Presidente do Cuiabá condena calotes e cita Santos e Vasco: “Vão ficar na Série A por estelionato esportivo”
Cristiano Dresch cobra perda de pontos para clubes inadimplentes e questiona contratações enquanto equipe mato-grossense tem mais de R$ 40 milhões a receber
Cuiabá recebe transfer ban por dívida com ex-técnico Petit, e presidente condena credores do clube
O presidente do , Cristiano Dresch, voltou a cobrar mudanças nas regras para clubes que deixam de cumprir compromissos financeiros no futebol brasileiro. Em entrevista à ESPN nesta quarta-feira, o dirigente defendeu que equipes inadimplentes sejam punidas com perda de pontos. Ele citou e ao criticar o que considera uma falta de consequências esportivas para os devedores.
O Cuiabá decidiu não negociar com casas de apostas!
Ao comentar o cenário, Dresch afirmou que Santos e Vasco podem permanecer na Série A apesar das dívidas e classificou a situação como “estelionato esportivo”. A declaração ocorre um dia depois de o Cuiabá informar que a .
— Esse problema existe porque nós vivemos em um mercado que não tem nenhum tipo de regulação e não tem punição. Hoje o transfer ban está se mostrando insuficiente, a gente precisa que tenha perda de ponto. Acho que se o tivesse ameaçado de perder três pontos na tabela esse dinheiro já tinha saído de algum lugar.
— O Santos da mesma forma, a gente vê o Santos, o Vasco também, que deu um calote gigantesco, vão permanecer na Série A através de um estelionato esportivo. É muito grave, ruim para equipes como Mirassol, ruim para o Remo, que está com tudo em dia e vai cair — afirmou.
Cristiano Dresch presidente Cuiabá — Foto: Marlon Costa
O presidente do Cuiabá também questionou a possibilidade de clubes com dívidas no futebol brasileiro continuarem contratando jogadores e aumentando suas folhas salariais.
— Como que um clube que está devendo R$ 18 milhões para o Cuiabá contrata um jogador pagando R$ 2 milhões, como o Santos contratou o Arthur, o Cebolinha, que vão fazer a diferença dentro de uma tabela de classificação. [O Santos] Foi lá em Belém e ganhou do Remo, vai ficar na Série A. Como funciona isso? Como o Mirassol vê todo mundo contratando, gastando, e ele pagando em dia, fazendo sacrifício, e o Vasco que entrou com uma recuperação judicial deu um cano gigantesco, o Botafogo da mesma forma, permanecendo na Série A? Isso é injusto — completou Dresch.
Dívida do Santos com o Cuiabá
De acordo com o Cuiabá, a dívida de R$ 18,6 milhões tem origem na negociação do zagueiro Joaquim com o Santos, em fevereiro de 2023, além da participação do clube mato-grossense na posterior venda do jogador ao Tigres, do México.
A última parcela do acordo original venceu em janeiro de 2025. Segundo o Cuiabá, houve uma renegociação para facilitar o pagamento, com o clube abrindo mão de parte relevante do valor a receber. Mesmo assim, o Santos teria quitado apenas a primeira de cinco novas parcelas.
O Cuiabá acionou a CNRD em maio de 2025, e a decisão pela condenação do Santos foi divulgada nesta terça-feira. O clube paulista ainda pode recorrer ao Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA).
Em nota, o Cuiabá afirmou que recebe a decisão com respeito, mas não com alívio, e cobrou o pagamento do valor. O clube também questionou o uso de recursos processuais para prolongar o prazo de quitação da dívida.
Outros clubes também têm dívidas
O caso do Santos não é o único crédito do Cuiabá contra outros clubes brasileiros. Segundo levantamento divulgado pelo próprio clube, os valores a receber de diferentes equipes ultrapassam R$ 40 milhões.
O Corinthians tem uma dívida relacionada à negociação do volante Raniele, incluída pela CNRD em um plano coletivo de 24 parcelas trimestrais, com pagamentos previstos até 2031. O Cuiabá informou que uma parcela vencida em julho continua em aberto.
O Sport, por sua vez, deve cerca de R$ 6 milhões pela contratação do lateral-direito Matheus Alexandre. Já o tem uma disputa envolvendo aproximadamente R$ 900 mil, valor cuja inclusão em um plano de pagamento coletivo ainda aguarda julgamento.
Cuiabá disputa acesso à Série A
A discussão ocorre enquanto o Cuiabá disputa a Série B e ainda tenta retornar à elite do futebol brasileiro. A equipe está momentaneamente na décima posição, com quatro pontos a menos que o grupo dos seis primeiros colocados, que garante vaga no playoff.
O clube sustenta que o volume de valores a receber de outras equipes compromete o fluxo de caixa e afirma que a situação não é consequência de problemas de gestão, mas do descumprimento de contratos firmados com outros clubes.
Na nota, o Cuiabá também defendeu que as decisões dos órgãos responsáveis sejam executadas com maior rapidez e afirmou que continuará cobrando os valores devidos pelos meios previstos nas regras do futebol.
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