capacidade para proteger completamente o país. Dezenas de milhares de iraquianos morreram desde a invasão liderada pelos EUA em 2003.

Cerca de 4.500 militares americanos morreram em mais de 20 anos de guerra no Iraque. O conflito foi considerado internacionalmente um desastre para Washington e teve aproximadamente o dobro de mortes de militares americanos em relação à guerra paralela no Afeganistão, encerrada com a retirada dos EUA em 2021.

A saída também foi celebrada como uma vitória pelo Irã e seus aliados. O acordo para a retirada foi firmado em 2024, durante o governo do então presidente Joe Biden, e executado pela administração de Donald Trump, que atualmente conduz uma guerra contra o Irã.

O Pentágono afirmou que os Estados Unidos apoiam um Iraque soberano, capaz de proteger suas fronteiras e sua população, e que a retirada pode abrir caminho para uma cooperação comercial, diplomática e de segurança mais profunda entre os dois países.

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