Quem são os cotados para a equipe econômica do eventual governo Flávio Bolsonaro
Com a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições e a probabilidade cada vez maior de o candidato conquistar a presidência da República, começam a circular nos bastidores nomes cotados para a equipe econômica do eventual governo do senador.
Entre os possíveis indicados, constam membros de sua equipe de campanha, entre outros empresários, parlamentares e ex-integrantes do governo de Jair Bolsonaro (PL).
O senador já declarou que deve reduzir a estrutura do primeiro escalão do governo, dos atuais 39 para 27 ministérios. Em agosto, a coordenadora da área econômica da campanha do PL, Daniella Marques, disse que um eventual governo de Flávio terá entre 20 e 25 pastas.
Confira abaixo alguns dos nomes que despontam como possíveis titulares de cada pasta da área econômica de Flávio Bolsonaro:
Fazenda
Marcelo Kayath
Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil, cotado para a Fazenda em eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL)
Entre operadores do mercado financeiro, um dos nomes citados é o de Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e atual sócio da gestora QSM Capital. No fim de agosto, teve seu nome sugerido ao senador para o cargo por um grupo de banqueiros, investidores e empresários. Seu nome teria apoio ainda do irmão do candidato e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Kayath, no entanto, nega ter discutido a indicação até agora. “Eu nunca conversei com o candidato Flávio Bolsonaro sobre cargos. Nunca tivemos essa conversa”, afirmou na quarta-feira (7), em entrevista à CNN Brasil. “Agora não é momento de ficar falando em cargos”, declarou.
Em setembro, à Gazeta do Povo, ele já havia comentado a especulação. “Um cargo como esse só faz sentido se houver condições políticas para implementar uma agenda consistente. O mais importante, para mim, é ajudar o Brasil a voltar a crescer com responsabilidade fiscal, investimento e oportunidade para as pessoas”, disse.
Alexandre Bettamio
Alexandre Bettamio ocupa o cargo de co-chairman de global corporate & investment banking do Bank of America
Outro nome citado à Gazeta do Povo por pessoas próximas a Flávio como possível ministro da Fazenda é o de Alexandre Bettamio, executivo do Bank of America. Sua carreira é concentrada em operações de banco de investimento, assessoria a empresas e transações no mercado de capitais.
Considerado um grande sucesso no mercado financeiro internacional, Bettamio é visto como um gestor “liberal pragmático” com habilidade para construir pontes, característica fundamental para o cargo na Fazenda. Caso o senador vença a eleição, no entanto, seria necessário aguardar trâmites internos do banco americano para confirmar seu nome no ministério.
Roberto Campos Neto
O ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto
Presidente do Banco Central (BC) entre 2019 e 2024, por indicação de Jair Bolsonaro, Roberto Campos Neto também teria sido sondado para assumir a Fazenda, segundo apurou a Gazeta do Povo.
Antes de assumir o cargo, Campos Neto construiu carreira no setor financeiro, com passagem pelo Santander. Depois de deixar o BC, passou a atuar no Nubank como vice-presidente do conselho e responsável global por políticas públicas. Mais recentemente, o fato de ter sido citado no caso do Banco Master teria tornado sua entrada na equipe menos interessante para a campanha de Flávio.
Mansueto Almeida
Ex-secretario do Tesouro Nacional e atual economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida
Economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida foi secretário do Tesouro Nacional entre 2018 e 2020, durante os governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro, e participou da formulação e execução da política fiscal federal. Sua atuação profissional é associada ao acompanhamento das contas públicas, do orçamento e da sustentabilidade da dívida.
Gustavo Montezano
Gustavo Montezano foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Economico e Social (BNDES) no governo Jair Bolsonaro
Outro cotado para a Fazenda, segundo apuração do UOL, é Gustavo Montezano, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de julho de 2019 a janeiro de 2023.
Executivo com experiência no mercado financeiro, Montezano assumiu o banco de fomento no início ainda no primeiro ano da gestão Bolsonaro e conduziu sua atuação durante o período em que o governo defendia reduzir a participação estatal na economia e a devolução de recursos do BNDES ao Tesouro Nacional.
Planejamento e Orçamento
Adolfo Sachsida
Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia de Bolsonaro
Adolfo Sachsida é economista, advogado e pesquisador, com carreira no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e integra a coordenação econômica da campanha de Flávio desde agosto. No governo Bolsonaro, foi secretário de Política Econômica do Ministério da Economia e, em 2022, assumiu o Ministério de Minas e Energia (MME).
Na última quinta (8), ao negar a informação de que Flávio pretende reduzir a correção de aposentadorias e benefícios sociais, indicou que integrará o eventual mandato. “Nós iremos fortalecer os programas sociais”, disse. “Vamos reduzir impostos, vamos reduzir burocracia, vamos facilitar a sua vida.”
No mercado financeiro, Sachsida é citado como possível ministro do Planejamento, segundo a Folha. Pessoas próximas do economista, no entanto, afirmam que seu desejo é comandar a Fazenda.
Desenvolvimento Social
Daniella Marques
Daniella Marques é a coordenadora do plano econômico do candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Principal porta-voz do plano econômico de Flávio, Daniella Marques foi assessora especial do ex-ministro da Economia Paulo Guedes e presidiu a Caixa no último ano do governo Jair Bolsonaro. A economista chegou a ser cotada para a chapa do senador como candidata a vice-presidente
Segundo apurou Folha, Daniella é cotada para comandar um ministério na área social, que incorporar também a atual pasta das Mulheres, além de ficar responsável por algumas obras federais. Ela já estaria até mesmo buscando nomes na academia para dialogar.
Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Flávio Roscoe
Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg
Flávio Roscoe é empresário e presidiu a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) de 2018 a 2026. Ele se licenciou da entidade para disputar o governo mineiro pelo PL, mas acabou terminando a disputa em terceiro lugar. Ao longo de sua trajetória à frente da federação, atuou na representação dos interesses da indústria mineira perante os governos estadual e federal.
Roscoe é apontado por interlocutores políticos e empresariais como o principal nome de Flávio para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), segundo a Folha. A indicação é associada à articulação de industriais e políticos mineiros que apoiam a candidatura.
Minas e Energia
Adriano Pires
O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires
O nome mais cotado para o Ministério de Minas e Energia (MME) é o de Adriano Pires, economista e especialista no setor energético. Sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Pires já foi superintendente-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ao longo de sua carreira, atuou como consultor e analista de políticas para petróleo, gás natural, combustíveis e eletricidade.
Em 2022, chegou a ser indicado por Jair Bolsonaro à presidência da Petrobras, mas acabou desistindo em razão de um possível conflito de interesse apontado pelo Comitê de Pessoas da companhia. Também foi cotado para assumir o MME no governo passado.
Desde agosto, coordena a elaboração do plano de governo de Flávio para as áreas de infraestrutura e energia e faz a interlocução da campanha com representantes do setor. Caso não fique com o ministério, ele pode ficar com o comando da Petrobras, segundo o jornal Valor Econômico.
Agricultura e Pecuária
Pedro Lupion
Presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR)
Deputado federal reeleito pelo Paraná, Pedro Lupion (Republicanos) é presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), uma das principais bancadas temáticas do Congresso Nacional. Seu nome ganhou força como possível ministro da Agricultura e Pecuária após a FPA anunciar apoio à candidatura de Flávio, dias antes do primeiro turno das eleições.
Na última terça-feira (6), em reunião com representantes da frente parlamentar para confirmar apoio também no segundo turno, Flávio afirmou a jornalistas que a FPA indicará o nome para comandar a pasta responsável por políticas do setor. Em 2018, após Jair Bolsonaro ser eleito presidente da República, a então deputada e atual senadora Tereza Cristina (PP-MS) foi anunciada ministra da Agricultura por indicação da FPA.
Mauro Mendes
Senador eleito pelo Mato Grosso, Mauro Mendes (União)
Empresário, ex-prefeito de Cuiabá e ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União-MT), recém-eleito senador pelo estado, também aparece como alternativa para o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Durante sua gestão no governo mato-grossense, teve entre os temas centrais a infraestrutura logística e as condições econômicas de um estado fortemente dependente da produção agropecuária e da exportação de commodities.
Apesar de figurar entre os nomes cotados para a pasta, Mendes tem dito a interlocutores, contudo, que prefere o Ministério de Minas e Energia.
Relações Exteriores
Roberto Azevêdo
Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC)
O diplomata Roberto Azevêdo é o principal cotado para o Ministério das Relações Exteriores (MRE). Ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) entre 2013 e 2020, Azevêdo especializou-se, ao longo de sua carreira diplomática, em negociações comerciais multilaterais, representando o Brasil em fóruns internacionais. Também coordenou a elaboração do plano de governo de Ronaldo Caiado (PSD) para a área de comércio exterior.
Segundo o SBT News, sua interlocução com o agronegócio e sua experiência em comércio internacional são consideradas relevantes nas conversas sobre a escolha do chanceler. A senadora Tereza Cristina, integrante da FPA, que ganhou espaço nas discussões da campanha de Flávio, é uma das defensoras do nome de Azevêdo para o Itamaraty.
Outros nomes cotados para a equipe econômica
Além dos nomes associados a ministérios específicos, há outros possíveis integrantes da equipe econômica ou de áreas relacionadas à gestão federal. O Metrópoles relaciona quatro secretários do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sem indicação de possíveis cargos:
Outros nomes considerados para uma eventual administração de Flávio incluem o advogado João Pedro Nascimento, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM); Joaquim Leite, ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro; Alexandre Ywata, ex-secretário especial de Produtividade e Competitividade de Guedes; e Walter Maciel, gestor de fundos, sem experiência no setor público.
Da cota política, circulam nomes como da ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF), que poderia assumir o ministério social ampliado, como alternativa ao nome de Daniella Marques; do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que já abordou publicamente a possibilidade de assumir o MRE; além do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, que pode assumir um superministério que reuniria as atuais pastas da Infraestrutura, Transportes e Cidades.
Flávio diz que ministros serão definidos após segundo turno
O senador por enquanto diz ainda não ter definido nomes para ministérios em seu eventual governo. “A gente tem que ganhar a eleição primeiro antes de discutir qualquer outro assunto”, afirmou na quarta-feira (7), durante evento em que recebeu o apoio formal do partido Novo.
Até o momento, o único nome anunciado publicamente por Flávio é o do médico e presidente do Conselho do Hospital Albert Einsten, Cláudio Lottenberg, que deve assumir o Ministério da Saúde caso o postulante do PL confirme a vitória no segundo turno.
A indicação foi feita ainda em agosto, durante sabatina do candidato no Jornal Nacional, da TV Globo, e Lottenberg já aceitou formalmente o convite.