China acusa Japão de acelerar “remilitarização” em nova tensão por Taiwan

30 de Set de 2026 - 00:40
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China acusa Japão de acelerar “remilitarização” em nova tensão por Taiwan

O regime comunista da China acusou nesta terça-feira (29) o Japão de acelerar sua “remilitarização” e ameaçar a estabilidade da Ásia em meio a uma nova escalada diplomática entre Pequim e Tóquio provocada principalmente pelas posições do governo japonês sobre Taiwan. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, em Pequim, no 54º aniversário da normalização das relações diplomáticas entre os dois países.

Segundo Guo, as relações entre China e Japão enfrentam novamente uma “situação grave” porque a base política construída entre os dois países estaria sendo prejudicada.

Pequim voltou a mirar diretamente a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que já afirmou que uma eventual guerra em Taiwan poderia representar uma situação capaz de ameaçar a sobrevivência do Japão, cenário que, dependendo das circunstâncias, poderia abrir caminho para uma atuação das Forças de Autodefesa japonesas na região.

“A atual líder do Japão não apenas se recusa a refletir sobre a história de agressão, como também afirma que uma contingência em Taiwan constituirá uma situação de ‘ameaça à sobrevivência’ do Japão”, afirmou Guo.

O porta-voz acusou ainda Tóquio de utilizar "ameaças externas" como justificativa para ampliar suas capacidades militares.

“O Japão continua promovendo a chamada narrativa da ‘ameaça externa’, usando-a como pretexto para acelerar a remilitarização”, disse. Segundo ele, esse movimento representa um desafio à ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial e ameaça a estabilidade regional.

Taiwan amplia tensão entre China e Japão

A nova ofensiva diplomática chinesa ocorre depois de meses de deterioração das relações entre as duas potências asiáticas. Pequim reivindica Taiwan, ilha governada democraticamente, como parte de seu território e não descarta o uso da força para assumir o controle do país. Além de um governo próprio e democraticamente eleito, Taiwan também possui Forças Armadas, moeda e instituições próprias.

O Japão acompanha de perto o aumento da pressão militar chinesa sobre Taiwan. A ilha fica próxima ao arquipélago japonês, e qualquer conflito na região poderia afetar diretamente rotas comerciais e a segurança do país.

A tensão entre Pequim e Tóquio aumentou depois que Takaichi passou a admitir publicamente a possibilidade de uma crise no Estreito de Taiwan atingir diretamente a segurança japonesa, o que ativaria as forças militares do país, que poderiam agir num eventual conflito. Nesta segunda-feira (28), o chanceler chinês, Wang Yi, voltou ao tema durante uma reunião em Pequim com o ex-ministro das Relações Exteriores japonês Takeshi Iwaya. Wang exigiu que a chefe do governo japonês "corrigisse" suas declarações sobre Taiwan. A posição chinesa foi repetida nesta terça. Guo afirmou que Tóquio deveria "corrigir" o que Pequim considera declarações equivocadas sobre a ilha.

Japão amplia investimentos em defesa

As falas de Pequim ocorrem enquanto o Japão executa uma das maiores expansões de sua capacidade militar desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O orçamento japonês de defesa para este ano alcançou cerca de US$ 56 bilhões, alta de 3,9% em relação ao ano anterior. Incluindo outras despesas relacionadas à segurança, o governo já antecipou a meta de elevar os gastos para o equivalente a aproximadamente 2% do PIB.

Tóquio também está revendo ainda neste ano seus três principais documentos de segurança e defesa. Entre as prioridades estão capacidades de ataque a longa distância, sistemas não tripulados, estoques militares e maior integração com os Estados Unidos e outros aliados.

O governo japonês justifica o reforço militar pela deterioração do ambiente de segurança na região e aponta principalmente para o crescimento militar da China, além das ameaças representadas pela Coreia do Norte e pela aproximação entre Pequim e Moscou.

Autoridades japonesas classificam as atividades militares chinesas na região como o maior desafio estratégico enfrentado pelo país. Nesta terça, o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, afirmou que praticamente não existem elementos que permitam ao Japão ser otimista em relação ao atual ambiente de segurança.