Professor de judô é condenado após chamar atleta de "macaca" em competição

12 de Out de 2026 - 15:30
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Professor de judô é condenado após chamar atleta de "macaca" em competição

São Paulo — O instrutor de judô Renan Augusto Furtado Rossi foi condenado a 1 ano e 9 meses de reclusão por injúria racial contra uma atleta durante os Jogos Abertos do Interior em 2022. Na ocasião, o professor chamou Talita Libório (imagem destacada) de “macaca”, “negrinha” e afirmou que a profissional “só ganha roubado”. A pena foi convertida em serviços à comunidade.A condenação acontece após a 1ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) reverter uma decisão anterior, que havia absolvido Rossi por considerar que a autoria do crime não foi comprovada. Leia também São PauloQuem era Gustavo Munis de Santana, jovem morto com 27 tiros da PM em SP São PauloJovem morto com 27 tiros da PM é velado em cemitério da zona sul de SP São PauloArcebispo de Aparecida diz que “cenário político está muito carregado” São PauloPM aposentado é preso por atirar em jovens por causa de cheiro de cigarro Talita, no entanto, entrou com um recurso questionando a decisão. “A vítima apresentou narrativa detalhada, coerente e segura em ambas as fases da persecução penal”, avaliou o desembargador Flavio Fenoglio, que examinou o recurso. Segundo ele, o relato da judoca foi confirmado por uma testemunha imparcial que presenciou a ofensa, o que é suficiente para determinar a condenação.Além dos serviços à comunidade, Renan Rossi deverá pagar R$ 5 mil à vítima. Cabe recurso.Racismo contra atleta de judôA judoca Talita Libório denunciou um caso de racismo durante os Jogos Abertos do Interior, que aconteceram em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, em 2022.Na ocasião, ela representava a delegação de Mogi das Cruzes.Após vencer uma luta, Talita foi xingada de “negrinha” e “macaca”, e ouviu que ela “só ganha roubando”. As ofensas, segundo ela e o relato de testemunhas, vieram do instrutor Renan Augusto Furtado Rossi, da delegação de Sorocaba.De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), o caso causou forte abalo psicológico em Talita, que não participou da competição no dia seguinte, ficou um ano afastada do judô e precisou de acompanhamento psiquiátrico por dois anos.Após o ocorrido, a Prefeitura de São Sebastião colocou faixas de combate ao racismo em espaços esportivos dos Jogos Abertos.Nas redes sociais, Talita Libório celebrou a decisão. “Um dos dias mais difíceis da minha vida”, disse ela ao relembrar o episódio, classificado como “uma dor inesperada e profunda, que deixou marcas que o tempo não apaga”.“A dor não me calou. A injustiça não me fez desistir. E o racismo não passou despercebido. Sigo de pé, sigo lutando e sigo acreditando que respeito, dignidade e justiça não são favores: são direitos”, escreveu.A defesa de Renan Augusto Furtado Rossi alega que o professor é inocente e que o relato de outras testemunhas contradiz a acusação.